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Artes Notícia da edição impressa de 16/12/2011

Atelier Livre: Berço de formas e cores

Michele Rolim

ATELIER LIVRE/DIVULGAÇÃO/JC
Tradicional espaço de arte da cidade comemora 50 anos de existência
Tradicional espaço de arte da cidade comemora 50 anos de existência

Na década de 1960, jovens artistas falavam e sonhavam em fazer uma arte livre num ateliê. Em meio a esta efervescência cultural acabou surgindo o Atelier Livre, que neste ano completa 50 anos de existência. Sua história se mistura à de Porto Alegre.

Reza a lenda que ao final da vida, Iberê Camargo (1914-1994) pediu para chamarem Francisco Stockinger (1919-2009). Iberê resolveu contar ao amigo todos os detalhes do início do Atelier Livre. Xico escutou atentamente o que o colega tinha para dizer. Quando deixou o quarto, todos desejavam saber o que Iberê Camargo havia lhe contado. E ele respondeu: “Não sei, sou surdo”, lembrou ele aos colegas.

A história é mais uma das muitas vividas em cinco décadas pela cena artística gaúcha. Tudo começou no final do ano de 1960, por causa de uma oficina de pintura na então Galeria Municipal, nos altos do Abrigo dos Bondes, na Praça XV, realizada por Iberê Camargo. Após, um grupo de jovens artistas instigados por Iberê e motivados pelo desafio imposto por ele procuraram a prefeitura, que cedeu este mesmo espaço para sediar a escola. Mas o lugar não favorecia o desenvolvimento dos trabalhos, devido ao tamanho da prensa para gravura que não passava nem pela escada do local. “A gravura foi um marco de ponto de partida para o Atelier Livre”, conta Paulo Porcella, 75 anos, que foi aluno de Danúbio Gonçalves, 86 anos, e depois professor na instituição. Neste mesmo espaço também foi introduzida a litografia na cidade pelas aulas de Marcelo Grassmann. Depois, sob a direção de Danúbio, o Atelier Livre mudou-se para o Mercado Público. No novo espaço começaram a desenvolver outros cursos. Mas foi na rua Lobo da Costa, dez anos depois, que o Atelier encontrou seu apogeu. De casa nova, a  instituição permaneceu de 1972 a 1978 na Cidade Baixa.

Caminhando pelos corredores, Carlos Carrion de Britto Velho, 65 anos, recorda-se: “O Atelier Livre foi onde nasceu uma grande parte dos artistas gaúchos - alguns podem ter passado pelo Instituto de Artes, mas me desculpem os acadêmicos, naquele momento ele não tinha a menor importância. No Atelier circulavam os mestres. O artista chegava para visitar, não para dar aula. Faltando quase uma hora de aula, alguém dizia: ‘Britto, encerra a que a gente quer começar o ping-pong’, com a mesa já semimontada. A gente espalhava os alunos, preparava a mesa, e um dos artistas olhava se não havia ninguém e dizia ‘abre a porta ali do forno’ e tinha uma caipirinha pronta”. A história resume a atmosfera da época.

Amigo e companheiro de empreitada, Porcella completa: “O Atelier Livre não começou propondo um estilo, um modelo de formação acadêmica. Era um espaço que reunia artistas para produzir e discutir. Havia liberdade, criatividade e efetividade. Sem confronto de linguagens”, salienta Porcella.

Em 1979, o Atelier se mudou novamente, para o lugar que ocupa hoje, o Centro Municipal de Cultura, localizado na avenida Erico Verissimo, 307. E foi aí, segundo Velho, que o espírito do espaço começou a mudar. “Virou uma grande escola, com interesses políticos, começou a haver nomeações de professores que não eram artistas. Muita gente decidiu se aposentar, outros saíram. E começou a ficar uma coisa muito formal. Surgiram muitos espaços, hoje em dia quase tudo que é artista tem seu atelier. Era uma outra época”, relembra.

Segundo a diretora atual do Atelier Livre, Daisy Viola, 50 anos, ao mesmo tempo em que o Atelier se institucionalizou e acabou com esse clima mais romântico das décadas de 1960 e 1970, possibilitou a sobrevivência do local. “Eu costumo dizer que o Atelier Livre cresceu e deu cria”, brinca.

Danúbio Gonçalves, o antigo diretor

Artista quer transformar sua casa em centro cultural.JOÃO MATTOS/JC

Danúbio Gonçalves, 86 anos, natural de Bagé, foi o segundo diretor do Atelier Livre e o que mais tempo permaneceu no cargo. Foram 30 anos, 15 deles como diretor. Sempre ativo, o artista produzia, dirigia o Atelier Livre e ainda lecionava no Instituto de Artes da Ufrgs.

