Rafael Souto, diretor-geral da 
Produtive - Carreira e Conexões com o Mercado Rafael Souto, diretor-geral da Produtive - Carreira e Conexões com o Mercado Foto: /Gustavo Roth/Fundação Piratini - TVE e FM Cultura/Divulgação/JC

Da demissão à recolocação no mercado

Rafael Souto, CEO da Produtive - Carreira e Conexões com o Mercado, participou, recentemente, do programa Frente a Frente, da TVE, que contou com a participação do GeraçãoE. Selecionamos alguns trechos da entrevista sobre recolocação no mercado de trabalho após uma demissão e as visões do especialista em torno do empreendedorismo. O programa foi ao ar no dia 21 de dezembro de 2017, e o vídeo está disponível aqui.
GeraçãoE - Como as empresas devem lidar com funcionários que buscam empreender?
Rafael Souto - As empresas precisam incentivar o empreendedorismo por dois olhares. Um deles é o intraempreendedorismo, que é dar espaço para esse indivíduo criar dentro do negócio. Dessa forma, ganha-se a oportunidade de alguém criativo dentro da empresa. Mas, indo um passo além, parece que a ideia do futuro do trabalho é conviver com empreendedores dentro das empresas. As noções antigas, de comando e controle, dedicação exclusiva, fazem parte de um mundo que não existe mais, o do emprego certo e por longo período. Na verdade, temos de pensar em como lidar com essas mudanças. Se não der esse espaço, certamente vou perder esse talento.
GE - Há mais gente querendo largar o emprego para empreender ou para guinar uma carreira corporativa?
Rafael - A maior parte procura recolocação da maneira tradicional. Cerca de 70%, em outros anos foram cerca de 80%. Apenas 20%, no máximo 30%, dependendo do ano, buscam as fontes alternativas de renda ou as executam. Mas as pessoas aproveitam o momento que estão fora do mercado para começar a planejar um negócio do futuro que queiram fazer, mesmo que não coloquem em prática agora.
GE - Como lidar com uma demissão tardia?
Rafael - É um dos grandes dramas que nós, como sociedade, vamos ter que enfrentar. Existe o aumento da longevidade, e as pessoas querem produzir por muito mais tempo. Porém, o preconceito na contratação de pessoas com mais idade, acima de 55 anos, não está diminuindo. Tem uma fala politicamente correta, mas, na prática, os processos seletivos ainda são preconceituosos. E bons profissionais que saem nas reestruturações se deparam com muita dificuldade de recolocação. Muitas vezes, a alternativa é buscar saída fora do emprego tradicional, porque nem sempre ele é possível nessa faixa etária. O problema fica mais acentuado nos níveis técnicos e intermediários, pessoas com mais idade e cargos mais altos têm mais facilidade, enquanto pessoas em cargos operacionais têm mais dificuldade de se recolocar.
GE - Como planejar uma transição, então?
Rafael - Quando pensamos em transição de carreira, não dá para pensar nisso como um evento. Temos que estar sempre olhando para a carreira e pensando nos próximos movimentos. Se estou em uma empresa e noto sinais de desconforto por satisfação ou pelo futuro do negócio, preciso ficar atento a isso. Uma dica objetiva é o famoso networking, rede de contatos. Muitas pessoas deixam para organizar a rede de contatos quando estão desempregadas. Entendemos que networking é um pilar da carreira. Minha rede, os contatos que tenho no mercado, vão me ajudar a fazer transição de carreira quando tiver isso bem-estruturado.
GE - Algumas empresas falam sobre demissão responsável. O que seria isso?
Rafael - Quando definida no plano de negócio, se discute como fazer essa demissão, como comunicar, organizar esse dia e a sequência, o pacote de benefícios. Se aquela pessoa receberá plano de saúde, alguma extensão de tempo de permanência na empresa, algum bônus financeiro. O programa de demissão responsável começa antes da demissão, a acompanha e depois ajuda as pessoas a voltarem ao mercado de trabalho. Existem diferentes serviços, para grupos ou individuais, diferentes níveis, de técnicos a executivos, e o programa de assessoria para que a pessoa volte a trabalhar. Hoje, incluímos o empreendedorismo porque entendemos que faz parte da transição.
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