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QUALIDADE Notícia da edição impressa de 16/04/2012

Jovens levam experiência coletiva urbana ao PGQP

Mayara Bacelar

ANA PAULA APRATO/JC
Luciano Braga conta a experiência exitosa com amigos à frente do movimento Shoot the Shit
Luciano Braga conta a experiência exitosa com amigos à frente do movimento Shoot the Shit

A insatisfação com a impossibilidade de aplicar livremente suas ideias no ramo publicitário e a vontade de fazer de Porto Alegre uma cidade melhor para se viver levou três jovens publicitários a criar e difundir ações urbanas que chamam a atenção da população e do poder público. Batizado de Shoot the Shit, o movimento criado há dois anos e liderado por Luciano Braga, 27 anos, Giovani Groff, 27 anos e Gabriel Gomes, 22 anos, já espalhou cartazes e até jogou golfe nos buracos das ruas da Capital. As ações ganharam repercussão e. no dia 24 de abril, os três serão palestrantes da 48ª Reunião da Qualidade, promovida pelo Programa Gaúcho da Qualidade e Produtividade (PGQP). O publicitário Luciano Braga revela que é um desafio falar para um público de empresários, mas acredita que as ações executadas podem servir de exemplo para o ambiente corporativo.

Jornal do Comércio - O que é e como começou o movimento Shoot the Shit?

Luciano Braga
- O Shoot the Shit é formado por mim, pelo Gabriel Gomes e pelo Giovani Groff, somos só nós três. É um coletivo que quer transformar a cidade de Porto Alegre em uma cidade melhor, através de ações, de qualquer coisa que a gente pense e que possa agregar algo à cidade, seja melhorar uma rua ou mudar a mentalidade das pessoas. Pode ser uma ação subjetiva, mas que faça as pessoas pensarem, ou pode ser algo como a ação das paradas de ônibus (Que Ônibus Passa Aqui), que é sobre um assunto mais específico para fazer alguém, como, por exemplo, a prefeitura, realizar algo. É algo que fazemos no nosso tempo livre, não é um emprego, mas um hobby. Não temos dinheiro para investir. Até hoje, em todas as ações, a gente não gastou mais do que R$ 200,00. Menos essa das paradas de ônibus, em que fizemos um projeto de financiamento coletivo para conseguir dinheiro, mas o resto  foi tudo do nosso bolso. E a nossa ideia é sempre fazer ações do bem, melhorar a cidade, as pessoas e o nosso entorno como um todo.

JC - Quais as principais ações que foram executadas até agora?

Braga
- Fizemos o Paraíso do Golfe, em que a gente jogou golfe nos buracos da cidade para alertar sobre esse problema. Também realizamos o Poa Precisa, em que fizemos estêncil (técnica de aplicação de tinta que usa formas feitas de papel ou acetato) em muros perguntando o que a cidade precisava, e o Que Ônibus Passa Aqui, em que colamos adesivos nas paradas de ônibus para as pessoas escreverem que ônibus passa naquele lugar. É uma coisa bem colaborativa, um adesivo com a pergunta “Que ônibus passa aqui?” e as pessoas podiam escrever. Só que a gente não tem dinheiro para fazer isso em todas as paradas da cidade, por isso fomos no Catarse, que é um site de financiamento coletivo e pedimos a ajuda da galera, porque precisávamos de R$ 7 mil.

JC - Vocês conseguiram arrecadar essa quantia?

Braga -
A gente estava com R$ 1,5 mil quando a EPTC (Empresa Pública de Transporte e Circulação) avisou que ia fazer (a indicação de que ônibus passa em cada parada). Eles viram que a gente estava se mobilizando e disseram que fariam do jeito certo. Porque na verdade, não se pode colar cartazes nas paradas e as pessoas podiam dar informação errada. A EPTC nos disse que a ideia era muito boa, mas que teria que ser feita do jeito deles. Então, estamos conversando com eles, fazendo os adesivos e em algum momento, acho que em abril, já vão estar em algumas paradas os adesivos com informações impressas.

JC - Qual a dinâmica do movimento? Como vocês decidem que ações realizar?

