A apresentadora atua na TV há sete anos A apresentadora atua na TV há sete anos Foto: /Nemayda Furtado/Divulgação/JC

Como Micaela Góes transformou a organização em uma profissão

Personal organizer apresenta o programa Santa Ajuda, na GNT

Micaela Góes, 43 anos, virou "sonho de consumo" em muitos lares brasileiros. Considerada a fada mágica da organização, apresenta, há sete anos, o programa Santa Ajuda, no canal GNT. Na tela da TV, ela mostra que não tem bagunça impossível de resolver. No sábado passado, veio a Porto Alegre para ensinar seus truques na loja Oppa. "A gente fez um formato de curso itinerante, que passa por todos os cômodos da casa, pois percebeu que havia uma demanda em alguns lugares. O Sul tem um mercado de organização bem ativo", diz Micaela, em entrevista exclusiva.
"A ideia é plantar essa sementinha de empreendedorismo. Hoje, a gente está vendo uma mudança muito grande no mercado de trabalho, há muitas pessoas querendo sair do universo corporativo para empreender", entende. Micaela é formada em Artes Cênicas e acabou entrando no ramo da organização por acaso. Ao ajudar uma colega de faculdade, a atriz Camila Pitanga, a arrumar sua residência, há 15 anos, foi convencida de que tinha talento para a coisa. Além do programa na TV, de livros lançados e de atendimento a clientes, Micaela administra a A Casa Viva, uma escola de organização, no Rio de Janeiro. Em operação há um ano, forma cerca de 30 alunos por mês. A personal organizer afirma que o estado da casa reflete em tudo.
GeraçãoE - Em que momento organizar a casa dos outros virou um negócio?
Micaela Góes - Vim de uma família organizada, sempre tive a organização como parte da rotina. Meus pais são organizados, minha avó, que aparece no programa, é superorganizada. A organização era algo natural na minha vida, por isso nunca tinha percebido como um serviço ou uma possibilidade de trabalho. Até que, na faculdade de Artes Cênicas, tive uma colega, que é minha grande amiga, minha comadre até hoje, a (atriz) Camila Pitanga. Ela estava no meio de um trabalho, mudando a funcionária de casa, morando com o pai da filha dela, e a enteada foi viver com eles. A Camila precisava organizar a casa e me pediu uma ajuda, porque, na faculdade, eu tinha uma nécessaire que saía de tudo de dentro. Tinha pinça, analgésico etc. Ela dizia que saía até um vestido de festa. Minha formação é toda em Artes, sou formada como bailarina clássica, então nunca tinha pensado na organização como um serviço. Na conclusão do trabalho, ela falou "você tem que fazer isso para os outros". E eu questionei: "mas quem precisa de alguém para fazer isso?". E ela respondeu: "quem não souber fazer e puder pagar". A partir dali, durante oito anos, trabalhei somente por indicação, com organização residencial. Foi uma pessoa muito próxima que viu em mim um talento que era tão natural que eu mesma não percebia como um serviço. Comecei a me especializar. A forma como trabalho, criei fazendo. Estudei tantas coisas, e, de repente, uma coisa totalmente inesperada foi aquilo que tomou o caminho da minha vida. Há 15 anos, quando comecei a trabalhar com isso, só existia no mercado caixa e cabide. Não existia essa variedade de produtos de organização que hoje é tão forte.
GE - E a primeira experiência evoluiu para onde?
Micaela - Estruturei a minha empresa de organização residencial e, durante uns oito anos, trabalhei com isso, antes do Santa Ajuda. Hoje em dia, em paralelo com o programa, a gente abriu a A Casa Viva, uma casa toda montada como residência, mas que é, na verdade, uma escola de organização. A gente dá cursos de capacitação de personal organizer, ensina tarefas domésticas, administração residencial, curso de universo infantil, a arte de receber, arranjos florais. A minha geração foi toda formada para o mercado de trabalho, e a gente perdeu essa relação com a casa.
GE - E como vai esse negócio próprio?
Micaela - A gente já formou, em menos de um ano de operação, mais de 100 profissionais.
GE - Personal organizer virou uma profissão...
Micaela - A ideia é plantar essa sementinha de empreendedorismo. Estamos vendo uma mudança muito grande no mercado de trabalho, há muita gente querendo sair do corporativo para empreender.
GE - Uma casa organizada ajuda a pessoa ser organizada?
Micaela - Com certeza, a organização é uma ferramenta muito poderosa para otimização de recursos, de tempo, de espaço. Quando a gente tem a nossa casa organizada, isso se reflete em todos os setores da vida. Quando você muda a dinâmica de uma casa, você muda a pulsação. Isso se reflete no tempo, nas relações entre as pessoas que habitam aquele espaço, na redução de estresse de ruídos de coisas que são possíveis de se resolver com organização. Uma casa organizada faz a vida fluir, faz o seu tempo e seus recursos renderem mais, pois você não desperdiça comprando coisas que já tem. O objetivo final da organização é trazer bem-estar.
GE - Como é calculado o preço dos profissionais?
Micaela - É quase como se fosse uma régua: equilíbrio entre o tempo que você tem, a complexidade (a relação do cliente com a bagunça e a disponibilidade de abrir mão das coisas ou não) e a qualidade (a quantidade de pessoas que você precisa para a equipe). Você calcula o preço por hora, por exemplo, "a minha hora custa entre R$ 80,00 e R$ 200,00, vou precisar de tantos dias". Os valores variam conforme a complexidade e o tempo.
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