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Porto Alegre, segunda-feira, 14 de maio de 2018.

Jornal do Comércio

Economia

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Trabalho

Notícia da edição impressa de 15/05/2018. Alterada em 14/05 às 22h51min

PIB poderia ser 3,3% maior com igualdade salarial

Apenas 8% das mulheres ocupam cargos de liderança no País

Apenas 8% das mulheres ocupam cargos de liderança no País


/UNSPLASH/DIVULGAÇÃO/JC
A redução da diferença salariai entre homens e mulheres poderia aumentar o Produto Interno Bruto (PIB) em 3,3%, o equivalente a R$ 382 bilhões. A conclusão é do estudo Mulheres, Empresas e o Direito 2018: Igualdade de Gênero e inclusão econômica, divulgado ontem pelo Banco Mundial, na sede da Fundação Getulio Vargas (FGV).
O trabalho, que analisou o impacto da legislação na inclusão econômica das mulheres, foi desenvolvido para estimular reformas legislativas e adoção de políticas públicas que promovam maior igualdade de gênero.
Em sua quinta edição, o documento incluiu mais 16 países em seu universo, passando a analisar 189 economias em todo o mundo. O relatório constatou que, no Brasil, apesar dos avanços obtidos nos últimos 10 anos, "ainda há leis que impedem a plena participação econômica das mulheres".
O relatório do Banco Mundial passa a atribuir pontuação, que vai de zero a 100, em sete principais eixos da economia: acesso às instituições, uso de propriedade, acesso ao emprego, incentivo ao trabalho, acesso aos tribunais, acesso ao crédito e proteção da mulher contra a violência.
Para caso do Brasil, foram destacados como pontos fortes o fato de não haver limitações à capacidade jurídica das mulheres, ou à liberdade de movimento, ou de direitos iguais à propriedade e herança que possam afetar sua inclusão econômica. Em contrapartida, o documento destaca como pontos fracos a lei não prever licença parental, igualdade de remuneração para o trabalho masculino e feminino, trabalho dos pais em regime flexível, discriminação com base no gênero ou no estado civil no acesso ao crédito. Segundo o relatório, isso "desfavorece o empreendedorismo feminino".
Para a especialista em gênero do Banco Mundial, Paula Tavares, que apresentou o documento e participou de debate com professores da FGV ligados ao tema e estudiosos do assunto, não foram vistos grandes avanços no País nestes últimos 10 anos.
Paula Tavares disse que há algumas lacunas que precisam ser equacionadas. "No Brasil, há lacunas que observamos e que são bastante importantes. Uma delas é a questão das cotas. O Brasil, até hoje, não possui cotas, por exemplo, para conselho de administração de empresas privadas."
"Recentemente, o País adotou uma legislação tratando das cotas para empresas públicas, mas nós fazemos uma avaliação de como isso afeta as mulheres nas empresas privadas. Além disso, não existe um sistema de licença parental que permita melhor distribuição das responsabilidades entre os pais em relação à criação dos filhos. Outra área que nós analisamos, e que o Brasil ainda não visualizou, é a questão da aposentadoria."
Segundo a especialista, a reforma da Previdência em andamento poderia igualar a idade da aposentadoria, "uma vez que a adoção de idades diferentes, ao contrário do que muitos pensam, é prejudicial à mulher - seja do ponto de vista do desenvolvimento de sua ascensão profissional, seja do ponto de vista de sua remuneração quando da aposentadoria".
 Para Paula Tavares, a questão das diferenças salariais, do ponto de vista do gênero, torna-se ainda mais grave quando é analisada sob o ponto de vista racial, caso em que a mulher se torna "ainda mais vulnerável".
"Entendo que, em todos os países do mundo, e principalmente no Brasil, a questão da raça ainda é um elemento que torna a mulher mais vulnerável. No Brasil, por exemplo, a renda média da mulher é equivalente a cerca de 75% da renda do homem para cargos equivalentes. Mas, no caso da mulher negra, essa diferença aumenta e chega a 50% do salário dos homens. Há uma necessidade importante de lidar com essa questão", ressaltou.
A especialista do Banco Mundial lembrou que apenas 8% das mulheres ocupam cargos de lideranças nas empresas do País, principalmente quando os cargos são no setor de administração - que é o mais alto posto. "Uma das medidas para combater essa questão seria a adoção de cotas. No Canadá, por exemplo, há cinco anos, foi adotada essa medida, e o país conseguiu aumentar a participação de 18% para 25%."

OIT prevê criação de 24 milhões de empregos até 2030 com economia verde

A Organização Internacional do Trabalho (OIT), em seu novo relatório "Perspectivas Sociais e de Emprego no Mundo 2018", estima que o esforço das nações para limitar o aumento da temperatura do planeta a dois graus Celsius vai impulsionar o emprego no mundo. Pelas previsões do organismo internacional, serão 24 milhões de vagas abertas para atender à nova demanda que vai se criar com energia renovável e o que os técnicos da OIT chamam de economia circular: atividades como reciclagem, reparos, aluguel e remanufatura, substituindo o modelo econômico tradicional de "extração, fabricação, uso e descarte".
"A ação para limitar o aquecimento global a dois graus Celsius resultará numa criação de empregos muito maior do que o necessário para compensar as perdas de seis milhões de postos de trabalho em outros setores", afirma o relatório. Para que isso vire realidade, a OIT pede que os países tomem medidas rápidas para treinar os trabalhadores nessa nova realidade, de transição para uma economia mais verde, além de lhes oferecer uma proteção social que facilite a transição para novos empregos, contribua para prevenir a pobreza e reduza a vulnerabilidade das famílias e comunidades.
"Mudanças de políticas nessas regiões poderiam compensar as perdas de empregos antecipadas ou seu impacto negativo. Os países de renda baixa e média ainda precisam de apoio para desenvolver a coleta de dados e adotar e financiar estratégias para uma transição justa para uma economia e sociedade ambientalmente sustentáveis, que inclua todas as pessoas de todos os grupos da sociedade", diz a principal autora do estudo, Catherine Saget.
Dos 163 setores econômicos analisados pela OIT, apenas 14 perderão mais de 10 mil empregos em todo o mundo, que são exatamente os de extração e refino de petróleo, energia esgotável e poluente. Nesse setor, a previsão é de corte de 1 milhão ou mais de empregos. Serão criados 2,5 milhões de postos de trabalho em eletricidade baseada em fontes renováveis, compensando cerca de 400.000 empregos perdidos na geração de eletricidade baseada em combustíveis fósseis. Pelas contas do organismo, serão mais 6 milhões de empregos em atividades de reuso.
O relatório afirma que medidas para lidar com as mudanças climáticas podem resultar em perdas de empregos a curto prazo em alguns casos, mas os impactos desse nova ordem econômica podem ser compensados com os governos garantindo proteção social e "políticas ambientais que apoiem os rendimentos dos trabalhadores e a transição para uma economia mais verde".
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