Braga
- A gente se reúne uma vez por semana mais ou menos, mas não paramos a nossa vida por causa disso, até em função do trabalho. E nos reunimos, conversamos, jogamos as ideias na mesa, vemos que caminhos podemos seguir. Quando temos uma ideia e gostamos dela, vemos o que falta para essa ideia ser feita. Quando a gente acha que a ideia está pronta a gente vai lá e faz, tem vezes que demora seis meses para conseguir colocar isso na rua, mas outras coisas em um mês a gente consegue fazer.

JC - Até agora, qual o balanço que você faz das ações que já foram realizadas?

Braga -
O balanço não pode ser mais positivo. Conseguimos, só nessa última ação, mobilizar a EPTC, a cidade, ou seja, a gente vai realmente causar uma melhoria na cidade. Três gurizões conseguirem isso... Eu não esperava quando a gente começou. Sem contar que com o Paraíso do Golfe saímos em tudo quanto é jornal, na TV. O balanço é positivo, todo mundo está entendendo o que estamos fazendo e abraçando a causa.

JC - Como você acha que esse tipo de articulação pode ser inserida dentro das empresas?

Braga -
No âmbito interno, eu acho que se pode fazer pequenas coisas no ambiente de trabalho, seja para mudar o humor das pessoas que trabalham na empresa, seja no ambiente mesmo. Uma mesa toda trabalhada com design, por exemplo, é muito melhor que uma mesa qualquer. A pessoa se sente mais à vontade de trabalhar. Querendo ou não, a gente faz isso na cidade. Nós usamos uns postezinhos que parecem um cigarro na rua e botamos uma mensagem sobre que fumar era ruim. E ninguém via aquilo como um cigarro, e as pessoas passaram a ver. Então, é possível transformar, dentro da empresa, coisas que melhoram a produtividade das pessoas. Um ambiente melhor, uma mudança de consciência sobre o ambiente que essas pessoas trabalham influencia no movimento da empresa para fora. Uma empresa que apoia um projeto como o nosso, por exemplo, é o nome dela que está ali fazendo o bem, vinculado a uma atitude legal.

JC - Vocês fizeram esse movimento como publicitários e cidadãos insatisfeitos. Acham que essa demanda, nas empresas, pode vir dos funcionários?

Braga
- Acho que não se pode esperar que só o prefeito, o presidente ou o CEO da empresa perceba os erros, eles também não podem cuidar de tudo. Quando as pessoas tiverem consciência de que também podem fazer melhor, se empenhar e não só esperar por uma solução, vão ver que todo mundo sai ganhando. Com a ação das paradas de ônibus, a gente avisou a prefeitura de uma necessidade e a população aceitou, viu que era certo. E eles foram lá e resolveram. Se a gente não fizesse nada, eles não ficariam sabendo e a gente continuaria reclamando da não existência dessa sinalização. Então, eu acho que também funciona muito bem debaixo para cima, as pessoas encontram problemas que quem está lá em cima não enxerga.

JC - Como vocês estão avaliando a participação no encontro do PGQP, que é um ambiente que prima pela qualidade e produtividade, enquanto vocês atuam principalmente com a criatividade?

Braga -
A gente está encarando como um desafio porque é um público diferente do que estamos acostumados a falar. Demos duas ou três palestras e sempre falamos para o pessoal da comunicação, que já conhecia a gente, está conectado às redes sociais e à internet. Talvez para esse público empresarial a gente tenha que adaptar um pouco os termos que a gente vai usar.

JC  - Você acredita que os empresários estejam se atentando a novas ações e dando um reconhecimento ao movimento Shoot the Shit?

Braga
- É um reconhecimento, e eles estão vendo que podem beber de outras fontes e agregar para seu nicho novas ideias. Vi que nas fotos de quem vai palestrar estão todos de terno e gravata e nós somos apenas uns gurizões. É legal ver essa diferença e ver que podemos agregar alguma coisa a eles. Então, estamos felizes em ter sido chamados, a gente quer atingir um outro público, na verdade queremos falar para todo mundo.

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