Entrevista com Karol Conká Karol Conka contou como a diversidade permeia as suas composições e as decisões de sua carreira Foto: MARIANA CARLESSO/JC

'As pessoas estão entendendo que não é mimimi falar de diversidade', acredita Karol Conka

A rapper esteve em Porto Alegre para o painel de abertura do BS Festival junto com Grazi Mendes, head of people na ThoughtWorks Brasil

Diversidade é um tema que, cada vez mais, perpassa campanhas publicitárias e é pauta de grandes empresas. Na música, o assunto é o norte de muitos artistas, como Karol Conka. Na abertura do BS Festival, festival de inovação e criatividade que aconteceu neste final de semana em Porto Alegre, a rapper curitibana compartilhou a sua experiência e conversou com exclusividade com o GeraçãoE sobre o assunto.
Aos 33 anos, a inspiração para as suas músicas, que versam sobre empoderamento feminino, surgiu na infância, quando começou a perceber a importância de acolher as diferenças. “Sempre tive amigos diversos e sempre fui muito observadora. Percebia que uma das coisas que mais deixava a mim e as minhas amigas frustradas era o problema da aceitação, de querer agradar a todos. Pensava nisso ainda muito pequena e, quanto comecei a escrever música, notei que poderia falar sobre aquelas coisas, levar uma palavra de conforto para alguém através de melodia”, expõe. 
A rapper acredita empreender em uma carreira musical é similar a outras áreas. No entanto, para ela, os artistas concentram a sua atenção majoritariamente na música e não desenvolvem habilidades de gestão de negócio. “Quando comecei a transitar no meio artístico, percebi que a maioria dos artistas não tem muito conhecimento da parte burocrática. Estamos no mundo da melodia, mas é muito importante ter essa noção, saber como o dinheiro entra, de que maneira você está gastando ele. E é um tipo de informação que não chega para a gente. Não estudamos economia na escola, não se passa isso na infância. A gente devia aprender isso desde criança para quando a fama chegar, o dinheiro chegar, sabermos administrar de uma maneira madura”, pondera.
Com inúmeros hits na carreira e números expressivos de engajamento (o clipe da música Tombei, de 2015, soma mais de 27 milhões de reproduções no YouTube), Karol acredita que a música tem o poder de amplificar a discussão de temas como a diversidade de uma forma orgânica. “Quando escutamos muito uma música, porque tem uma melodia boa, ela funciona como uma oração. Você leva informação através da diversão.” Os temas que fazem parte das composições nascem das suas próprias vivências. “Me inspiro muito na minha rotina, no cotidiano, nas histórias das pessoas que estão ao meu redor. Sempre procuro trabalhar de uma forma reflexiva. Música tem que, de alguma forma, trazer reflexão”, complementa.
Além de discutir a diversidade em suas letras, o assunto permeia, ainda, as decisões de sua carreira. “Gosto muito de trabalhar com marcas que se importam com a diversidade, que tem essa empatia. Não sou uma pessoa que segrega, eu gosto realmente da diversidade, então na minha equipe tem homem, mulher, gay, lésbica e está tudo certo.”
Com oito anos de carreira, Karol montou, recentemente, um estúdio musical para trabalhar. O espaço reúne toda a sua equipe, desde a parte musical, passando pela moda, até a parte comercial e administrativa. “Estou muito feliz porque decorei do meu jeito e fico lá fazendo música. Tenho planos de lançar mais um disco, clipes e um programa.” A ideia do espaço é que, no futuro, possa virar um selo de gravação comandado pela própria Karol. “Estou nessa caminhada. Tem um escritório embaixo onde funciona essa parte burocrática e em cima, moda e música. E é muito legal que eu chego lá e as pessoas estão sempre no meu universo. Por enquanto estou cuidando só de mim, mas tenho desejo de, mais para frente, administrar a carreira, ajudar, servir de apoio para outros artistas.”
Citando Oprah Winfrey e Elza Soares como as suas inspirações de diversidade, ela acredita que o futuro é próspero quando se pensa nesse tópico. "As pessoas estão entendendo que não é mimimi falar de diversidade. É uma zona de conforto para todo mundo se aceitar, aceitar a diferença do próximo. Trabalhando a empatia, vamos chegar em um lugar bem bonito."
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