Reinaldo Lourenço Reinaldo Lourenço Foto: REINALDO LOURENÇO/DIVULGAÇÃO/JC

SPFW: O desafio da novidade

Grifes desfilam a preocupação com a identidade no São Paulo Fashion Week

Aconteceu na semana passada a edição 45 do São Paulo Fashion Week (SPFW), principal semana de moda do País. O evento, que tem duas edições anuais há mais de 20 anos, lança para as marcas o desafio de se reinventarem a cada troca de estação. Grifes e estilistas que desfilam há tempos no SPFW, como Fernanda Yamamoto, Gloria Coelho, Lino Villaventura, Osklen, Reinaldo Lourenço e Samuel Cirnansck se misturam a novatos como Beira, Modem e Handred. Em comum, a preocupação com identidade, inovação, design autoral e sustentabilidade.
Para Reinaldo Lourenço, que voltou à semana de moda após duas temporadas, "o maior desafio é conseguir realizar um produto de luxo e bem acabado em meio às dificuldades que temos na indústria têxtil". O estilista apresentou uma coleção inspirada nos longas De olhos bem fechados, de Stanley Kubrick, e Morte em Veneza, de Luchino Visconti. Predominaram a alfaiataria masculina, camisas e saias pregueadas em preto, off White, creme e branco, vermelho, amarelo, laranja, prata, rosa e azul claro.
O estilista Lino Villaventura, que comemora 40 anos da sua marca, fez mais um desfile dramático, com modelagens nada óbvias, seguidas de vestidos e saias volumosas em tule bordado. Nas cores, destaque para o bordô, o roxo e o laranja. "Quando você faz um trabalho original e inovador, não precisa pensar em ser uma novidade. Você já é uma novidade quando faz um trabalho com personalidade, identidade própria e um conceito totalmente novo. Mas é sempre um grande desafio, em todas as temporadas. Sempre procuro fazer algo que provoque novas ideias, novos conceitos e pensamentos", afirma o estilista.
ZÉ TAKAHASI/DIVULGAÇÃO/JC
A diversidade de materiais e peças esteve presente no desfile da Osklen. A coleção, chamada ASAP, ressaltou um estilo de vida alinhado a práticas socioambientais mais conscientes. Na cartela de cores, cru, verde militar, areia, rouge, telha, tabaco, preto, vermelho, rosa, cinza mescla, amarelo látex e verde. "No guarda-roupa contemporâneo temos que ter ótimos básicos e poucas e ótimas peças de design e luxo. O equilíbrio no estilo faz parte disso. Isso é sustentável hoje em dia: ter menos, mas ter as melhores peças, com design", disse Oskar Metsavaht, fundador e diretor de criação e estilo da Osklen, fundada há 20 anos.
Ele explica que a coleção partiu da vontade de oferecer peças básicas e clássicas que se encontram em qualquer lugar do mundo, como t-shirts e calças, mas de origem sustentável. Para ele, este é o diferencial. O empresário explica que a ideia foi fazer toda a coleção com materiais sustentáveis. No algodão reciclado, por exemplo, foram usadas 270 mil garrafas pet. Sobre os 20 anos da marca, Oskar ensina: "começando um pequeno projeto dentro do seu negócio e se dedicando com design de primeira, você consegue fazer uma coleção sustentável e contemporânea sem ter aquela cara antiga do que representaria ser sustentável. Somos um belo laboratório para a indústria da moda", diz. "Moda significa comportamento, não fazer roupa. E a questão da sustentabilidade faz parte, então trazer a sustentabilidade para dentro da sua plataforma de expressão é fundamental."
MARCIO MADEIRA/DIVULGAÇÃO/JC
O desfile de Samuel Cirnansck foi um dos mais elegantes da semana de moda. O estilista deu um ar vintage aos looks, a maioria nas cores preto, candy colors e vermelho intenso, e muitos com a cintura marcada. Em parceria com a gatinha japonesa Hello Kitty, Samuel usou o desenho em bordados, estampas de bolsas e detalhes. "A Hello Kitty veio para trazer um ar urbano para a coleção, um ar mais jovem", detalha o estilista.
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