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Aviação Notícia da edição impressa de 09/01/2012

Aeroporto Salgado Filho terá edital em um mês

Patrícia Comunello

INFRAERO/DIVULGAÇÃO/JC
Enquanto a extensão da pista não começa, aeroporto tem outras obras, como o terminal de cargas
Enquanto a extensão da pista não começa, aeroporto tem outras obras, como o terminal de cargas

O tempo está se esgotando para os comandos do Aeroporto Internacional Salgado Filho e da Infraero no Estado. Uma das apostas para qualificar o aeroporto para a Copa do Mundo de 2014, a ampliação da pista, ainda depende da conclusão do projeto executivo pelo Exército para poder ser levada à licitação. O superintendente do Salgado Filho, Jorge Herdina, espera que em fevereiro o edital seja finalmente lançado, o que projetaria a contratação da empresa para dar início à obra em maio. A execução é estimada em 18 meses. O projeto elevará o comprimento dos atuais 2,28 mil metros para 3,2 mil metros e permitirá pousos e decolagens de aeronaves de maior porte, tanto para transporte de passageiros como para cargas.

"Nosso ritmo não parou na virada do ano. Precisamos ganhar todos os tempos", sinaliza o gestor, que em dezembro previu que os estudos estariam prontos para dar a largada na concorrência em janeiro. "A informação da Infraero em Brasília é de que os estudos que faltam serão entregues neste mês. Após, sai o edital", afiança Herdina. O Exército trabalha no projeto desde 2010. Na metade do ano passado, a expectativa de que o edital seria aberto foi frustrada devido à mudança no método construtivo. A prometida obra já passou por outros adiamentos.

Neste momento, uma das poucas obras de investimento em andamento é a do terminal de cargas, cujo término é esperado para março de 2013. Também deve ser completada em 2012 a instalação dos novos equipamentos de navegação para dias com nevoeiro. O ALS já está em implantação e o ISL está sendo orçado. No fim de 2011, foi ativado o Módulo Operacional Provisório (MOP) no Terminal 1, que elevou o processamento da área de 6,5 milhões de pessoas para 8 milhões ao ano. Somado ao 1,5 milhão do Terminal 2, o Salgado Filho ostenta hoje 9,5 milhões de capacidade. Outro 1 milhão de fluxo anual será acrescido no Terminal 2 neste mês.

O superintendente explica que os técnicos militares migraram para a substituição de solo, em vez de adensamento. "No sistema anterior, o aterro teria de ficar um ano em descanso. Agora a pista também terá uma elevação para livrar obstáculos, como prédios mais altos. Sem isso, não poderia fazer a ampliação, já que houve ocupação do entorno." O ajuste encurtará em um ano o tempo de execução, o que asseguraria a nova condição de infraestrutura até a Copa, acredita Herdina. No orçamento da regional Sul da estatal para 2012 já estariam reservados R$ 76 milhões para a pista. Os cerca de R$ 150 milhões para completar a estimativa de custo de R$ 230 milhões (o valor pode ainda ser alterado para mais ou para menos) teriam de ser alocados no orçamento de 2013.

Segundo Herdina, a concorrência pode ser agilizada com o uso de alguns expedientes do Regime Diferenciado de Contratação (RDC), que alterou procedimentos da Lei 8.666, norma-mor das licitações públicas no País, em 2011. O governo Dilma propôs a mudança para evitar atrasos nos projetos da chamada Matriz de Responsabilidades do Brasil para o Mundial. Porto Alegre, uma das 12 subsedes, tem no pacote, além das melhorias no aeroporto, a reforma do estádio Beira-Rio, palco oficial dos jogos, mas que ainda aguarda a assinatura do contrato entre o Internacional e construtora Andrade Gutierrez e mais dez intervenções em mobilidade urbana e monitoramento de sistemas de tráfego. Parte das obras viárias está licitada, mas sem contratações.

O RDC terá pouco influência na pista pois o projeto executivo, que define especificações da obra para posterior orçamento, está sendo elaborado. O regime dispensaria esta etapa transferindo o detalhamento para o vencedor do certame. O superintendente pondera ainda que não bastará aumentar a extensão. "O sistema tem de ser pensado como um todo", adverte. Para ampliar a capacidade de operação, terá de ocorrer a ampliação do Terminal 1 e o aumento de vagas no pátio de manobras das aeronaves, medida que permitirá mais pousos e decolagens diários e com aviões com 400 passageiros. Herdina esclarece que as ampliações são alvo de estudos contratados desde 2011. "A meta é fazer o aumento da área de forma escalonada. Para 2014, pensamos em elevar para mais 4,5 milhões de fluxo no Terminal 1", adianta o superintendente. Neste ano, o aporte reservado para dar a largada à obra seria de apenas R$ 4,5 milhões. "Se começarmos em novembro, darei pulos de alegria", valoriza o gestor. O montante para uma primeira fase não foi calculado ainda.

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