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Porto Alegre, quarta-feira, 14 de setembro de 2016. Atualizado às 19h14.

Jornal do Comércio

Panorama

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Em Cena

Notícia da edição impressa de 15/09/2016. Alterada em 14/09 às 17h10min

Com espetáculo 'Nós', grupo Galpão se apresenta em Porto Alegre

Grupo Galpão prepara uma sopa durante a peça Nós

Grupo Galpão prepara uma sopa durante a peça Nós


GUTO MUNIZ/DIVULGAÇÃO/JC
Michele Rolim
Um dos grupos mais importantes do País, a companhia mineira Galpão aposta em um espetáculo mais "contemporâneo" em sua nova peça, intitulada Nós. Ela inclui a preparação, no palco, de uma sopa.
A montagem alia as experiências voltadas ao teatro popular e de rua, características marcantes do grupo, ao estilo do diretor Marcio Abreu (da Companhia Brasileira de Teatro), reconhecido por sua proposta vanguardista voltada para a encenação e a dramaturgia contemporânea. A peça ocorre hoje e amanhã, às 21h, no Theatro São Pedro (Praça Mal. Deodoro, s/nº), e integra a programação do Porto Alegre em Cena deste ano.
A história acontece a partir do preparo de uma refeição comum (uma sopa, realmente feita ao longo da peça), na qual os sete atores - Antonio Edson, Chico Pelúcio, Eduardo Moreira, Júlio Maciel, Lydia Del Picchia, Paulo André e Teuda Bara - se reúnem para saborear "a última sopa" (referência ao termo last supper - última ceia).
Segundo o ator e fundador do grupo, Eduardo Moreira, o Galpão trabalha ao longo dos seus 34 anos com diferentes convidados desenvolvendo a prática de adaptação de linguagens e novos experimentos.
Em 2014, Marcio Abreu foi convidado para a direção de Nós. Ele provocou questões para definir o caminho do texto e da encenação: "O que podemos fazer juntos? De que maneira respondemos ou reagimos ao mundo como ele nos chega hoje?" eram perguntas recorrentes durante os ensaios. "A forma dos textos é tão fundamental quanto o conteúdo. Assim, podemos encontrar uma zona de diálogo mais intenso entre nós e o mundo lá fora", diz Abreu.
Moreira, que assina a dramaturgia ao lado de Abreu, explica que o espetáculo tem uma dimensão política, mas aqui o político deve ser entendido também de uma forma mais ampla, que inclui possibilidades de convívio das diferenças e a relação entre o público-privado. Assuntos como democracia em tempos de intolerância e a crise da esquerda também estão presentes, apesar de o espetáculo ter começado antes do impeachment de Dilma Rousseff.
Também ganha destaque o caráter performático da encenação, uma das características do trabalho de Abreu. "Tem um elemento bastante forte de presença no aqui e agora, que faz com que a linguagem oscile entre o teatro e a performance", afirma Moreira, apontando elementos como a preparação da sopa durante o espetáculo que, depois, é compartilhada com o público. Também há ausência de nomes dos personagens - uma forma de dizer ao espectador que, apesar de existir uma mediação da ficção no palco, há um momento presente, a realidade, que pode ser interrompida a qualquer instante.
O resultado dessa parceria agradou tanto que, para comemorar os 35 anos da trupe, Marcio Abreu irá dirigir outra montagem do grupo ainda sem nome. Também haverá, para as comemorações, uma mostra de repertório que inclui as cincos última peças do Galpão: Nós (2016), De tempo somos - Um sarau do Grupo Galpão (2014), Os gigantes da montanha (2013), Tio Vânia - Aos que vieram depois de nós (2011) e Till - A saga de um herói torto (2009).
Criado em 1982, o grupo desenvolve um teatro que alia rigor, pesquisa e busca de linguagem, calcado sempre no trabalho coletivo. Sediado em Belo Horizonte, o Galpão é um dos grupos brasileiros que mais viaja, não só pelo País como também pelo exterior. 
Além dos espetáculos, a companhia propõe também uma permanente reflexão que inclui o espaço Galpão Cine Horto, um centro cultural criado em 1998 e aberto à comunidade.
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