Patrícia Pedrotti lançou a moda em Bento Gonçalves e, agora, registra vendas em todo o Brasil e no exterior Patrícia Pedrotti lançou a moda em Bento Gonçalves e, agora, registra vendas em todo o Brasil e no exterior Foto: FRANCIELE DE CARLI/DIVULGAÇÃO/JC

Vinho é usado na produção de joias na Serra

Cristais de ácido tartárico substituem pedras preciosas

Mais de seis décadas depois, é preciso discordar da personagem de Marilyn Monroe no clássico filme Os Homens preferem as loiras, que declarava que os diamantes são os melhores amigos de uma garota. A pedra, menina dos olhos de tradicionais marcas, como Cartier e Tiffany's, vem encontrando curiosas concorrências. A Enojoias, de Bento Gonçalves, por exemplo, substitui gemas preciosas por cristais de vinho.
A empreendedora Patrícia Pedrotti, responsável pelo negócio, cursava design e desejava criar algo relacionado à uva. Filha de viticultor, ela cresceu em meio às vinhas do distrito de Tuiuty. Depois de uma década, veio o insight. "Vou desenvolver joias com os cristais de ácido tartárico, a chamada 'gruppola' aqui no Interior", recorda. 
Enojoias/Divulgação/JC
No início, as peças foram elaboradas para uma exposição. Em seguida, a Cooperativa Vinícola Aurora, da qual a família Pedrotti faz parte, abraçou a ideia e solicitou que ela confeccionasse brincos em prata para as recepcionistas. No início de abril, a corte eleita da Fenavinho ganhou adornos assinados pelo atelier.
Apelidados por Patrícia de "diamantes do vinho", os cristais são formados através da precipitação de ácido tartárico e potássio, presentes tanto nas uvas brancas quanto tintas. Quando na presença de baixa temperatura, esses elementos reagem entre si, formando o material.
A produção é dividida em etapas. O desenho, a modelagem 3D em Rhinoceros e a impressão 3D são próprios, já a parte da fundição de metal é terceirizada em Guaporé. "Os cristais são retirados das pipas durante a limpeza e entregues em diversos formatos, nas colorações vinho branco, vinho rose e vinho tinto", explica. Patrícia finaliza o processo com o corte artesanal, conforme o protótipo. "Como os cristais são irregulares, nenhuma peça é igual a outra, tornando assim cada joia única", destaca.
As peças são folheadas a ouro rosé e prata e custam de R$ 72,00 a R$ 320,00. Os itens são feitos sob encomenda, mas alguns ficam expostos em vinícolas, contabilizando uma média de 15 joias vendidas por mês. "Fui questionada para aumentar a produção e ter mais pontos de venda, mas acredito que expandir muito sai do meu foco de produzir e acompanhar todo o processo", pontua. A designer relata que vende para todo o Brasil e também para o exterior. "O público consumidor é formado, em sua maioria, por enólogos e enófilos", conta. Além da Enojoias, Patrícia é sócia-proprietária da Blu 3D, uma empresa de design 3D, onde trabalha com o desenvolvimento de peças para terceiros, com foco comercial.
Enojoias/Divulgação/JC
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