Proprietário da Kilture acredita que a popularização da vestimenta sem gênero será progressiva Roger Silva diz que a América do Sul e a do Norte são mais resistentes à moda Foto: MARCO QUINTANA/JC

Empreendedor cria marca de saias masculinas em Porto Alegre

Para Roger Silva, a estranheza com relação às peças é semelhante à sofrida pelas tatuagens antigamente

A fim de fazer uma provocação ao debate sobre fluidez de gêneros e quebra de preconceitos a respeito da feminilidade em homens, Roger Silva, 49 anos, lançou a Kilture, uma marca de saias masculinas semelhantes aos kilts - vestimentas tradicionais escocesas. Para ele, mais que um negócio, "representa uma disruptura estética".
Roger, o idealizador do projeto, trabalha com modelagens de negócios em empresas e, através de uma pesquisa de consumo de moda no varejo, concebeu a ideia. Concomitantemente a esse trabalho, o empreendedor estudava tendências de roupas genderless (sem gênero). ''Dos trabalhos de pesquisas dos clientes, sempre sobram algumas variáveis. Uma delas é a de que a vestimenta é um ato político", constata.
Roger se dedicou a estudar a origem do kilt e onde se estabelecem as culturas em que homens usam peças de roupas semelhantes a saias. Constatou, então, que apenas nas Américas do Sul e Norte não há uso das peças por parte dos homens. "Indianos usam, japoneses usam, até mesmo as túnicas árabes, que nós vemos como peças femininas, são peças culturais", mapeia. Durante a observação, constatou que o kilt é ligado diretamente aos clãs, tribos guerreiras.
MARCO QUINTANA/JC
Até a concepção da modelagem que melhor se adequou ao padrão brasileiro, foram criados 18 protótipos. Assim, em junho de 2017, os primeiros modelos estavam à venda. “Fizemos algo que fosse usável, para o dia a dia. Tivemos que fazer adaptações para urbanizar”, explica. “Dá para usar com tênis, com sapato, com sandália”, pontua.
Para fazer com que o público conheça o item, o empreendedor expõe as peças em eventos estratégicos. E lembra de quando expôs as kilts em São Paulo. “Depois de duas ou três festas em que expomos, o pessoal já nos conhecia como os ‘meninos da Kilture’”, recorda. “Vendi todas as peças que levei. Compraram até a que eu estava usando”, diverte-se.
Roger acredita que a aceitação para a vestimenta genderless é algo progressivo e compara a possível estranheza aos olhos com a causada antigamente pelas tatuagens. “É uma questão de evolução e ampliar o repertório estético”, deduz. “Acho que a gente nunca esteve tão preparado para discutir isso”, aposta.
Como é feito
Por ser um produto para nicho, a produção é “praticamente artesanal”. “Tudo é feito com esmero”, detalha o empreendedor, que garante a qualidade das produções. A mão de obra capacitada para o tipo de serviço veio de fora de Porto Alegre. Os kilts estão à venda pelo Instagram e site da marca e custam a partir de R$ 440,00. Atualmente, a marca está em fase de desenvolvimento de peças de uso mais simples e, adianta Roger, de planejamento de acessórios complementares.
MARCO QUINTANA/JC
Compartilhe
Seja o primeiro a comentar

Publicidade
Mostre seu Negócio