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Henrique Tarasiuk, consultor financeiro e fundador da Legacy Partners Foto: /Arquivo Pessoal/JC

Henrique Tarasiuk

consultor financeiro e fundador da Legacy Partners

A dívida como solução positiva

Começo como uma pergunta: o que é dívida? Generalizando e buscando sair de uma linguagem técnica, dívida é toda forma de financiar algo. No caso de uma empresa, todos os "dinheiros" que são usados para a sua operação e que no momento que são utilizados não saíram do seu caixa podem ser tidos como financiamento. Sabe quando seu fornecedor lhe dá um prazo para pagar ou quando um sócio aporta dinheiro na empresa? Então, são dois exemplos de dívidas.
Apesar de parecer óbvio, todo dinheiro dentro da empresa deve gerar mais dinheiro. Ou seja, se um dinheiro entra como dívida, ele deve ser utilizado para gerar mais dinheiro. Isso acontece, por exemplo, quando financiamos equipamentos, quando criamos uma dívida para expansão, quando em um futuro a empresa irá gerar mais caixa do que no momento em que contrai a dívida. Por outro lado, "cobertor curto" é o pior pesadelo, quando a empresa contrai uma dívida para pagar outra dívida, e outra dívida, e outra dívida. Os juros acabam se acumulando, a pouca geração de caixa fica cada vez menor e o pior: mais comprometida aos pagamentos das dívidas.
Outros pontos que devemos ter muita atenção se referem aos prazos e custos (juros). Quando se contrai uma dívida para uma expansão ou para a compra de equipamentos, espera-se que isso aconteça em um determinado período. Seu endividamento deve ser contraído em um prazo adequado com o seu fim, por este motivo geralmente prazos de financiamentos de equipamentos são longos, enquanto capital de giro é curto. Quanto ao custo, seguimos o mesmo raciocínio, o custo de uma dívida nunca deve ser analisado por si só, mas sim comparando-o com o retorno do investimento para o qual será destinado, se a sua expansão irá gerar uma rentabilidade alta sobre o investimento, este necessariamente deve ser maior do que o custo da sua dívida. Caso contrário, estará pagando para expandir.
Um último item: "devo contrair dívida ou investir o meu dinheiro como pessoa física na empresa?". Levando em consideração que a Selic está na casa dos 7% (a.a.) e que geralmente os bancos adotam uma taxa mais alta do que esta, vamos dizer o dobro, 14% (a.a.), se o retorno esperado for menor do que o custo da dívida, sim ele deve investir.
Vale lembrar que estes pontos foram expostos de maneira superficial e que existem limites ideais de endividamento, não se deve pegar todo o dinheiro que está à disposição simplesmente porque "eu posso". Existe uma ciência por trás das escolhas financeiras e todos os pontos podem ser otimizados.
 
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