Jornalista Lucilene Athaide Jornalista Lucilene Athaide Foto: Reprodução/JC

Ponto para debate: app para faxineiros e faxineiras?

Jornalista e ativista do movimento negro, Lucilene se sentiu incomodada com abordagem de app para profissionais da limpeza

A veiculação da matéria Aplicativos criados no Rio Grande do Sul facilitam busca por faxineiras e faxineiros no nosso site gerou reflexão. Filha de faxineira, a ex-estagiária do GeraçãoE e atual jornalista e ativista do movimento negro, Lucilene Athaide, se sentiu incomodada pelo enfoque dos aplicativos.
"Antes de lançar um produto, é necessário fazer o exercício de se perguntar: será que este negócio ofende, perturba, desmoraliza ou causa estranhamento em alguém?", questiona.
Leia a opinião dela, na íntegra:
Repense e respeite
Quando se fala em empreender, muitas dicas são repassadas àqueles que querem investir e ter sucesso em seu negócio. Persistir, estudar o mercado, encontrar o nicho de oportunidades, ficar de olhos nas novas tendências, especializar-se em seu ramo de atuação. Contudo, acredito que um dos tópicos mais importantes, na maioria das vezes, é esquecido e isso reflete negativamente: as empresas ainda não estão pensando na diversidade. Elas estão vendendo o conceito de diversidade.
O mundo mudou. É fato. As pessoas estão mais críticas, mais informadas e mais atentas. A representatividade e a busca pela diversidade nunca estiveram tão presentes (pelo menos no discurso) na comunicação, na literatura e nos produtos audiovisuais. E como consequência, mais do que nunca a máxima "se não me representa, eu não consumo" é dita pelos mais diferentes segmentos da população.
Neste contexto, as empresas precisam ter um olhar sensível às mais diversas causas. Não adianta afirmar que contempla determinado segmento, sem ter parado realmente para ouvir os anseios e aprender com esta parcela. E isto se aplica a tudo. Aprender é a chave para desconstruir.
Antes de lançar um produto, é necessário primeiramente fazer o exercício de se perguntar: será que este negócio ofende, perturba, desmoraliza ou causa estranhamento em alguém? Se a resposta for uma simples suspeita de "sim", então é hora de repensar. Já está mais do que na hora de parar de esconder velhos preconceitos com o discurso da pluralidade, quando na verdade, seguimos reproduzindo mais do mesmo. Repense e respeite!
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Comentários ( 2 )
  1. Jacqueline

    Desculpe, mas no entendi a crtica e porque voc se sentiu incomodada. uma profisso digna, como bem sabes, e acredito que os profissionais da rea ganham com iniciativas que podem vir a qualificar seu trabalho e tambm contribuir para uma atualizao da imagem dessa funo. Aumentando tambm o respeito por ela. No utilizei os aplicativos, apenas li a matria e pela leitura, no identifiquei algo que possa ser discriminatrio ou ofensivo. Por isso a minha pergunta a respeito do seu texto. No ficou claro pra mim porque foi ofensivo. Um abrao!

  2. Jessica Ferreira

    Entendo a crtica realizada pela Lucilene, e percebo que, principalmente, o fato de mulheres negras terem trabalhado como diaristas e empregadas domsticas durante boa parte das suas vidas causa esse estranhamento ns, negras. Eu sou negra, filha de me preta e neta de uma preta que j trabalhou como diarista para ter um prato de arroz e feijo para todos os meus tios em casa. Na minha opinio, e pelo o que eu vivo na rotina do meu trabalho (trabalho como Gestora da rea de Sucesso do Cliente e do Parceiro em uma empresa de app de busca de faxineiros e faxineiras), o que ns fazemos dar uma oportunidade de ganhar um dinheiro extra quelas pessoas que possuem pouco tempo em suas vidas, e precisam de horrios flexveis. Temos diaristas que so universitrias, mulheres que trabalham em dois empregos, das mais diversas etnias. Posso dizer que no so apenas mulheres negras. E alm disso tambm realizamos Webinars incentivando o empreendedorismo, e a busca por educao para que elas no sejam diaristas o resto da vida. Possumos parceiras que ganham por volta de R$2.500,00 por ms, um salrio que nem o mercado formal, muitas vezes oferece. Ento, pode soar estranho, causar perturbao, mas fica o convite para que conheas um pouco mais de como as coisas funcionam na prtica, e verificar por si s o tipo de trabalho que estamos desenvolvendo com estas mulheres.

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