Márcia e Sandra, da Desenvolver, com Carlos Alberto Soares, da ONG Vitamore Marcia Gonçalves (ã esquerda) e Sandra Terezinha Figueiras, do projeto Desenvolver e Carlos Alberto Soares, da ONG Vitamore. Foto: Juliano Batista/Especial/JC

Empresa adapta obras para deficientes auditivos e visuais

A Desenvolver também presta diversos serviços voltados à acessibilidade para empresas

Você já imaginou chegar numa loja de roupas e encontrar as etiquetas de preços também em braile? Ou, ainda, ser atendido por uma pessoa que saiba se comunicar na língua de sinais? Pois vá imaginando. Graças a empresas com foco na inclusão, como a Desenvolver, situações como essas são possíveis. A Feira do Livro, por exemplo, tem assessoramento especializado para visitantes com alguma limitação.
Estima-se que no Brasil vivam mais de 45 milhões de pessoas que apresentam alguma deficiência. A Lei nº 8.213 de 1991 estabelece que empresas com mais de cem funcionários devem preencher de 2% a 5% das vagas com pessoas deficientes. Com a falta de fiscalização e, principalmente, interesse dos empregadores, o cumprimento dessa norma ficou de lado.
Há quase 10 anos, Márcia Gonçalves percebeu a necessidade de mudança desta realidade. Isto envolvia incluir as pessoas de modo adequado no mercado de trabalho, auxiliando as empresas e conscientizando a sociedade sobre a importância de um emprego e de qualificação. Assim, nasceu a Desenvolver, em 2007, uma empresa dedicada à inclusão de profissionais com algum tipo de deficiência no Rio Grande do Sul.
Desde 2011 na feira, a Desenvolver presta serviços. Entre eles, intérpretes da Língua Brasileira de Sinais para palestras e debates, garantindo acesso a boa parte das atividades, e auxílio para quem precisa de locomoção ou na compra de livros.
A Desenvolver atende também grandes empresas, como Luz da Lua, Grupo Herval e Unimed Vale dos Sinos.
O negócio atua no recrutamento, seleção, preparação de pessoas com deficiência para os cargos; acompanha e desenvolve planos de ação individualizados, que contam com visitas domiciliares; elabora e implanta programas de inclusão; trabalha no mapeamento de estruturas físicas para garantir a acessibilidade e promove treinamento de funcionários em libras e cursos de atendimento ao cliente com necessidades específicas.
O começo, segundo Márcia, é difícil. A maioria das empresas não percebe que responsabilidade social e lucro andam juntas. Ao proporcionar acessibilidade, o empregador passa a incorporar em seus clientes uma parcela do mercado que, infelizmente, ainda é ignorada por parte do comércio e dos prestadores de serviço. Essa clientela, por sua vez, tende a se fidelizar.
"Isso pode ser a saída da empresa em um momento de crise, por exemplo", diz a empresária.
Em uma pesquisa recente, produzida pela Desenvolver, constatou-se que, em um ambiente de trabalho em que há uma pessoa com deficiência inserida, os demais colegas tendem a se sentir mais motivados para trabalhar, por exemplo, faltando menos. A produtividade aumenta de maneira geral. Para a empresa, gera um reflexo direto da inclusão. E, ainda, a qualidade de vida de cada uma das pessoas com deficiência pode melhorar consideravelmente por isso. Ao se tornarem mais independentes e terem sua autonomia, elas podem alcançar uma noção de cidadania mais ampla.
"Essa transformação os torna produtores e consumidores, encontrando um lugar na sociedade que tanto os deixou de lado e lhes nega oportunidades de encontrar em si seus próprios seres sociais", avalia Márcia.
Os sonhos da empreendedora e de seus colaboradores são muitos. Eles têm cerca de 10 projetos planejados para o próximo ano. Além disso, pretendem formar parcerias com universidades e escolas técnicas, levando essa pauta para dentro da sala de aula e contribuindo para formar profissionais que já tenham um olhar diferenciado sobre a causa.
Com cerca de 20 projetos em andamento, atualemnte, em uma cartela de clientes que gira em torno de 120 empresas, o intuito é tornar mais ativa uma legislação inovadora e inclusiva. Dessa forma, segundo Márcia, será possível tornar a contratação de pessoas com deficiência um hábito e não uma obrigação ou uma caridade.
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