Mitch Lowe, co-founder da Netflix, no Oracle Open World Brasil 2018 Mitch Lowe, co-founder da Netflix, no Oracle Open World Brasil 2018 Foto: /ORACLE/DIVULGAÇÃO/JC

Fundador da Netflix recomenda: conheça seu produto como quem consome

Mitch Lowe, co-fundador da Netflix, foi um dos painelistas do Oracle Open World, que ocorreu em São Paulo na última semana

“Conheça seu produto como quem consome” foi uma das máximas de Mitch Lowe, um dos fundadores da Netflix, durante painel no Oracle OpenWorld na última quarta-feira (20), em São Paulo. Não à toa, no passado a empresa de conteúdo via streaming contratou 500 pessoas para passar o dia inteiro assistindo aos filmes da plataforma, a fim de categorizá-los e, assim, chegar com mais assertividade ao consumidor. Por consumidor, ele se refere aos 100 milhões de usuários espalhados por 130 países, que assistem a 125 milhões de horas de vídeo na Netflix todos os dias. “Nós devemos saber o que você quer antes de você pedir”, afirma ele, sobre o foco do serviço em eliminar processos para facilitar a vida do usuário, tendo a tecnologia como base de uma experiência cada dia mais esperta e intuitiva.
Na palestra, Mitch salientou que trabalhar olhando para frente e não para o passado é um dos principais motes da empresa. Ele falou sobre a importância de as companhias estarem conectadas com o futuro e o quanto a falta disso abre espaço, justamente, para o surgimento dos negócios disruptivos que balançam os mercados. “Empresas como o Hilton e Marriott deveriam ter feito o AirBnb, sabe?”, exemplifica.
Com esta visão prafrentex a respeito do modelo de negócio, em 20 anos a Netflix passou de uma distribuidora de DVD’s à domicílio para o que é hoje: a empresa de mídia mais valiosa do mundo, avaliada em US$ 152 bilhões, e assunto recorrente nas conversas em mesas de bares e cafés do mundo inteiro.
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Mitch Lowe falou para plateia brasileira durante o Oracle OpenWorld, no Auditório Ibirapuera, em São Paulo | Foto: Oracle/Divulgação/JC
Mitch contou para a plateia brasileira no Auditório Ibirapuera sobre o episódio histórico em que a Netflix se ofereceu para a Blockbuster por US$ 50 milhões, quando se viu totalmente em crise, no início dos anos 2000. A maior rede de videolocadoras dos Estados Unidos não quis. Posteriormente, acabou falindo, em 2013. “Eles ficaram olhando só para o passado”, comenta Mitch. Um dos passos da Netflix em direção ao futuro foi a aproximação com as novas tecnologias. O desenrolar da história é visto aqui e agora: a empresa tornou-se também um estúdio com produções próprias, que se vale dos dados para guiar o sucesso de público.
"Gastamos cerca de US$ 8 bilhões em conteúdo”, sustenta ele, a partir das séries de sucesso próprias como House of Cards, Orange is the new black, Black Mirror, Stranger Things, Narcos, entre várias outras. Embora a base e o uso de dados seja recorrente na cultura da empresa, ainda assim, “nenhum dado irá fazer a diferença de estar perto do consumidor”, pontua ele. Não obstante, um dos principais diferenciais competitivos da ferramenta é operar em quase qualquer dispositivo.
Features e, novamente, pessoas
Mitch falou também sobre a descoberta de alguns features básicos da plataforma - tão usuais que parece que sempre estiveram ali: “é tão óbvio que parar o que você está assistindo e ter que buscar o próximo episódio é muito chato. Deveríamos automaticamente dar play no próximo episódio, é claro!”, aponta, emulando a eureka diante do público na capital paulista.
O empresário pontuou que uma das chaves do sucesso da companhia está nas pessoas que contrata. Ele contou que a empresa, inclusive, oferecia US$ 2 mil para a pessoa não pegar o emprego na Netflix. “Ou seja, ela só ficava se queria muito”, ressalta. Além disso, ele destacou a “no assholes policy” (em tradução livre, uma política de não trabalhar com imbecis). “Queremos pessoas divertidas em nossa volta, e pessoas que saibam tomar decisões. Se as pessoas sabem o que estão fazendo, não precisamos de tantas reuniões.”
*Roberta Fofonka esteve em São Paulo a convite da Oracle.
ORACLE/DIVULGAÇÃO/JC
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