Gelson Muniz trabalha no ramo há mais de 30 anos Gelson Muniz trabalha no ramo há mais de 30 anos Foto: MARCO QUINTANA/JC

Barbearias do Centro Histórico mantêm tradição como ferramenta de negócio

Há décadas na mesma região, barbeiros acreditam em clima de cumplicidade apesar do mercado competitivo

Vizinhos na rua General Câmara, a famosa "Rua da Ladeira", o Salão Fígaro e a Santos & Cia. Cabelo e Estética são concorrentes amigáveis. Ambos os empreendimentos possuem profissionais que atuam no ramo há décadas.
"Eu estou aqui há uns 30 anos. Desses, 13 como proprietário. O resto do tempo nos salões da volta. Está tudo bem, estamos trabalhando. Realmente aumentou muito o número de barbearias nos últimos anos. Acho que deve ser questão do desemprego, de recessão. Pensar em botar um comércio é uma saída. Sei que são muitas na cidade, mas não sei se atrapalha", pondera o proprietário da Santos & Cia., Vilmar Santos.
Tantos anos fazendo o mesmo e, de repente, estar em um mercado inflacionado não fez com que Vilmar perdesse o amor pelo negócio, nem mesmo cogitasse mudar de ramo. "É o que eu sei fazer, o que eu gosto de fazer. Não teria problema em investir de novo. Há 30 anos atrás não era assim, claro, mas sempre tem espaço para quem trabalha direitinho", explica.
MARCO QUINTANA/JC
Sobre a relação com a concorrência das barbearias de seu entorno, Vilmar fala com tranquilidade que o clima é de harmonia. "Todos se dão bem, todos se conhecem. Não estamos toda hora lá e eles não toda hora aqui, mas todos se conhecem, todos se cumprimentam. Até porque tu não sabe o dia de amanhã", acredita Vilmar.
Esta visão é compartilhada pelo barbeiro e supervisor do Salão Fígaro, Gelson Muniz, o Deco. "Todos os barbeiros se dão bem. Se tu sai de uma casa, tem emprego na outra. Não pode ter inimizade com ninguém se tu quer sempre trabalhar. Apesar que dificilmente um barbeiro sai dessa casa aqui. Entrar alguém aqui é sinônimo ou de alguma aposentadoria ou de alguém abandonar a profissão", conta.
Há 36 anos no mercado, Deco explica também que mesmo com o setor em constante avanço, o movimento não mudou para os salões clássicos. Ele justifica o fato pelo tempo de carreira. "Os que estão surgindo expandiram bastante, mas os tradicionais não sentiram o avanço desse modismo. São profissionais de 30 anos de mercado, compreende? Tem colega que trabalha há 48 anos na mesma cadeira."
Deco fala com orgulho sobre a história do Salão Fígaro. "Tem mais de 70 anos. É o salão mais tradicional do Centro Histórico. É uma casa formidável. Colegas muito bons. Não tem briga, nós nos tratamos como irmãos. É até meio colono o sistema. Um corta o cabelo do outro", diverte-se.
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Tanto na Santos & Cia. Cabelo e Estética, quanto no Salão Fígaro, os clientes encontram um clima familiar. Crianças com o uniforme dos colégios situados no Centro Histórico, acompanhados de familiares de mais idade, formam um público que é um verdadeiro encontro de gerações.
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