O professor participou de um evento organizado pelo Sebrae O professor participou de um evento organizado pelo Sebrae Foto: EDUARDO ROCHA/DIVULGAÇÃO/JC

Karnal aconselha presença de pessimistas em empresas

"O pessimismo não é ruim, ele apenas me dá uma noção de que tudo pode dar errado", disse, em palestra promovida pelo Sebrae

Leandro Karnal foi um dos palestrastes da 4ª edição do Seminário Desafios do Crescimento, realizado no auditório da Federasul e organizado pelo Sebrae RS em parceria com a Endeavor Brasil. Doutor em História Social pela USP e professor na UNICAMP, Karnal escreveu em autoria ou coautoria mais de 10 livros, sendo que alguns estão entre os mais vendidos do Brasil. É membro do conselho editorial de muitas revistas científicas do País, colunista fixo do jornal Estadão e tem participação semanal nas rádios e canais de TV do grupo Bandeirantes. Durante mais de uma hora, sua fala transitou por diversos temas, tratando da seriedade dos negócios sem perder o bom-humor.
Antes da apresentação de Karnal, o diretor geral da Endeavor Brasil, Juliano Seabra, abriu o encontro. O diretor fez uma rápida apresentação e destacou as mudanças que estão acontecendo e que os empresários precisam estar atentos. “Todo negócio vai ter, ou, vai ser de tecnologia”, sentenciou. Ainda apresentou ao público, Darci Schneid, da Sirtec, e Rafael Madke, da RPH, que expuseram um pouco de suas trajetórias a frente de suas empresas.
O professor Leandro Karnal, então, subiu ao palco cercado pela plateia, arrumando seu microfone. Brincou com o clima porto-alegrense, comparou a crise atual às que ocorreram no século passado e satirizou o que ouviu de dois grandes economistas na televisão. “Eles disseram que ‘talvez, é possível, existe a chance, há uma hipótese, que no horizonte nebuloso, ainda, a crise, talvez esteja, provavelmente, passando’”.
Entre os temas que relacionou ao empreendedorismo, Karnal iniciou abordando o pessimismo e o otimismo. “Pessoas que apostam apenas nos aspectos práticos fracassam como empresários – e como maridos ou esposas. O pessimismo não é ruim, ele apenas me dá uma noção de que tudo pode dar errado.” O professor aconselhou que todos tenham um pessimista em suas empresas e famílias. “No máximo um.”
Mas, para resolver qualquer coisa, é preciso otimismo. “Só o otimismo resulta em ação. Ao fazer o levantamento dos riscos de um novo negócio ouçam um pessimista. Depois afastem-no e trabalhem.”
Sobre a crise, destacou que todos estão suscetíveis aos seus desdobramentos, contudo, é num momento como esse que as possibilidades aumentam. “A crise separa o amador do profissional, estabelece quem tem competência, afasta quem veio a passeio para o mundo dos negócios.”
Indo mais a fundo, estabeleceu que a crise que passamos não é apenas econômica. Segundo o professor, houve um colapso de todos os sistemas gerais e a crise surge como “a grande inércia da humanidade”. Na composição desse pensamento também assinalou a importância de errar. “Nós erramos e tentamos de outra forma. É o trauma, diz Freud, que nos educa”, cita, brincando que quando tomamos um choque descobrimos um pouco sobre a condução da eletricidade. “Quem não aprende com os seus erros repete incessantemente. Errar é humano.”
Saindo da discussão sobre os momentos de turbulência econômica, Karnal pousou seu pensamento sobre o que chama de “zona de conforto” e como a mudança é primordial. “É muito importante pensar que: o que me abraça, me sufoca; o que me protege, me destrói”. Ele adverte que é preciso se reinventar sistematicamente e que tudo está em transformação permanente. “Há pessoas que decidem não mudar. O problema é que a mudança passa por elas”, observa. “A mudança é difícil, não mudar é fatal”, finaliza.
A relevância de ter uma estratégia também foi sustentada pelo professor. Entretanto, comentou que nós, brasileiros, somos muito mais reativos do que preventivos. “Pouca gente no Brasil faz checkup, a maioria faz cirurgia”, provoca. Lembrando Maquiavel e uma de suas obras, “O Príncipe”, explicou o conceito de “Virtù e Fortuna”. Enquanto Virtù é aquilo que cultivamos, são nossos conhecimentos e habilidades, aquilo que controlamos, Fortuna é o que não controlamos. “Todo mundo que fala de empreendedorismo ressalta a Virtù (eixo X). Quem fala de fatalismo ressalta Fortuna (eixo Y). Estou propondo um mundo em curva nessas duas coisas”, sintetiza.
Durante sua apresentação, Karnal também fez explanações - e criou metáforas - sobre esforço e trabalho, desenvolvimento do foco, (des)organização, felicidade, energia, determinismo, ética, entre outros. Terminou respondendo perguntas dos presentes e deixou um recado. “Não culpe ninguém, planeje, seja estratégico, invista em você, melhore e, acima de tudo, invista naquilo que realmente tem valor. A felicidade pode ir a qualquer lugar.”
Karnal em Porto Alegre
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