Como um bom gravador e professor, Danúbio se preocupa com a continuidade do Atelier Livre, sobretudo no que diz respeito à gravura. “Quando os impressores desaparecem no Estado, a gravura corre o risco de desaparecer também por aqui, e essa é uma arte que permanece em todos os países do mundo”, diz o bageense, lembrando do impressor Nelcindo da Rosa, 77 anos, que trabalhou com ele em 1972 e é o colaborador de mais longa permanência no Centro Cultural Municipal.

“Primeiramente passei seis meses limpando pedra para depois me aventurar como impressor”, conta Rosa, orgulhoso. E não é para menos: ele já fez álbuns para dez artistas do Rio Grande do Sul, entre eles o próprio Danúbio e Maria Tomaselli, além de artistas do eixo Rio-São Paulo, como um álbum de 120 páginas de Renina Katz. Rosa também formou seu filho, Paulo Rogério Lopes da Rosa, 50 anos, no mesmo ofício.

Em seu ateliê no bairro Petrópolis, Danúbio conserva suas obras mais estimadas, muitas da época do Atelier Livre. O objeto mais antigo do lugar é uma prensa de 1960. Nas janelas estão rabiscadas algumas mensagens, conceitos formados naquela época que até hoje permanecem como lei para ele. “Pintura é cor, forma e conteúdo, o resto é alegórica besteira.”

O artista, que já viajou o mundo inteiro, recorda com saudade do tempo do Atelier na Lobo da Costa, como ele mesmo diz: “Ali havia algo mais participante dos artistas”. Mas, definitivamente, ele não vive do passado. Em plena atividade, Danúbio segue produzindo, não só obras, mas projetos. Um deles envolve transformar sua casa em um Centro Cultural com cursos e ateliê. Experiência para isso ele tem de sobra.

Bodas de ouro com muitas atividades

O Atelier Livre da prefeitura de Porto Alegre completa 50 anos com eventos que representam “uma tentativa de resgatar a alma do Atelier”, conforme a diretora atual, Daisy Viola.

O lançamento das comemorações foi marcado pela mostra Artistas e professores do Atelier Livre, no Paço Municipal, que trouxe imagens produzidas pelos primeiros mestres da instituição. Depois, foi a vez da exposição Do Atelier ao Cubo Branco, realizada pelo Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs), na qual estavam reunidos trabalhos de 64 artistas com passagem pelo Atelier Livre. Ocorreu ainda Há 50 anos, que ficou em cartaz no Santander Cultural.

Uma outra iniciativa positiva foi o projeto 72 Horas. Nele, nove artistas permaneceram nas dependências do Atelier para uma residência artística de 72 horas ininterruptas. São nomes pertencentes a diversas gerações, do experiente Wilson Cavalcanti a jovens como Felipe Caldas - os dois idealizadores do projeto. Lá eles desenvolveram trabalhos inéditos, que resultaram numa exposição no Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS), debateram sobre suas produções e abriram o espaço para a visitação do público.

“Uma pessoa que foi aluna na década de 1970 e 1980 me disse que era muito fã do Atelier porque tem essa coisa da horizontalidade, o professor está ali trabalhando com a gente e ensinando ao mesmo tempo. E eu fiquei pensando, não é mais assim. Tive um insight: a gente vai ter que resgatar isso, fazer o professor produzir aqui dentro também”, conta Daisy sobre outros projetos desenvolvidos no Atelier como o Artista visitante.

Os eventos seguem até o dia 10 de abril de 2012, dia oficial de aniversário do Atelier - escolhido porque há 50 anos Xico Stockinger foi nomeado primeiro diretor da instituição. Além disso, está previsto para o ano que vem um livro sobre as memórias do cinquentenário, escrito por Ana Pettini, coordenadora do Projeto Atelier Livre 50 Anos.

Risco de desaparecer

Apesar das cinco décadas de histórias, nem tudo é motivo para comemorações. Já faz mais de cinco anos que o Atelier Livre solicita concurso para instrutores de Artes Plásticas. O último - e único - concurso realizado foi em 1995.

Entraram onze professores no ano seguinte, e naquela época havia um quadro de pouco mais de 10 professores por indicação. Só que eles começaram a se aposentar e houve um esvaziamento, sem reposição de funcionários. Hoje há sete professores atuantes.

Segundo a diretora do Atelier Livre, Daisy Viola, um novo concurso deve ser realizado em 2012. Estão sendo solicitadas 20 vagas, sendo 11 para admissão imediata - que se referem a vagas de professores que já se aposentaram - e as demais devem ser ocupadas nos próximos anos. “O quadro ficaria com 18 professores, o ideal”, conforme Daisy.

Com poucos professores, o resultado é um esvaziamento de estudantes. Neste semestre foram matriculados 450 alunos, número baixo em comparação a 2003 (quando o quadro era de 21 professores e 1,2 mil matriculados), de acordo com Daisy.

“Estamos lutando para que de fato aconteça um novo concurso, porque se mantermos esse esvaziamento, o Atelier pode deixar de existir”, afirma a diretora. Os interessados nos cursos devem consultar o blog atelierlivre.wordpress.com.

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