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Entrevista Notícia da edição impressa de 03/07/2012

Brant defende o empreendedorismo cultural

Michele Rolim

JARBAS OLIVEIRA/DIVULGAÇÃO/JC
Leonardo Brant, expoente em economia criativa, participa de seminário em Porto Alegre
Leonardo Brant, expoente em economia criativa, participa de seminário em Porto Alegre

O pesquisador cultural e empreendedor criativo Leonardo Brant chega a Porto Alegre para falar nesta terça dentro Seminário Internacional de Gestão Criativa em Artes Cênicas, que acontece às 20h, no Teatro Renascença (Erico Verissimo, 307), com entrada franca. A programação completa pode ser consultada no site www.maisteatro.blogspot.com.br.

Sócio da Brant Associados, empresa voltada para o desenvolvimento e planejamento cultural para empresas patrocinadoras, organizações culturais e empresas de mídia, é também autor do livro O poder da cultura (Peirópolis, 136 págs., R$ 30,00) e fundador do site Cultura e Mercado, que serve de referência e informação para quem produz, pesquisa, divulga, desenvolve políticas, avalia e financia cultura.

Brant atua como provocador, com textos reflexivos a respeito da produção cultural no Brasil, e é considerado um dos expoentes quando o assunto é “economia criativa”, baseada em setores ligados às artes e à cultura e em novas formas de gestão de negócios. 

Para ele, o empreendedorismo cultural é elemento fundamental para o País. Em entrevista, ele afirma que o maior problema enfrentado pelos produtores de artes cênicas é a falta de profissionalismo.

JC - Panorama - No Brasil, muitos profissionais do teatro acabam dando aulas ou cursos para poder viver das artes cênicas. Essa situação ainda é comum?

Leonardo Brant - É uma prática muito comum no Brasil e em muitos outros lugares do mundo. Quanto mais distante do mercado, mais o artista precisa lançar mão de outras formas de subsistência. Geralmente isso parte de uma escolha do artista, tanto em relação ao tipo de teatro que realiza quanto das suas características e habilidades pessoais em relação aos negócios. Um artista-empreendedor, por exemplo, fica menos dependente de convites e de situações externas para desenvolver a sua carreira. Ele parte para o mercado, faz alianças, conquista espaço para apresentar o seu teatro. 

Panorama – Atualmente, qual o maior problema enfrentado pelos produtores de artes cênicas?

Brant - Não tenho dúvidas que é a falta de profissionalismo. O Brasil está na ponta da indústria do entretenimento, é um dos mercados que mais cresce no mundo. Mas nosso mercado é muito desigual. Temos técnicos e artistas de altíssimo nível convivendo com outros que não detêm as ferramentas básicas para o desenvolvimento de um trabalho profissional. Isso acaba comprometendo o trabalho de todos e influenciando negativamente a percepção da sociedade em relação às artes cênicas como um todo.

Panorama - Qual o papel do Estado em relação ao acesso das pessoas ao serviço cultural? Como você avalia as leis de incentivo vigentes?

Brant - O Estado precisa garantir a todos acesso à cultura e condições para o desenvolvimento do indivíduo, com espírito crítico e capacidade de compreensão do mundo. Para isso, precisa investir muito dinheiro em infraestrutura (não somente em centros culturais, bibliotecas, teatros, cinemas, mas em sua programação). E precisa investir também em pesquisa, para que artistas possam dedicar-se à busca de formatos e linguagens inovadores, além de recuperar o conhecimento e a memória do nosso processo civilizatório. Precisa também incentivar o empreendedorismo e regular o mercado, para que tenhamos uma indústria cultural forte, que atenda aos interesses do País na arena global. Tudo isso hoje está jogado num caldeirão único, das leis de incentivo, que coloca o museu contra o pesquisador e a indústria contra o empreendedor. O próprio governo alimenta, histórica e demagogicamente, essa disputa, fabricando uma luta de classes dentro do próprio setor. Governar sob um setor desunido e desagregado é muito mais fácil. E faz com que a política pública atue por demanda, sirva ao clientelismo e ao favorecimento de igrejinhas que lutam por interesses corporativos. Falta uma solução global para potencializar a cultura como política pública.

Panorama - Quais os elementos necessários para se constituir uma cadeia produtiva consistente de artes cênicas? O que faltaria em Porto Alegre, tens conhecimento?

Brant - O Brasil é um país capitalista. Tem um dos capitalismos mais vorazes e selvagens do planeta. Precisamos formar consumidores de cultura assim como formamos consumidores de linha branca e automóveis. Para isso é preciso inserir o teatro no processo de formação dos cidadãos, incentivar o consumo e prática do teatro, assim como de outras áreas culturais, complementares, como cinema, leitura, dança e artes visuais. Com demanda para os processos criativos, basta termos profissionais capacitados para atende-la e ampliar o alcance da produção cultural. Isso passa pela educação, pelo estímulo ao empreendedorismo e por todas as dimensões de investimento que falamos anteriormente.

Panorama - Como as novas mídias contribuem para o empreendedorismo nas artes cênicas? Quais as estratégias utilizadas para ir além da divulgação, e muitas vezes, conseguir retorno financeiro para projetos?

Brant - Não gosto de pensar na internet e nas tecnologias de informação e comunicação como “novas mídias”. Os meios de comunicação tradicionais se esforçam para fazer desse campo mais um território de apropriação e de difusão de imagens e mensagens da indústria cultural. Penso estarmos diante de possibilidades mais amplas, de revisão de modelos de negócios e ampliação do protagonismo, de conquista de espaço no mercado por empreendedores criativos. Hoje é possível publicar um livro sem editora e distribuidora. Com a indústria fonográfica e audiovisual acontece o mesmo. Por ser uma atividade presencial, o teatro não se valeu das tecnologias da era industrial, pois sua experiência não podia ser replicada nem reproduzida. Por outro lado, vejo o teatro como a fonte mais completa para o exercício pleno das possibilidades da produção transmídia. Um bom espetáculo pode virar livro, sua trilha sonora um CD, pode ser retratado em filme, seus direitos autorais podem se transformar em uma infinidade de possibilidades de exploração comercial, inclusive industriais. Vejo o teatro ganhar muita força com isso.

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