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Porto Alegre, segunda-feira, 23 de abril de 2018.

Jornal do Comércio

Política

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operação lava jato

Notícia da edição impressa de 24/04/2018. Alterada em 23/04 às 20h34min

Yunes diz que Temer sabia sobre 'envelope' de doleiro

Ministro Eliseu Padilha teria intermediado a entrega da propina

Ministro Eliseu Padilha teria intermediado a entrega da propina


/MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL/JC
O ex-assessor do Palácio do Planalto José Yunes afirmou, em depoimento à Polícia Federal (PF) na Operação Skala, desdobramento da Lava Jato, ter contado ao seu amigo, o presidente Michel Temer (PMDB), sobre a entrega de "envelope lacrado grosso" do doleiro Lúcio Funaro a pedido do ministro Eliseu Padilha (PMDB). Yunes chegou a ser preso temporariamente no final de março no âmbito da ação da PF relacionada às investigações de suposto benefício concedido à empresa Rodrimar por meio da edição do Decreto dos Portos.
"Como é amigo do presidente, o encontra com certa frequência fora de situações de trabalho, em São Paulo. Sobre os fatos já noticiados relativos ao recebimento de documentos de Lúcio Bolonha Funaro, a pedido de Padilha, lembra-se de que se tratava de envelope lacrado grosso, da espessura de pouco mais de dois centímetros, que não era pesado", diz o relato do depoimento. 
"Na oportunidade, não recebeu nenhuma caixa por parte de Funaro", seguiu Yunes. "Conhecia o ministro Padilha e tem a esclarecer que, com relação à pessoa de Padilha, tinha um relacionamento amistoso, em consideração ao presidente. Essa foi a única vez que Padilha lhe fez esse tipo de pedido."
Yunes já é réu em processo por suposto envolvimento com o "Quadrilhão do PMDB" na Câmara. A Procuradoria destaca o papel dele no suposto recebimento de R$ 1 milhão do doleiro Lúcio Funaro em seu escritório de advocacia, para a campanha peemedebista de 2014.
Ao prestar depoimento no âmbito da Operação Skala, o amigo e ex-assessor de Temer voltou a relatar às autoridades sobre o dia em que diz ter recebido um "envelope grosso" do doleiro Lúcio Funaro a pedido do ministro Eliseu Padilha. Desta vez, disse ter contado sobre a entrega a Temer. 
Yunes diz ter detalhado "para Michel Temer sobre o tal pedido, alguns dias depois, e que inclusive falou para Michel Temer que ficou estarrecido com a 'tal figura delinquencial', após tomar conhecimento, através do Google, sobre envolvimento em escândalos por Lúcio Funaro".
Ele já havia admitido, em depoimento ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2016, o recebimento de R$ 1 milhão em seu escritório, e disse ter sido "mula" de Padilha. O dinheiro teria como origem o departamento de propinas da Odebrecht, segundo afirmam delatores.
A assessoria de imprensa do Palácio do Planalto e a defesa do ex-presidente não se manifestaram.
 

Justiça Federal de São Paulo nega pedido da Rodrimar para permanecer em área em Santos

A Justiça Federal de São Paulo rejeitou pedido feito pela empresa Rodrimar para prorrogar o contrato de uma área de terminais portuários que ela explora no porto de Santos. A decisão, do juiz federal Décio Gabriel Gimenez, de Santos, foi publicada nesta segunda-feira. Cabe recurso.
A Rodrimar é pivô da investigação conhecida como Inquérito dos Portos, que apura a ligação do presidente Michel Temer com empresas do setor na época da edição de um decreto que modificou regras de exploração de terminais no País, em 2017.
A empresa ocupa uma área em Santos com base em um acordo firmado em 1991, que já perdeu a validade. A companhia foi à Justiça Federal pedir a prorrogação de seu acordo como forma de compensar supostos prejuízos que teve por a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) ter deixado de providenciar melhorias no porto.
O juiz responsável rejeitou o pedido argumentando que o eventual desequilíbrio financeiro do contrato poderia gerar direito à indenização, mas não à prorrogação contratual. Gimenez diz que a extensão do acordo, sem que a empresa se comprometa com investimentos da área, seria "ilegal, abusiva e contrária ao interesse público". Ele defende a realização de uma licitação, mas não determina que a empresa desocupe já o local.
O governo federal já divulgou que pretende fazer uma nova licitação no porto de Santos. Em outubro de 2017, a Folha de S.Paulo mostrou que a Rodrimar atua com contratos expirados no porto.
Conversas telefônicas interceptadas na época da delação da JBS mostraram Rodrigo Rocha Loures (PMDB), ex-assessor de Temer, fazendo lobby pela prorrogação de contratos antigos do setor portuário, como os da Rodrimar. Procurada, a empresa disse que vai recorrer assim que for intimada.
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