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Porto Alegre, terça-feira, 29 de novembro de 2016. Atualizado às 21h49.

Jornal do Comércio

Panorama

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música

Notícia da edição impressa de 30/11/2016. Alterada em 29/11 às 18h58min

Álbum com canções inéditas de Adoniran Barbosa já está à venda em todo país

Ney Matogrosso foi um dos convidados a dar voz as canções inéditas

Ney Matogrosso foi um dos convidados a dar voz as canções inéditas


JC
Um tesouro do samba paulistano foi encontrado recentemente. Produtores e pesquisadores da vida e da obra de Adoniran Barbosa (1910-1982) tiveram acesso a 14 canções inéditas do compositor de Saudosa maloca e Trem das Onze. Cantores como Ney Matogrosso e Criolo foram convidados a dar voz a essas canções, que agora estão disponíveis na internet e no boxe (com CD e DVD) Se Assoprar, posso acender de novo, já à venda nas lojas.
A história sobre essas canções inéditas começa com o cineasta Pedro Serrano, que escreveu e dirigiu o curta-metragem Dá licença de contar. "Ouvindo as canções do Adoniran, eu tinha vontade de contar a história narrada nas letras, que são muito visuais. No meio do processo, resolvi contar a história de vida dele", explica Serrano.
Com o cantor e ator Paulo Miklos no papel de Adoniran, o curta fez sucesso por onde passou e começou a abrir caminhos para produções maiores sobre o compositor paulista. "De início, achamos que a produção seria rejeitada em outros estados. Pensamos que só São Paulo tinha uma ligação mais forte com Adoniran", conta o produtor Cássio Pardini.
Eles acabaram recusados no Festival de Curtas em São Paulo, mas participaram do Festival de Gramado, do Festival do Rio e foram premiados na Espanha. "Percebemos, então, que o Adoniran era do mundo! O curta deu credibilidade para falarmos com a família e os amigos dele, e logo vimos a necessidade de fazer um documentário biográfico também", conta Pardini.
No meio dessa pesquisa, um amigo de Adoniran ainda vivo, que trabalha na rádio Eldorado -lugar bastante frequentado pelo sambista -, disse ao produtor que havia canções inéditas guardadas. "Encontrei a editora que estava com esse material e liguei para a filha dele, Maria Helena Rubinato, para confirmar se o material era mesmo oficial. E ela me confirmou que sim."
Com a prova em mãos, Pardini convocou o produtor musical Lucas Mayer para saber o que fazer com as músicas. "A gente se deparou com esse problema. Temos um tesouro em mãos, mas quem vai interpretar isso? O Adoniran tinha um jeito de cantar que era só dele", lembra.
Como teste, Mayer e Pardini decidiram enviar uma canção a Ney Matogrosso. Escolheram a faixa Passou. "Ele nos ligou dizendo que a música estava muito rápida, que era para ser mais lenta, porque era triste. Acabou quase um bolero", diz Pardini.
Foi na mosca, outro destaque, é uma canção sobre o sujeito que cai de amores por uma mulher de olhos verdes na fila do ônibus. Simoninha dá uma interpretação suingada, que poderia lembrar até as canções praianas de seu pai, Wilson Simonal, mas o lado de cronista paulistano de Adoniran transborda na letra repleta de nomes de bairros de sua cidade.
No total são mais 14 pérolas preciosas ao cancioneiro de Adoniran. O processo de gravação das canções e as entrevistas feitas com esses artistas foram registrados no DVD que acompanha o disco. As músicas e trechos desses vídeos estão no site Adoniran Barbosa.
A partir do curta-metragem, nasceram novos projetos em homenagem a Adoniran Barbosa. Um longa, um documentário e uma exposição estão a caminho para 2017.
O filme parte da ideia do curta, que tem como personagens principais Adoniran Barbosa (Paulo Miklos), Mato Grosso (Gero Camilo) e Joca (Gustavo Machado), personagens citados na letra de Saudosa Maloca. Já o documentário e a exposição também estão em processo de construção, e irão foca na vida do compositor.
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