Maternidade, pressão social, machismo são apenas algumas das barreiras que a gente enfrenta. Maternidade, pressão social, machismo são apenas algumas das barreiras que a gente enfrenta. Foto: Arquivo Pessoal/divulgação/JC

Consumo afetivo

Cresci olhando o mundo de baixo para cima. Mais precisamente sentadinha no chão dos provadores que a minha mãe adorava frequentar. Num tempo em que shopping centers não existiam, eram nas lojas de rua de Porto Alegre e nas viagens que essas experiências inesquecíveis aconteciam. Eu realmente detestava aquela função. Já minha mãe adorava. Apaixonada por moda, era daquelas que pesquisava, garimpava e consumia. Como pagava as próprias contas, escolhia o que comprar com a responsabilidade de quem sabe o quanto custa para ganhar, mas sem drama. Lá nos anos 1970, quando eu não respondia por mim, era pelos hábitos da minha mãe que ia crescendo e entendendo o mundo e o consumo. E mesmo não gostando da espera, fui me apaixonando pelas tendências e pela liberdade da independência financeira. Entendi também que para ter, eu precisava fazer. Sendo assim, desde sempre o trabalho e a carreira estiveram no centro das minhas prioridades. Comecei cedo, com a ingenuidade de quem quer conquistar o mundo, apaixonada pela minha profissão. 
Passados os anos, e depois de quase 30 deles trabalhando, entendi que não basta fazer bem e gostar do que se faz. Ser mulher e profissional tem muitas nuances. A começar no mercado de trabalho. Somos a maioria da população no Brasil, vivemos mais, temos mais educação formal e ocupamos 44% das vagas de emprego registradas no País. Por que, então, fazer a diferença entre os gêneros? Ganhamos menos e o número de mulheres desempregadas é 29% maior que o de homens. Tem a ver com confiabilidade, sabe? Maternidade, pressão social, machismo são apenas algumas das barreiras que a gente enfrenta.
Voltando ao consumo, os números da nossa representatividade deveriam ser levados em consideração. Se a gente é quem decide o que vai comprar em casa, não deveriam prestar mais atenção nas mulheres? Com mais grana, gastaríamos mais, certo? Talvez não. O mundo está diferente. Precisamos menos. O grande lance, agora, é o consumo consciente, sustentável e autêntico. Precisamos de simplicidade e de empatia. Quanto mais cedo as marcas nos entenderem, mais fácil tocarão o nosso coração. A licença poética que deixei na infância da filha que queria usar as roupas e as maquiagens da mãe, hoje deu lugar para a mulher que sonha apenas em um mundo mais igual, onde se possa decidir ser e consumir como quiser.
Em parceria com a ESPM-Sul, o GeraçãoE realizou uma pesquisa que traça o perfil da mulher consumidora. Você pode conferir o conteúdo completo clicando aqui.
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