Entrevista com Michele Loreto, da Don Loreto, que largou uma vida na venda de automóveis para abrir negócio de pizzas artesanais Entrevista com Michele Loreto, da Don Loreto, que largou uma vida na venda de automóveis para abrir negócio de pizzas artesanais Foto: /MARCO QUINTANA/JC

Ela largou as vendas de carros para abrir a própria pizzaria

Criatividade nos sabores e feitio artesanal são o diferencial da Don Loreto

Sabe aquelas histórias clássicas de gente que mudou de ramo para empreender? Bem, esta é mais uma. Michele Loreto, 39 anos, largou a carreira de mais de 15 anos em vendas para ter a própria pizzaria artesanal em Porto Alegre. Natural de Livramento, ela veio para a Capital em 1999. Ela já tinha o sonho de trabalhar com gastronomia, mas nunca havia concretizado. "Vendi de tudo, de estetoscópios a carro zero. Depois, trabalhei com captação de recursos", conta.
Em 2016, juntou dinheiro o suficiente e reuniu a autoconfiança necessária para abrir a tele-entrega de pizzas Don Loreto. Num espaço charmoso de menos de 40 m² na rua Demétrio Ribeiro, nº 456, no Centro Histórico de Porto Alegre (bairro que, hoje, concentra uma boa oferta de pizzas artesanais a um preço acessível). As de Michele, por exemplo, variam de R$10,00 (minipizza) a R$94,90 (tamanho superfamília). Três motoboys dão conta das entregas, e não raro a vizinhança vem pegar direto no balcão. Foi a paixão pela gastronomia e o caráter agressivo e competitivo do mercado de vendas que fez Michele repensar seus rumos profissionais. "Comida é algo que traz muito afeto. Quando se vai trabalhar com a massa com uma energia ruim, ela não cresce", ilustra.
Quando decidiu empreender no ramo, não sabia que tinha tomado "uma das decisões mais loucas da vida", como ela mesma diz, por causa do tempo que um negócio leva para gerar resultados. Em 2017, a participação da filha Anna Lira no programa The Voice Kids, da Rede Globo, implicou em viagens e um impreterível afastamento do dia a dia da empresa. Agora, com a atenção novamente voltada inteiramente à Don Loreto, quer primeiro criar uma empresa sólida, com saúde financeira, e depois pensar na expansão.
MARCO QUINTANA/JC
Para mudar de vida, no entanto, ela conta que por um bom tempo teve dificuldade em tangibilizar o seu plano B. "É tão difícil a mulher enxergar que pode ter uma vida própria e saudável mentalmente, às vezes", ressalta. Ainda que numa pequena empresa não se possa fugir das funções administrativas, o que Michele gosta mesmo é criar sabores para as pizzas. Por isso, a Don Loreto oferece opções especiais conforme a estação.
A pedida desta primavera é a pizza de flores e frutas. No inverno, teve até brotinho doce de pinhão. "Não queria ter um cardápio muito extenso. Nosso estoque é pequeno, tudo muito fresco", justifica. Essa foi a maneira de dar vazão à criatividade sem extrapolar. "Artesanal para mim é todo o processo que tu mesma faz. Fazer a própria massa no rolo, fatiar a calabresa. Desta forma, a gente consegue fazer um produto com alma. E acho que esse é o nosso diferencial", afirma.
De vendedora à cozinheira e, por fim, empresária, Michele coleciona lições nestes dois primeiros anos de negócio próprio. "Para empreender, tem que ter rapidez. Por causa do medo, demorei mais para tomar decisões. Hoje, sou muito mais rápida e pés no chão", afirma. Para o futuro, ela imagina expandir para fora de Porto Alegre e ter uma marca própria de molhos prontos.
Os pedidos podem ser feitos entre 18h30min e 23h30min, por aplicativos, pelo site ou por telefone.
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