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Literatura Notícia da edição impressa de 26/12/2011

O pampa de ficção e história de Aldyr Garcia Schlee

Ricardo Gruner, especial JC

editora ARDOTEMPO/DIVULGAÇÃO/JC
Com Don Frutos, Aldyr Garcia Schlee venceu Açorianos de narrativa longa
Com Don Frutos, Aldyr Garcia Schlee venceu Açorianos de narrativa longa

O ano de 2011 não deixou a desejar para Aldyr Garcia Schlee. O escritor jaguarense teve pelo menos cinco motivos para comemorar: suas obras Contos de futebol, Contos de verdades (prêmio Açorianos de Literatura de 2001) e Uma terra só (Prêmio II Bienal Nacional de Literatura de 1984) ganharam reedição pela ARdoTEmpo; e o autor ainda esteve envolvido com o lançamento de Dom Segundo Sombra, trabalho de Ricardo Güiraldes em que atua como tradutor, elabora notas e apresenta um elucidário dos termos utilizados. Por fim, seu mais recente romance (ou antir-romance, como o próprio Schlee sugere), Don Frutos, publicado em 2010, foi recentemente anunciado vencedor do Prêmio Açorianos de narrativa longa.Ao mesclar ficção e realidade, ele conta e divaga sobre o final da vida de José Frutuoso Rivera (1788-1854), o Primeiro Presidente Constitucional do Uruguay. Em entrevista por telefone, o escrito relembra o processo de criação de tal obra, desde a fase de pesquisa até as dificuldades para a publicação, e ainda fala sobre o futuro próximo.

JC - Panorama - Don Frutos é resultado de 50 anos de pesquisa. Como foi esse processo?

Aldyr Garcia Schlee - A ideia de escrever o livro não é tão antiga, o material que eu comecei a juntar, sim: era para uma pesquisa que estava fazendo quando dava aula de Direito Internacional. Passei umas férias em Montevidéu estudando a respeito do imperialismo lusitano na primeira metade do século XIX, com a exploração da Província Cisplatina. Eu me interessei por questões relacionadas às guerras e ao domínio sobre o território que viria a ser o Uruguai. Quando tirei a limpo, também por documentação, que o Rivera estivera, no último ano de sua vida, em Jaguarão, pensei em escrever uma história.

Panorama - E por que escrever um romance, e não um livro de finalidade didática?

Schlee - Sou um ficcionista. Quando abandonei a documentação que eu tinha, que era para ser usada em aula, já foi com a finalidade de utilizar em uma obra que pudesse conter documentos verdadeiros e documentos falsos, na construção não de uma biografia, não de um romance histórico, mas uma espécie de antirromance. Uma brincadeira com o leitor, uma brincadeira muito séria, propondo-lhe uma verdade que não é tão certa assim. Como, aliás, é sempre na vida.

Panorama - Quais foram as dificuldades enfrentadas ao trabalhar neste enredo?

Schlee – A pesquisa contou com a ajuda de muita gente, particularmente do uruguaio Amilcar Brum, que largou tudo para estudar no Arquivo Nacional, então já chegou digerida. É verdade que tive de trabalhar sobre ela: para recriar a linguagem do Rivera, como falava e escrevia, eu tinha que ter em mãos as cartas que ele mandou para a mulher, amigos, autoridades. Ele semianalfabeto e, entretanto, tinha uma linguagem rica, tinha noção do francês, do português e inglês. Tecnicamente se diz que seria pré-silábico, não escrevia palavra por palavra, juntava sílaba tônica com a átona da seguinte. Tive que decifrar isso para, a partir daí, escrever textos do modo como ele escrevia. Nesse sentido, o livro traz uma recriação semântica, fonética e até morfológica.

Panorama - Como as editoras reagiram?

Schlee - Inicialmente, fui convidado por uma editora e mandei o livro para outra. Ambas demoraram mais de seis meses para dar uma resposta, o que é normal. De uma delas, veio um texto dizendo que consideravam um livro excepcional, muito importante inclusive para a América Latina. Mas, considerando que eu já tinha mais de 65 anos (estou com 77 agora), tinham de analisar os ganhos e as perdas possíveis. Era um livro grande, de edição difícil, custoso. E na relação entre o que podiam ganhar e perder, não havia interesse em aplicar os recursos deles. Com a outra, ocorreu um impasse entre a forma que eu dei o livro (e que está editado) e como a editora exigia. Queriam que a tipologia, a variedade de fontes que eu usei para caracterizar documentos, cartas e lembranças, fosse unificada de acordo com o padrão da editora. Não concordei, e propuseram que eu tirasse boa parte da documentação. Foi muito chato para mim, porque eles não tinham entendido o significado do livro. Agora estou muito satisfeito, escapei de editores burros, incompetentes e pouco sensíveis, e sou muito feliz por alguém ter acreditado e confiado na obra.

Panorama - Alguns de seus livros também foram relançados e há também uma tradução que você fez para Dom Segundo Sombra, de Ricardo Guïraldes. 

Schlee - O (Alfredo) Aquino (responsável pela ARdoTEmpo) viu que havia muita procura dos meus livros esgotados, principalmente nas universidades. Paro o ano que vem ele vai continuar a republicar essas obras. Em 2012 deve sair O Dia em que o Papa foi a Melo em edição bilíngue, o Linha divisória e o Contos de sempre. E a perspectiva inicial, com a editora Banda Oriental, do Uruguai, é que eles publiquem por lá Os limites do impossível - contos gardelianos, Contos de verdades e Don Frutos, no fim do ano. Quanto ao Dom Segundo Sombra, anos atrás fui convidado pelo Ivan, da L&PM, para dar uma revisada na tradução do Augusto Meyer, mas não me conformei. Fiquei com um material anotado, e essa versão está enriquecida com notas e com um elucidário a respeito do significado das palavras empregadas, não só do ponto de vista semântico, mas de soluções literárias. É quase uma edição crítica e me agrada muito, porque é um clássico da literatura gaúcha.

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