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Matéria com o engenheiro musical da AudioPorto gravadora/produtora musical
na foto: Rafael Hauck Rafael Hauck sempre gostou de música, e buscou inspiração na Inglaterra Foto: MARCELO G. RIBEIRO/JC

Conheça o estúdio musical de Porto Alegre que é considerado um dos melhores do País

Mais de R$ 8 milhões já foram investidos no local, que coleciona histórias em menos de três anos de atividade

Até onde se vai por uma paixão? O quanto se espera? Rafael Hauck, 37 anos, foi longe e esperou bastante. A coleção de instrumentos e equipamentos musicais do CEO da Audio Porto, estúdio musical de Porto Alegre, iniciou em 2008 e foi finalizada em 2016. A história de amor homem-máquina fica evidente desde a decoração na sala de entrada, que conta com aparelhos de som cinquentenários até os instrumentos vintages majoritariamente buscados na Europa - e que são utilizados nas produções. Atual campeã do Prêmio Profissionais da Música na categoria Estúdio de Gravação e Mixagem, a Audio Porto é tida por muitos produtores como o melhor estúdio musical do País, e um dos melhores do mundo. 
Geoff Emerick (ex-engenheiro dos Beatles) e Moogie Canazio (Grammy Awards de 2000 na categoria Best World Music Album, por João Voz e Violão, de João Gilberto) citaram a gravadora como uma das que mais gostaram de trabalhar na vida, segundo Rafael. Se o empreendimento foi especial para clientes, para os administradores é ainda mais. Tanto que cada equipamento tem uma história.
“São diversas, curiosas. Teve uma vez que compramos um microfone e não curtimos o resultado que ele entregou, então eu decidi comprar uma coleção com um preço mais garantido. Acabamos recebendo com surpresa um conjunto de microfones da Britannia Row, que foram utilizados pelo Pink Floyd em The Wall e Animals. Com os pianos e outros equipamentos, já gravaram Raul Seixas e Zezé Di Camargo”, conta Rafael.
MARCELO G. RIBEIRO/JC
Antes disso, um processo de pesquisa e imersão cultural foi a base para o empreendedor chegar em resultados que o satisfizessem. “Morei três anos em Londres. Foram três anos pesquisando na internet e visitando lojas especializadas em equipamentos vintage. Nos últimos meses, estagiei em uma gravadora de lá que me fez imergir no tema. Percebi que a manutenção desses equipamentos era complicada, mas não impossível. Me joguei de cabeça”, diz. 
“Trazer produtores, pessoas de fora para workshops aqui dentro, como foi o caso do Geoff Emerick, ex-engenheiro de som dos Beatles, que pôde encontrar em Porto Alegre as ferramentas necessárias pra fazer esses workshops e demonstrar técnicas com microfones valvulados, microfones de fita, entre outros elementos que ele usou para gravar nomes que ficaram marcados na história. A Audio Porto é empoderamento técnico no âmbito musical da cidade”, explica Rafael, sobre alguns feitos e objetivos da gravadora.
“Outra coisa que queremos fazer em relação a essa educação musical é popularizar um pouco mais a informação. Um workshop com o Geoff Emerick não era barato. A tentativa é projetar captação com empresários ou organizações que queiram ajudar a subsidiar, por exemplo, uma imersão sobre produção musical de 10 dias a preços realmente muito baixos, inclusive fazendo links com algumas entidades que a gente já apoia, para trazer alunos gratuitamente também”, complementa.
Entendendo a importância de outros trabalhos sonoros como spots publicitários e games, Rafael percebe no mercado diversas possibilidades. Explicando a riqueza do som com um olhar apaixonado, revela que “é muito mais do que só holofote". "Existe um conceito por trás, existe um trabalho, um preparo, anos. Eu poderia ter feito diferente, empreender de casa, no Brasil se vive de juros. Mas aí eu não estaria trabalhando nessas trilhas, com essas pessoas. Sem falar que são os bastidores que possibilitam os holofotes e talvez o cara que busca só esse holofote seja quem está menos ganhando no processo. Muitos se confundem com o que é nossa indústria.”
MARCELO G. RIBEIRO/JC
Atento às mudanças de mercado como o uso do blockchain não só para criptomoedas, mas também para contratos, Rafael vive o paralelo entre passado e futuro diariamente. “Buscamos soluções inovadoras em nosso cotidiano, acompanhamos as tendências. Em contrapartida, nossos equipamentos são clássicos em um tempo que música é feita só com plug-in, mecanizando quase tudo. O processo de fazer música é ‘anterior à Terra’. Música é relação matemática e essas relações são encontradas no universo em, por exemplo, estrelas pulsares que batem em terças e quintas. A gente só leu o que estava aí já e é uma responsabilidade seguir”, argumenta.
A coleção de microfones da Audio Porto já trouxe até a cantora Anitta. "A Warner fez mistério até o final. Só nos disseram que era uma artista que havia gravado recentemente em Los Angeles com determinado microfone e que esse tinha se tornado o padrão dela. Imaginávamos que era a Anitta, mas não tínhamos certeza. Quando ela chegou não foi exatamente uma surpresa, mas deu uma sensação boa. Fizemos o atendimento como estamos acostumados. O nosso padrão é atender bem. Foi uma troca bem interessante.” 
A Audio Porto fica na Fábrica do Futuro, um espaço que está sendo revitalizado após sediar por muitos anos um negócio tradicional de Porto Alegre, a Wanda Hauck Decorações de Natal. Fundada em 1942, a “Fábrica de Bolinhas”, como se popularizou, hoje deu lugar a um ecossistema de inovação que contribui para a revitalização do 4º Distrito. Rafael foi longe pela paixão à música e trouxe tudo isso para bem pertinho.
MARCELO G. RIBEIRO/JC
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