Entrevista com Amanda Vargas (E), Guta Vargas e Fernanda Roehrs, criadoras do Bloco das Gaúchas. Amanda, Guta e Fernanda, sócias do Bloco das Gaúchas, vão levar 600 meninas ao Rio de Janeiro Foto: MARCELO G. RIBEIRO/JC

Como a presença de gaúchas no Carnaval do Rio virou um negócio

O Bloco das Gaúchas se profissionaliza e conquista espaço nas festas cariocas

Algumas empreendedoras de Porto Alegre estão contradizendo o ditado de que o ano só começa depois do Carnaval. Isso porque, para elas, o período que antecede a folia é justamente a época de ouro. Se, como cantou Caetano Veloso, "atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu", nos negócios, não é diferente. A brincadeira propicia o surgimento de diversas oportunidades.
Foi nesse contexto de festa que surgiu o Bloco das Gaúchas, em 2015. A iniciativa era, em um primeiro momento, uma maneira de juntar amigas para passar o Carnaval no Rio de Janeiro. Amanda Vargas, de 26 anos, estava indo à Cidade Maravilhosa e sugeriu para a amiga - e, agora, sócia - Fernanda Roehrs, 29, que criassem uma camiseta para unir as meninas que iam para o mesmo destino. "O coletivo surgiu por perceber que muitas gaúchas já iam para o Rio de maneira não organizada. As informações do que seria o melhor da programação eram desencontradas. Naquele ano, o meu orçamento era baixíssimo, e iniciar o bloco acabou me unindo às meninas e ir nos lugares certos", conta Amanda, que concilia a empreitada com a carreira como advogada.
No primeiro ano, 65 gaúchas participaram do coletivo, mas foi em 2017 que o projeto virou negócio. No terceiro Carnaval do grupo, uma publicação no Instagram viralizou e acabou fazendo com que repensassem os caminhos. "A gente teve a infeliz (ou feliz!) ideia de postar a foto contando sobre um encontro do bloco. Na legenda, tinha o número de participantes. Isso se tornou um viral no Rio de Janeiro. Eram milhares de pessoas seguindo o bloco, e disseminou para um público que não era o nosso. Ficamos com medo de colocar em risco a segurança das participantes. Isso fez a gente, enquanto marca, se fechar totalmente", relata Amanda. Mas o evento aconteceu e foi um sucesso. A partir daí, foi hora de sentar e encarar o que, até então, era diversão como trabalho. A publicitária Guta Vargas, 25, também sócia do bloco e responsável pela comunicação, conta que adotaram, então, novas estratégias. "Passamos a ter uma comunicação voltada para as meninas, porque somos o nosso público." Como as três sócias atuam em outras áreas, esse passo definiu novos rumos.
"Estava muito cansativo passar as férias inteiras nisso. Nunca paramos de aperfeiçoar a experiência para quem estava indo. Não conhecíamos fornecedores, era muito trabalhoso. Até que alguns empresários, que se tornaram nossos mentores, falaram que não tinha por que a gente não rentabilizar. Eles nos fizeram desenhar nosso negócio e entender as possibilidades", relata Amanda.
MARCELO G. RIBEIRO/JC
Em 2019, no seu quinto Carnaval, as sócias devem levar mais de 600 gaúchas para o Rio de Janeiro. Para capitalizar o projeto, elas buscaram algumas alternativas, como uma loja on-line com produtos que levam a marca do Bloco das Gaúchas e duas festas próprias durante os dias de Carnaval. Além disso, são mais de 40 eventos comissionados durante a estadia na capital fluminense, com porcentagem por cliente que levam. Outra forma de divulgar o trabalho do bloco foi com o grupo de DJs, o BG DJ Crew. "Já tocamos no Camarote Allegria, na Sapucaí, e vamos tocar novamente neste ano. Passamos por Punta del Este, Maracanã, Planeta Atlântida. Em 2018, fomos 20 vezes para o Rio de Janeiro para tocar", conta Guta, que, além de sócia, faz parte da trinca de DJs, junto com Mariana Krüger e Ana Carolina Brasil.
DIVULGAÇÃO/JC
Para participar do Bloco das Gaúchas é preciso comprar um kit, que varia de R$ 220,00 a R$ 300,00, dependendo do lote, e que conta com camiseta, copo, adesivo, tatuagens temporárias, produtos dos parceiros do projeto e também isenção para três festas. Priorizando trabalhar com fornecedoras mulheres, esse é um tema recorrente entre as sócias, que afirmam que a união entre as gurias é a essência da iniciativa. Para a dentista Fernanda, quando o bloco começou, as pessoas olhavam de maneira distorcida. "No início, todo mundo levava para o lado da vulgaridade, mas a gente sempre impôs que não era esse o nosso objetivo. É tu ires para um lugar e não se sentir sozinha."
"É um movimento encorajador. A gente enfrenta o machismo frente a frente. Atuamos em um meio muito fechado e muito masculino, e, mesmo assim, conseguimos ser vistas e usar o nosso projeto como uma ferramenta de diálogo", entende Amanda. Com o crescimento do número de participantes, a diversidade de ideias e estilos de vida também aumentou e é isso o que mais encanta Guta no projeto. “No bloco convivemos com diferentes entendimentos de feminismo e encontramos um denominador comum em um momento em que a empatia e sororidade superam essas barreiras entre as meninas. No Carnaval, as pessoas estão mais abertas, mais alegres, então elas julgam menos, conhecem outras realidades. Esperamos o ano inteiro para vivenciar isso e tudo faz sentido.”
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Comentários ( 2 )
  1. Francisco

    O bloco das mulheres mais lindas do mundo , as nossas musas gaúchas! Venham desfilar em Atlântida também! Sejam as pioneiras do carnaval de rua do Litoral Norte gaúcho, por que não?

  2. Johnny

    Acho que....é melhor nem dizer.

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