Rafael tem 36 anos e é responsável pela área de Relacionamento Rafael tem 36 anos e é responsável pela área de Relacionamento Foto: /MARCO QUINTANA/JC

Quinta da Estância, a empresa sem presidente

O sítio de Viamão expandiu o negócio sem abrir mão da governança familiar

A Quinta da Estância é um complexo rural que une educação, lazer e sustentabilidade há 25 anos, localizado em Viamão, a 28 km do Centro de Porto Alegre. Por trás disso, é um negócio familiar sem o cargo de diretoria ou presidência, que agrega os pais e seus três filhos no comando de diferentes áreas do negócio.
O casal Sonia Sittoni Goelzer, 70, e Lucidio Morsch Goelzer, 74, por terem crescido no interior, decidiram que, quando tivessem o primeiro filho, iriam adquirir uma propriedade rural para proporcionar o mesmo tipo de experiência junto à natureza. Isso aconteceu em 1979, mas o sonho se concretizou na chegada do segundo, em 1981. Professora da rede pública, a partir de 1992, Sonia passou a levar seus alunos para fazer atividades de fim de ano de graça na propriedade, então com 1,5 hectare. A fim de ampliar a proposta pedagógica para mais crianças, nascia a Quinta da Estância - hoje, com 103 hectares, 70 monitores treinados para desenvolver projetos de atividades vivenciais e de campo, e uma circulação de cerca de 90 mil visitantes ao ano, não só do Rio Grande do Sul. Há quem venha de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Uruguai e Argentina.
MARCO QUINTANA/JC
"As primeiras monitoras foram minha mãe e minhas tias", conta Rafael Sittoni Goelzer, 36 anos, que é o filho do meio e diretor de Relacionamento da empresa. O mais velho, Lucas, 39, comanda os setores Financeiro e de Recursos Humanos; e o mais novo, André, de 33, toda a parte de Veterinária e Criação de Animais. A mãe segue como capitã dos Projetos Educacionais; e o pai, dos Investimentos. As decisões da empresa são tomadas a partir de um conselho dos sócios, que têm o mesmo peso de voto. "Por sorte, somos cinco. Aí, nunca dá empate", ri Rafael.
No caso da Quinta da Estância, os filhos estão mais para cofundadores do que herdeiros. Os três cresceram na propriedade e começaram a encontrar áreas afins desde cedo, motivados a desenvolver o negócio da família. Há três anos, eles iniciaram uma consultoria em governança familiar para manter a casa organizada a longo prazo. "Normalmente, as pessoas procuram este tipo de serviço quando as coisas estão pegando fogo. Nós, não. Estava tudo bem por aqui. O pessoal da consultoria até se admirou", confidencia Rafael. Em 2016, a empresa cresceu 15%.
"Fizemos um acordo de governança familiar que prevê até como se dará a entrada dos nossos filhos no negócio, se eles quiserem seguir", exemplifica. Como Rafael e os irmãos não tiveram experiências de trabalho fora, a próxima geração deverá ter, no mínimo, três anos de experiência em outras empresas para suprir esta lacuna deixada pelos pais.
MARCO QUINTANA/JC
Com tanto espaço à disposição, uma marca do negócio é a diversificação dos serviços oferecidos. "O negócio é um trabalho e também um hobby. Vamos abrindo outros nichos conforme os hobbies dos fundadores. Meu pai, por exemplo, quer plantar oliveiras. E, no futuro, teremos azeite de oliva sendo produzido aqui."
Nos últimos cinco anos, cerca de 80 trabalhos de conclusão de curso foram produzidos a partir do local, de diferentes áreas, da Comunicação à Veterinária.
Além de desenvolver vivências práticas a partir dos conteúdos escolares, a Quinta da Estância tem espaço para eventos e treinamentos corporativos. A empresa solicita os fatores comportamentais que quer desenvolver, e a equipe da Quinta cria as dinâmicas. Essa prática, por exemplo, começou em 1993, de demandas do mercado para usar o local. Para pernoitar, são 234 leitos em quartos coletivos. Têm acompanhamento em libras, sem custo adicional para a contratante, e atividades inclusivas para empresas com pessoas portadoras de deficiência. Com o treinamento, o passe custa R$ 139,00 por pessoa.
Para que o crescimento não pare, há um programa de inovação em operação contínua na Quinta. "Inovação não é uma iluminação divina, mas sim o resultado de método e gestão", pontua Rafael.
Os empreendedores fazem visitas técnicas em eventos grandes ou viagens para analisar o que pode ou não dar certo e ver coisas novas para trazer para o negócio.
O local só recebe grupos, de 12 pessoas, e tem preços diferenciados para escolas e alunos de baixa renda. Para visitas avulsas, é possível comprar pelo Peixe Urbano e Laçador de Ofertas.
MARCO QUINTANA/JC
Compartilhe
Seja o primeiro a comentar

Artigos relacionados
Publicidade
Newsletter

HISTÓRIAS EMPREENDEDORAS PARA
VOCÊ SE INSPIRAR.

Receba no seu e-mail as notícias do GE!
Faça o seu cadastro.





Mostre seu Negócio