A arte de Renam, além de trabalhar para marcas, tem papel social A arte de Renam, além de trabalhar para marcas, tem papel social Foto: MARIANA CARLESSO/JC

Arquiteto lidera coletivo de grafiteiros e muralistas

Negócio tem como proposta principal revitalizar e ressignificar, através da pintura, espaços ociosos da cidade

Não contente em se ater a projetos para espaços internos, o arquiteto Renam Canzi, de 30 anos, criou o Casulo Estratégico, um coletivo formado por uma rede de grafiteiros e muralistas. O norteador é transformar a cidade em um espaço mais ativo. "A vibe é revitalizar e ressignificar espaços ociosos da cidade", explana.
Natural de Garibaldi, Renam é formado em Arquitetura e Urbanismo há quatro anos. Nos dois últimos semestres da graduação, durante o intercâmbio nos Estados Unidos, cursou algumas disciplinas de Artes Visuais. Lá, concebeu a ideia do empreendimento. "Vi que não conseguiria ficar só fazendo projetos", lembra. Apesar de não ser exatamente na área em que cursou, Renam garante que os conhecimentos adquiridos durante a graduação são um diferencial. "Uso muita coisa que eu aprendi na faculdade, na questão de urbanismo e composição", exemplifica.
No início, o Casulo trabalhava com imagens em computador. "Entendi que eu queria o Casulo fosse mais uma iniciativa de intervenção urbana, quando percebi que trabalhar só com arquitetura não estava me suprindo", rememora.
Assim, hoje, Renam pinta em estabelecimentos comerciais, academias, residenciais, mas enfatiza que prima por trabalhos em áreas externas. "Todo mundo pode ser contatado pela arte que está na rua, pega as pessoas desprevenidas", justifica. Entretanto, se diz receptivo a trabalhar com trabalhos para interiores. "A ideia é estar sempre abertos a novos projetos, novos espaços urbanos e comerciais", entusiasma-se.
E se diz ciente com o cuidado que deve ter ao trabalhar com a rua. "Estou pintando em uma tela que é urbana, que tem referências ao redor que já dizem algumas coisas, contexto", entende.
O Casulo é formado por uma rede de mais dez artistas - em suma, LGBTIs -, que convoca conforme a proposta. Para Renam, isso também contribui para o papel social do coletivo. "Quase todos os projetos tem como tema central a questão de reafirmar corpos que não são tidos como padrão", afirma. Ele aborda a temática criando criaturas híbridas ou esquemas de cores surreais. "Não acho que tenha poder para mudar nada ainda, mas acredito que por menor que seja a afirmação do diferente como belo ajuda".
"As pessoas podem usar esse tipo de arte para vender o seu produto", garante. "Quando alguém me contrata, tento entender com o cliente qual a necessidade e a partir daí, apresento algumas soluções de problema", expõe. "Mas eu não abro mão da criação", contrapõe. "O Casulo sou eu colaborando com outras pessoas", completa ele que comemora os mais de cinquenta projetos executados pela Capital e em outras cidades.
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