Natália Pegoraro, do O Amor é Simples, participou do Ylai Natália Pegoraro, do O Amor é Simples, participou do Ylai Foto: Especial/JC

Como o espírito empreendedor pode salvar uma cidade

Detroit, como já mencionei nos primeiros textos, faliu. Perdeu 2/3 de sua população. Viu seu centro comercial definhar ao abandono junto com suas áreas residenciais

Detroit mudou a forma como eu enxergava empreendedorismo. Gostaria muito de afirmar que mudou a forma como eu 'entendia' empreendedorismo; mas sou sábia suficiente para saber que com minha pouca experiência, pouco sei. Sigo apenas testando e tentando tirar os melhores ensinamentos sobre este universo.
Meu histórico como empreendedora foi quase por acaso, juro. Cresci sendo estimulada a ser funcionária pública, dado o histórico de meus pais, nascidos e crescidos em pequenas cidades do interior do Rio Grande do Sul. Sempre acreditei que meu caminho era este ou ser uma executiva em uma grande empresa, até me deparar com um livro que guinou minha carreira como jamais imaginei. Não só mudei minha forma de enxergar o passar dos dias como insistentemente me questionei quanto era válido aplicar minhas energias, vitalidade e conhecimento em uma organização que não era minha e não devolvia ao mundo os valores que tinha como mais importantes. Este livro se chama Screw Business as Always, de um dos empreendedores mais famosos do mundo: Richard Branson. Pausa para esta informação que fará mais sentido na próxima semana, quando conto sobre o encerramento do meu programa de intercâmbio profissional e dos meus relatos por aqui.
Voltando à experiência da vida real: eu enxergava empreender como uma experimentação - algo menos difuso do peso real de estar em um ambiente com a pressão natural de ser paga para executar e entregar as demandas que lhe são atribuídas. Até então, pelo histórico de construção do O Amor é Simples - pouco dinheiro para muito fazer, eu entendia como um lugar de tentar, errar, experimentar, mudar de estratégia, repensar, seguir em frente... tudo menos desistir, claro. Mas estes dias nos EUA me colocaram frente ao empreendedorismo como negócio de uma forma tão crua que parece fria frente a um olhar pouco crítico. De fazer contatos, de fazer networking, de ter mentores, boards de conselheiros, de arriscar e ser arrojado como poucos investidores que convivo. Muito por causa da realidade que eu vivo aqui e que me trouxe questionamentos valiosos sobre como gerir meu negócio daqui para frente.
Detroit, como já mencionei nos primeiros textos, faliu. Perdeu 2/3 de sua população. Viu seu centro comercial definhar ao abandono junto com suas áreas residenciais. Abandono de empresas, pessoas, transporte público, dinheiro na forma mais básica. Sem dinheiro e pessoas, como organizar uma cidade? Ainda hoje há um vazio que se faz presente e que dá à cidade uma dinâmica pouco comum.
E são algumas iniciativas como a Rock Ventures, conglomerado que reúne financeira, imobiliária (a Quicken Loans, da foto que ilustra o texto) e investidora que está literalmente comprando todos os prédios vazios do centro e repovoando com suas empresas investidas. A prefeitura também está agindo, uma vez que trouxe uma equipe incrível a cargo do governo federal para participar ativamente da reconstrução da cidade.
Este programa nos abre todas as portas imagináveis e, em encontros com estas equipes, podemos ver de perto a iniciativa privada e a pública em esforços contínuos para trazer uma cidade que há anos figura entre as mais violentas do mundo de volta ao cenário competitivo. Comentário à parte: nunca me senti tão segura e Porto Alegre, infelizmente, tem muito que a melhorar também neste quesito. Só a Rock Ventures trouxe mais de 9 mil colaboradores para trabalhar em suas startups e empresas. A prefeitura de Detroit conta com a incrível Jill Ford, consultora especial sobre empreendedorismo e inovação, que tem a missão de firmar parcerias e pensar em políticas de incentivo para que as empresas fiquem na cidade.
Ver de perto toda esta história de ascensão e decadência, de abandono e de uma comunidade que ficou e acredita no potencial de Detroit, me fez perceber o quanto precisamos deste espírito e iniciativas em Porto Alegre.
Fica meu apelo à futura administração da cidade para olhar exemplos de fora e tentar encontrar soluções para nossa querida capital. É possível virar o jogo em um cenário pouco favorável e há muito empreendedor, dadas as devidas proporções, que comprova isso com força de vontade e crença em um propósito. Se precisarem de reforço, contem comigo para engrossar o coro de quem só quer se orgulhar do local onde vive - vi no dia a dia como precisamos deste espírito por aqui e quero fazer minha parte.
Semana que vem trago o relato da minha última semana de programa, continuem me acompanhando e obrigada!
Entenda o que Natália fez nos Estados Unidos:
Veja as colunas anteriores:
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