Projeto Du 99. Casa Camaleão
na foto: Juliana Rizzieri e Aline Fuhrmeister Aline com Juliana, da casa do Projeto Camelão Foto: CLAITON DORNELLES /JC

Arquiteta organiza mutirões para reformar locais gratuitamente

A poucos dias do Natal, conheça um negócio que gera impacto social

Apenas 1% da população tem acesso a um projeto de arquitetura. Após ouvir esse dado em um curso, a arquiteta Aline Fuhrmeister criou o projeto DU99, que realiza mutirões solidários para reformar lugares gratuitamente. O desperdício de materiais durante uma obra é muito grande e isso fez Aline repensar o destino daquilo que sobrava. "A gente reforma um apartamento novo e troca o vaso, a pia, o piso. Acaba indo para o lixo materiais nunca usados", conta Aline.
A arquiteta começou a guardar os materiais que sobravam para usá-los em reformas sociais. "Consigo fazer uma ação social, usar a arquitetura e acabar com o desperdício."
Há três anos à frente do projeto, Aline já reformou sete lugares, como escolas e lar de idosos. A escolha do lugar é sempre baseada no número de pessoas beneficiadas com a reforma: quanto mais pessoas forem atingidas, melhor. A casa do Projeto Camaleão, Organização Não Governamental (ONG) que tem como objetivo reforçar a autoestima dos pacientes com câncer e também a reinserção social das pessoas diagnosticadas com a doença, foi beneficiada. O projeto, que funcionava de forma virtual desde 2014, conquistou seu espaço físico em 2016, mas não estava em boas condições para receber os pacientes. Em dois mutirões, um com 30 e outro com 50 voluntários, o ambiente ganhou forma e hoje abriga salas de terapia, artesanato, maquiagem e customização de lenços, brechó e um café. "Eu queria envolver as pessoas para que doassem seu tempo fazendo aquilo que sabem. Como a reforma é feita em um dia, a chance de ter mais voluntários é maior", explica.
CLAITON DORNELLES /JC
Além das sobras de trabalhos próprios, Aline conta com a doação de materiais de outros arquitetos e com a parceria de diversas lojas. As reformas não são pesadas em função do tempo, mas mudam a vida de quem frequenta o local. "Reformamos uma escola em que os banheiros não tinham portas. É o mínimo de dignidade e, em um dia, é possível devolver isso para as pessoas."
Além do projeto social, Aline também tem o seu escritório comercial. Para ela, a principal transformação que o DU99 trouxe foi a maneira de olhar para os materiais. "Não mudou a vida do meu escritório ter esse projeto, mas mudou a mim como pessoa. Hoje me preocupo mais com o que eu vou usar, de onde vem o produto, para onde vai", aponta.
Arquivo Pessoal/Divulgação/JC
>> Esta reportagem faz parte da matéria de capa desta quinta-feira, que, inspirada no espírito de Natal, tratará sobre ações sociais.
Compartilhe
Comentários ( 2 )
  1. Alfredo Duarte Cunha e Silva

    Boa tarde... Lindo trabalho... Se precisar de ajuda tenho tempo para contribuir com a sua ação. Abraço.

  2. Jorge Alberto dos Santos

    Bom dia à. equipe do Jornal do Comércio, pela excelente reportagem deste projeto arquitetônico social. Também sou contra o desperdício. Vê-se muita sucata em papa-entulho que poderia ser aproveitada. Eu aproveito muita sucata nas minhas reformas. Sds, Técnico em manutenção de aeronaves. CREA-RS 71298

Publicidade
Texto relacionados
Mostre seu Negócio