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literatura Notícia da edição impressa de 05/01/2012

Crianças à margem do cinema

Priscila Pasko

ARQUIVO PESSOAL JOÃO BATISTA MELO/DIVULGAÇÃO/JC
João Batista Melo lança livro sobre filmes para o público infantojuvenil
João Batista Melo lança livro sobre filmes para o público infantojuvenil

Somente após escolher o tema de sua tese de mestrado na Unicamp, em 2004, que João Batista Melo percebeu que a pesquisa sobre filmes infantis brasileiros não ocupa um lugar de destaque no Brasil. “O tema é praticamente não explorado.” Foi a partir daí que nasceu o livro Lanterna mágica (Civilização Brasileira, p.210), que traça um panorama dos primórdios do cinema infantil, no século XX, até os dias de hoje. O produtor e diretor dos filmes infantis As fadas da areia e Tampinha conversou com o Jornal do Comércio sobre seu trabalho.
 
JC - Panorama - Por que foi tão difícil encontrar o material necessário para fazer esta pesquisa?

João Batista Melo - Não sei se a palavra seria exatamente esta, mas existe um preconceito contra a produção cultural para a criança, não só no cinema, mas em outras áreas. É um tipo de arte considerada menor. Na literatura, por exemplo, existe uma unanimidade de que Monteiro Lobato (1882 - 1948) foi o principal escritor brasileiro para criança, porém, quando se fala em literatura de modo geral, ele sequer é lembrado. Isso também acontece nos festivais de cinema, ainda que estejam surgindo festivais voltados ao público infantil, o que considero fundamental. Por outro lado, outros festivais têm criado categorias de filmes para crianças. Normalmente estes eventos excluem os filmes infantis. Tem exceções, mas tenho constatado isso com certa frequência. Se o filme é infantil, é destinado para as crianças e não para os jurados.

Panorama - Onde a dificuldade começa?

Melo - No Brasil, a bilheteria não consegue trabalhar com a geração de recurso apenas da bilheteria, dependemos muito ainda do apoio estatal. Este preconceito pode acontecer no momento em que, no processo seletivo, dois projetos disputam o mesmo recurso. Não posso afirmar que isso aconteça, mas existe tendência de que o projeto adulto seja considerado mais sério e mais passível de ser selecionado. Além disso, a concorrência das produções norte-americanas é muito forte. A prática de a criança assistir a um filme brasileiro ainda não é algo tão forte quanto à produção Hollywoodiana. O filme infantil - além de ser fonte de entretenimento e fonte de enriquecimento cultural - tem papel educativo, pedagógico e de criação de hábito cultural.

Panorama - Como é a realidade em outros países?

Melo - Existem países com forte incentivo de produção infantil. O mais radical é na Dinamarca, onde toda a produção tem apoio estatal, e, por lei, 25% da produção de cinema tem que ser voltada para o público infantojuvenil. Já no Brasil, de todos os filmes produzidos desde o início do século XX (3.898), apenas 2% eram de filmes infantis, sendo que 1% destes são produções de Xuxa e Renato Aragão. Inclusive, eu teço várias restrições a eles, mas um mérito eu reconheço: o de responder pela metade da sensibilização da criança brasileira para a produção nacional.

Panorama - Que restrições são essas?

Melo - A primeira delas é que nos filmes da Xuxa e Renato Aragão o personagem principal não é uma criança, os desafios são resolvidos por adultos. As crianças têm papel coadjuvante. A segunda restrição é que os dois são originários da televisão e levaram para o cinema infantil a bagagem cultural, mercadológica do veículo. Além disso, também há o tipo de construção de personagens, a relação muito forte com a venda - não que ele não possa ter, mas quando é agressivo, a situação torna-se complicada. Principalmente nos filmes da Xuxa, o foco é muito forte no personagem principal.

Panorama - Que características seriam ideais para  um filme infantojuvenil?

Melo - Qualquer coisa que chegue à criança, por estar em processo de formação, cumpre papel pedagógico. Neste sentido, um filme de qualidade tem que transparecer tal preocupação, de que as coisas que estão sendo oferecidas vão ajudá-la a crescer. Um filme infantil ideal resga uma linha que existe na literatura infantil: há uma criança que precisa enfrentar um problema e cresce depois deste enfrentamento.

Panorama - Hoje, muitos adultos acompanham os filhos nas sessões de animações e filmes infantis e se divertem tanto quanto as crianças. Este tipo de filme mudou?

Melo - Temos duas situações. Em busca de maior audiência, produções que eram originalmente destinadas a crianças estão incorporando elementos de interesse do adulto, o que pessoalmente acho nocivo. Outra situação é de filmes feitos para criança, mas que são feitos com tanta qualidade que atraem os adultos. Este é o ideal. C.S. Lewis (1898 - 1963), autor de As crônicas de Nárnia, dizia que livro infantil só é bom se agradar um adulto. O mesmo vale para os filmes sem que ele precise abrir mão da fidelidade à criança.

Panorama - A falta de produção espalha o tratamento que o Brasil dá à criança?

Melo - Tem a ver. No Brasil é muito forte este descaso com a arte voltada ao público infantil, esta falta de prioridade dada à criança no País.

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