Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, domingo, 25 de março de 2018.

Jornal do Comércio

Opinião

COMENTAR | CORRIGIR

artigo

Notícia da edição impressa de 26/03/2018. Alterada em 25/03 às 20h56min

Por quê?

Anna Maria Petrone Pinho
Em palestra na escola Luciana de Abreu sobre o Dia Internacional da Mulher, lancei, várias vezes, à assistência, a pergunta: "Por quê?" Por que há o feminicídio? Por que a mulher ganha menos do que o homem pelas mesmas tarefas realizadas? Por que mulheres foram queimadas em fábricas têxteis em Nova Iorque? Por que há a Lei Maria da Penha? Por que a dupla moral sexual? Fui impulsionando a assistência a buscar respostas. Mostrando que a nossa compreensão da realidade não mudou tanto ao longo da história sobre o preconceito contra a mulher. Claro que a mulher ganhou direito ao voto, direito de participar da política, direitos iguais na Constituição Federal e no Direito de Família, e tantas outras isonomias legais, mas, na vida real, preconceitos e hipocrisia permeiam os vínculos afetivos e laborais. Na universidade, meu professor de Filosofia ensinava: "Em tudo, buscai as fontes".
Fui às fontes, e, lá no Livro do Gênesis, encontramos Eva como a culpada de todas as penas que assolam a humanidade. E a Bíblia elenca mulheres que usavam seus dotes femininos para trair e enganar - cito como exemplo Dalila, que enganou Sansão. O Eclesiástico-25,24 nos diz: "Foi pela mulher que começou o pecado, é por culpa dela que todos morreremos".
E há aspectos da cultura greco-romana na contemporaneidade. Na Grécia antiga, mulheres não eram consideradas cidadãs. Em Roma, a mulher passava da dependência do pai para a dependência do marido. Há algumas teorias que procuram explicar os motivos da discriminação, como, por exemplo, a teoria do poder da força muscular. Mas, com a tecnologia, não há mais a necessidade de força muscular para quase a totalidade das profissões e fazeres. Todas as outras teorias também não explicam esse vírus cultural que se transmite de geração em geração. Passamos da Era Moderna para a Pós-Modernidade com a mesma carga de preconceitos contra a fêmea humana. Por quê? Por que não estabelecemos uma relação menos hostil e arrogante entre homens e mulheres em pleno século XXI? Por que precisa existir o Dia Internacional da Mulher? As respostas deixo para vocês.
Advogada
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia