Para atuar nos Estados Unidos, João David e Luis Mazoni rebatizaram a SocialCondo para Townsq O cofundador da Townsq, João David ao lado do Luis Mazoni Foto: LUIZA PRADO/JC

O processo de internacionalizar uma marca

João David é cofundador da Townsq, plataforma de gerenciamento de condomínios

A Townsq é uma plataforma de gerenciamento de condomínios criada no Brasil em 2013. Na metade de 2017, a startup aumentou de porte e precisou trocar de nome para se qualificar no processo de internacionalização. Com essa expansão, a empresa integrou, entre outras coisas, a possibilidade de  estágios entre funcionários de outros países. Além disso, atualmente, a marca já atende a mais de 100 mil lares brasileiros e, com a operação do Estados Unidos, já bate a marca de 1,4 milhões. Nesta entrevista, João David, 29 anos, cofundador da Townsq (antigo SocialCondo), fala sobre como surgiu a oportunidade de atingir o mercado norte-americano e sobre a contribuição que funcionários estrangeiros dão ao negócio.
GeraçãoE - Como aconteceu o processo de internacionalização da empresa?
João David - No final de 2016, conversamos com diversos investidores, tanto no Brasil quanto em nível mundial. No final do ano, fechamos uma rodada de investimento nos Estados Unidos. E, com isso, foram abertas algumas portas lá. Entre elas, uma parceria com a Associa, que é a maior administradora de condomínios do mundo. Assim, pegamos a nossa solução, integramos ao sistema dela e disponibilizamos para toda base de clientes. Em 2017 e 2018, passamos bastante focados em fazer essa operação funcionar. Porém, tivemos que mudar o nome, que, apesar de ser bom no Brasil, remetia a apenas um tipo de público que atendemos. No Brasil, quando falamos em condomínios, pensamos em prédios verticais e condomínios fechados. Lá, nos Estados Unidos, existe um conceito mais abrangente que chama homeowners association (associação de moradores), que pode ser composta por um prédio ou pode ser em um bairro, que paga uma taxa específica que serve para melhorar tanto nossas casas como o bairro em si. Sem necessariamente ser fechado. Condo é apenas um tipo estrutural de associação de moradores, então, nos limitaríamos pelo nome. É um processo bem exaustivo, porque tem que encontrar um nome que faça sentido e tem que ter disponibilidade de marca e trade marketing. Chegamos ao Townsq, abreviatura de Townsquare. No Brasil temos um pouco de dificuldade, mas nos Estados Unidos já se lê o nome naturalmente. Não existe uma tradução literal, mas Townsquare é aquele centro da cidadezinha ou uma praça, é o coração de uma comunidade, onde as pessoas vão para confraternizar. Como a nossa plataforma é justamente o local que as pessoas buscam para falar sobre suas casas, ou procurar um produto o serviço que precisam, o nome cai bem.
GeraçãoE - Fala sobre as dificuldades de entrar em uma nova praça. Como é trocar o nome da marca até se estabelecer forte como o anterior?
João - Como não existíamos, até então, nos Estados Unidos, não tivemos um retrabalho. Foi apenas o desafio operacional de escalar o negócio, o que é natural. Felizmente, pudemos contar com um primeiro super cliente e parceiro de negócios, que nos deu bastante volume e visibilidade. No Brasil, a gente sofreu um pouco, porque já era uma marca conhecida no ramo e além disso, o nome era fácil. Agora mudamos para uma palavra que as pessoas ainda têm dificuldade de pronunciar. Existem outras marcas que não têm um nome tão simples, como Airbnb, então entendemos que é um processo de educação do mercado e estamos trabalhando nisso. Mas certamente penamos um pouco com isso, inclusive, algumas pessoas nos chamam de antigo SocialCondo. E agora é trabalhar para reforçar essa marca no Brasil também. No meio deste ano, faz dois anos que fizemos esse movimento. Só que quando o fizemos já estávamos há três anos com a outra marca, então temos esse retrabalho, mas é por uma boa causa.
GeraçãoE - Como funcionários estrangeiros contribuem para a empresa?
João - Apostamos bastante em características pessoais, que vale muito ser diverso no aspecto cultural e tem características pessoais que não gostamos, porque basicamente vão contra a cultura da empresa. Por exemplo, se falarmos que temos uma cultura de high performance e de fazer o certo e não o conveniente, de pessoas que pensam grande e que são proativas, que não vêem problemas em assumir algum risco, só queremos pessoas que pensem dessa forma. Quanto a isso, não queremos diversidade de pensamento, porque isso forma a cultura da empresa. Fora desse aspecto, apostamos muito em diversidade, em pessoas que pensam de forma diferente. Ter um grupo que externamente parece diverso, mas pensa igual, você não tem diversidade. Acho que a diversidade mais importante é a do que aspecto de pensar de forma diferente, mais do que o aspecto visual ou físico da pessoa. Quando há diversidade de pensamento, você consegue ter discussões mais profundas e daí gera mais valor. Isso agrega bastante.
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