Porto Alegre, segunda-feira, 17 de junho de 2019.
PREVISÃO DO TEMPO
PORTO ALEGRE AMANHÃ
AGORA
23°C
24°C
12°C
previsão do tempo
COTAÇÃO DO DÓLAR
em R$ Compra Venda Variação
Comercial 3,8990 3,9010 0,02%
Turismo/SP 3,8600 4,0600 0,49%
Paralelo/SP 3,8700 4,0700 0,49%
mais indicadores
Página Inicial | Opinião | Economia | Política | Geral / Internacional | Esportes | Cadernos | Colunas
ASSINE  |  ANUNCIE  
» Corrigir
Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.
Nome:
Email:
Mensagem:
106127
Repita o código
neste campo
 
» Indique esta matéria
[FECHAR]
Para enviar essa página a um amigo(a), preencha os campos abaixo:
De:
Email:
Amigo:
Email:
Mensagem:
106127
Repita o código
neste campo
 
 
» Comente esta notícia
[FECHAR]  
  Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.  
  Nome:  
  Email:    
  Cidade:    
  Comentário:    
500 caracteres restantes
 
Autorizo a publicação deste comentário na edição impressa.
 
106127
Repita o código
neste campo
 
 
imprimir IMPRIMIR

literatura Notícia da edição impressa de 23/11/2011

Ronaldo Bôscoli, cafajeste e sedutor

EDITORA LEYA/DIVULGAÇÃO/JC
Tema de nova biografia, Ronaldo Bôscoli namorou Elis Regina e Maysa, esta com ele na foto da direita
Tema de nova biografia, Ronaldo Bôscoli namorou Elis Regina e Maysa, esta com ele na foto da direita

A figura controvertida de Ronaldo Bôscoli está esmiuçada nas mais de 500 páginas de A bossa do lobo (Leya), biografia que o jornalista Denilson Monteiro lança neste mês. “A imagem de cafajeste e sedutor é interessante, mas é preciso lembrar que ele criou letras belíssimas, foi fundamental para carreiras como as de Wilson Simonal e Elis Regina, e o Roberto Carlos que conhecemos hoje é uma criação da dupla Miele e Bôscoli”, destaca Monteiro. O biógrafo ressalta que não quis canonizar seu personagem.

De fato, o livro não tenta adocicar o Veneno (apelido de Bôscoli), que o amigo Nelson Motta classifica como “a língua mais rápida de Ipanema, um gênio da maledicência”. Mas ilumina faces pouco conhecidas do compositor (O barquinho, Se é tarde, me perdoa, Lobo bobo), jornalista (sem suas reportagens e ações de marketing a bossa nova não teria sido a mesma), produtor musical (criou com Luiz Carlos Miele dos pequenos shows do Beco das Garrafas aos grandes de Roberto Carlos no Canecão) e roteirista de tevê (Fantástico, humorísticos, musicais).

Por exemplo: suas crises de pânico, momentos de angústia que em sua família - na qual havia outros casos, como o do avô materno de Bôscoli, que se matou - eram conhecidos como “a balda”. Ou o seu desconforto em ter crescido, na primeira metade do século XX, como filho de pais desquitados, o que pode ter contribuído para sua nítida incompetência em preservar os próprios casamentos. E, ainda, sua aversão a confrontos físicos, apesar da violência com que usava as palavras.

“Eu achava que ele era um ferrabrás, que saía por aí brigando. Depois vi que, como diz um amigo dele, o Ronaldo não era de brigar, mas de correr”, conta Monteiro, lembrando, por outro lado, que só dois seres humanos não eram alvos de seus comentários destrutivos, tão admirados que eram por ele: Frank Sinatra e João Gilberto.  As outras pessoas não podem dizer que Ronaldo nunca falou mal delas, porque ele falava mal de todo o mundo. Suas (muitas) mulheres, num processo de autossabotagem afetiva, eram vítimas preferenciais de seu lado lobo mau. Tratava Nara Leão como adolescente um tanto tola, casta - embora ela tivesse deixado de sê-la com ele - e passou a vida choramingando não ter sido perdoado por traí-la com Maysa, a quem chamava de La gorda.

Após brigar profissionalmente com Elis Regina (“aquela vesguinha”), passou a chamar a empregada pelo nome da cantora, só pelo prazer de dizer frases como “ô, Elis Regina, serve um cafezinho para os convidados”.

Perdoaram-se (“Se ela olhar para mim, eu falo. Se me der bom dia, eu caso”), casaram-se e, por quatro anos, amaram-se e odiaram-se profundamente. Quando ela o traiu com Nelson Motta, Bôscoli cunhou uma de suas grandes frases: “Agora a Elis arranjou um homem à altura dela”. “Ele ainda provoca certo medo. Há amigos que ficaram chateados com coisas que ele fez e mulheres que não quiseram dar entrevista para não ter seus nomes associados ao de Ronaldo”, relata Monteiro, apontando também o lado lobo bobo do biografado, como o desapego à acumulação de dinheiro e a generosidade com quem precisasse (Fagner quando dormia em folhas de jornal no Rio, Simonal após ficar marcado pela classe artística etc.).

Miele, a cara-metade de Ronaldo Bôscoli nas produções de shows e programas de tevê, destaca dois aspectos pelos quais o amigo merece ser lembrado para além de suas frases cruéis e de suas conquistas amorosas. Uma é o poeta, cuja qualidade admirou a todos.  O outro aspecto é o do produtor com grande conhecimento do que fazia. Miele conta que estava presente no dia em que Bôscoli disse a Elis Regina que ela estava ensinando o Brasil a cantar errado, pois músicas como Upa, neguinho, Menino das laranjas e Reza eram tristes, não podiam ser interpretadas com a alegria que Elis esbanjava. “Elis jogou uns vasos em cima dele, como de costume, disse que ele era um imbecil, mas no dia seguinte me ligou e falou: ‘Você sabe que o desgraçado está certo?’. Naquele dia, ela começou a se transformar na maior intérprete da música brasileira. Ronaldo precisa ter esse papel também reconhecido”, diz Miele.

Nas discussões em torno dos shows, Bôscoli costumava ganhar do sócio jogando baixo. “Você já esteve internado? Não, mas eu estive. Eu sou maluco, tenho que ganhar essa discussão”, dizia, referindo-se aos períodos em que “a balda” o fazia parar em uma clínica. Foi assim que ele conseguiu coisas como pôr uma escada de juiz de tênis numa microboate do Beco das Garrafas para criar uma cena de amor entre Simonal e Darlene Glória, ou convencer Roberto Carlos a se pintar de palhaço, uma das imagens mais marcantes da carreira do Rei. “Sem a indisciplina e as loucuras do Ronaldo, muitas das nossas criações não teriam acontecido”, afirma Miele. E toda essa vontade de viver terminou aos 66 anos, quando a bebida e o cigarro contribuíram para um câncer que o matou.

COMENTÁRIOS
Nenhum comentário encontrado.

imprimir IMPRIMIR
TEXTOS RELACIONADOS
Livraria Bamboletras, de Lu Vilella, completa 20 anos
Livraria Bamboletras, uma pequena gigante
Leonardo Padura é uma das atrações da Feira do Livro de Canoas
Capital do livro
Dado Villa-Lobos reúne trajetória da Legião Urbana em livro
Biografia reúne trajetória da Legião Urbana
José Luís Peixoto vem à Capital participar da pré-estreia da Festipoa Literária
Ode à saudade