Entrevista com os criadores da Olimpo, maior produtora de RAP do Rio Grande do sul.
Na foto: e/d: Keni Martins, Julio Romani e Guilherme Camerini Keni, Júlio e Guilherme já promoveram 24 edições da atividade Foto: MARCO QUINTANA/JC

Jovens de Porto Alegre empreendem no hip-hop e criam festival de rap

A ideia é expandir o negócio para o resto do Brasil, começando por Santa Catarina

A New Island Grupo de Entretenimento concretizou inúmeras festas adolescentes em Porto Alegre na última década. A produtora, criada por Keni Martins, quando ele tinha 18 anos, junto a seus sócios, teve ascensão seguida de uma queda repentina. Para Keni, isso serviu como combustível para iniciar uma nova jornada: a TriRap/Olimpo Produções, organizadora do Rap In Cena, o autointitulado maior festival de rap do Sul do País, que ocorreu no mês passado, no Pepsi on Stage. O evento mostra que o estilo musical pode ser muito mais que arte, mas uma fonte de renda para toda uma comunidade. 
TriRap e Olimpo são duas segmentações de uma mesma equipe. A primeira dá nome aos eventos de âmbito local e a segunda, âmbito nacional. De 2013 para cá, foram 24 eventos realizados, público de 49 mil pessoas, além de 20 mil toneladas de alimentos distribuídos em cerca de 10 instituições de caridade. 
ARIEL FREITAS/DIVULGAÇÃO/JC
 Foto de Ariel Freitas durante o festival de junho
O desejo de “viver do Rap” é bem comum em contextos de ambientes periféricos. Encontrar outras formas que não sejam só as óbvias foi preponderante para a Olimpo virar uma atividade profissional. “Chegou um ponto que eu tive que escolher entre fazer arte e ser empreendedor. Dá pra brincar em qual o maior risco. Eu escolhi o que era mais seguro, o que digamos, senti mais firmeza”, afirma Keni.
O hip-hop possui quatro elementos, sendo um deles o rap, que sempre teve a função de dar voz aos menos favorecidos socialmente e às causas militantes. “Me cerquei de pessoas como a Mariana Marmontel, ela é tipo nossos olhos na rua, bem atuante, está sempre nas rodas de batalha e poesia. Ela bate forte na temática racial, mas também em outros pontos de fortalecimento. É importante ter essa representatividade em todos os pontos. Seja por etnia, gênero ou opção sexual”, aponta Keni.
Ainda sobre o movimento, Keni define o que representa. “O hip-hop é uma libertação de espírito, é mais do que cultura, mais do que um gênero musical através do rap. É a forma na qual a gente ainda tem a possibilidade de melhorar e evoluir a humanidade. Seja em aceitação ou em estender a mão para o próximo. É a coletividade que é ensinada através de muitos pontos dentro do movimento. Isso é muito importante. Uma honra contribuir.”
ARIEL FREITAS/DIVULGAÇÃO/JC
Os planos futuros da Olimpo são audaciosos. Os três sócios manifestam a vontade de expandir para todo território nacional e até internacionalmente o conceito “Rap In Cena”. O primeiro passo foi dado. Santa Catarina já deve receber alguns eventos da produtora que servirão como um “preparo de campo” para o festival, que deve ocorrer no estado pela primeira vez no início de 2020.
O cenário para evolução é positivo, segundo Keni. “Nos intitulamos o maior da Região Sul porque somos realmente. Ninguém faz o que a gente faz só com o rap. É só olhar os números. Se esperarmos alguém nos dar esse título, vamos morrer esperando porque as mídias tradicionais não dão a atenção necessária ao hip-hop. Se funcionou aqui, onde tudo é difícil, vai funcionar nos outros estados. Aí, então, seremos o maior festival de rap do Brasil”, espera.
Junto a Keni, Júlio Romani e Guilherme Camerini comandam a produtora. Guilherme e Júlio cuidam do marketing,enquanto Keni fica com a logística geral.
A trajetória
Keni era lutador de boxe olímpico. Foi campeão estadual três vezes, nacional duas e representava o S.C Internacional. Quando largou o esporte, conta que não esperava o enredo que a vida tomou. “Eu vivia uma vida ‘normal’, fazendo Técnico de Administração, estagiando, essas coisas. De repente, veio a ideia de ‘bora fazer uma festinha?’. Só que não era com intuito de ganhar dinheiro. Mas a repercussão foi tão boa, e, ao mesmo tempo, a gente ganhou R$ 8 mil naquela ‘brincadeira’. Aí não tinha o que fazer a não ser seguir. Logo em seguida veio o primeiro prejuízo, que foi de R$ 12 mil. Deu para ver o que era empreender e que eu ia ter que persistir”, conta Keni.
Sobre as dificuldades que teve nos investimentos, Keni abre o jogo. “Tivemos momentos de alta e momentos de prejuízos que assustaram. Para o empreendedorismo é essencial saber passar por isso. Me atirei de paraquedas em algo que eu não sabia fazer, mas aprendi fazendo. Obviamente algumas coisas iam dar errado no percurso e é aí que a mentalidade tem que ser forte. Torramos o dinheiro, fizemos o que não era para fazer. Comecei com 18 anos e entendo que precisei cair para voltar realmente bem mais forte com o projeto. Não me arrependo de nada. Tanto que eu pensei ‘se eu fiz uma vez, eu posso fazer de novo’. E está aí tudo que virou.”
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