A jornalista Bete Duarte relê seu acervo, mantido em casa, para mostrar as referências culinárias das obras A jornalista Bete Duarte relê seu acervo, mantido em casa, para mostrar as referências culinárias das obras Foto: Mauro Belo Schneider/MAURO BELO SCHNEIDER/ESPECIAL/JC

Jornalista se inspira em obras literárias para criação de jantares

A atividade é promovida duas vezes por semestre no Instituto Ling

A jornalista Bete Duarte, 63 anos, criou, em Porto Alegre, um projeto que une gastronomia e literatura. O Da Estante À Mesa é realizado duas vezes por semestre, no Instituto Ling. "Meu objetivo é mostrar as referências culinárias presentes nas obras", resume.
Os participantes, na verdade, têm uma verdadeira aula durante a refeição, que acomoda 16 pessoas. Mas não é para ser uma experiência pesada, acadêmica.
É uma conversa entre cálices de vinho e pratos preparados por chefs renomados da cidade. E tudo tem a ver com os enredos narrados nas páginas dos livros.
Até agora, foram promovidos seis encontros. O primeiro jantar, assinado por Marcelo Schambeck, homenageou Machado de Assis. Depois, veio Guimarães Rosa (por Leo Magni e Lili Andriola), Simões Lopes Neto (por Carlos Kristensen), Jorge Amado (por Floriano Spiess), Monteiro Lobato (por Elisa Prenna) e Cervantes (por Luciano Lunkes).
Os próximos serão temáticos sobre a produção de Raquel de Queiroz, no dia 22 de setembro, com a presença do chef Mamadou Sène, e um inspirado nos textos dos Verissimos, no dia 17 de novembro, com Marcos Livi. Para este último, Bete convidará o escritor Luis Fernando Verissimo.
"É uma responsabilidade, imagina o nervoso", diverte-se ela, que faz as vezes de cicerone e relaciona a arte aos alimentos (consumidos e citados por personagens ou autores).
Para preparar os eventos, Bete relê as obras e identifica as menções gastronômicas - que, normalmente, ganham destaque nas tramas. Na edição de Cervantes, por exemplo, o prato principal não levou o nome de Dom Quixote, pois ele quase não comia. Sancho Pança assumiu o protagonismo. A personagem Dulcineia, descrita na obra como uma mulher com cheiro de cebola e alho, serviu de desculpa para que Luciano Lunkes criasse um sorvete de cebola caramelizada.
O projeto de Bete, que trabalhou por quase 40 anos no jornal Zero Hora, na edição de um caderno de gastronomia, vai virar, em novembro, uma atividade de extensão no curso de Gastronomia da Unisinos. "Nem tinha pretensão disso", confessa, humilde.
O ingresso custa R$ 220,00, e inclui recepção, entrada, prato principal e sobremesa.
LEIA TAMBÉM:
Compartilhe
Seja o primeiro a comentar

Publicidade
Newsletter

HISTÓRIAS EMPREENDEDORAS PARA
VOCÊ SE INSPIRAR.

Receba no seu e-mail as notícias do GE!
Faça o seu cadastro.





Mostre seu Negócio