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Mercado Financeiro Notícia da edição impressa de 24/10/2011

Queda da taxa Selic impacta investimentos

Segundo especialista da FGV, em alguns casos a poupança já pode ser mais vantajosa do que determinados fundos

A redução da taxa básica de juros (Selic) impacta diretamente a rentabilidade dos investimentos. A renda fixa (como os fundos DI e CDB) passa a render menos. Enquanto a renda variável (ações) ganha fôlego e pode trazer retornos mais significativos ao investidor.

Na quarta-feira passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central promoveu o segundo corte consecutivo na Selic. Desta vez, o recuo foi de 0,50 ponto percentual, o que colocou a taxa em 11,5% ao ano. Para alguns economistas, a Selic deve chegar a 8,5% ao ano até o fim de 2012. Se essa redução expressiva acontecer, os impactos nos investimentos serão ainda mais nítidos, dizem especialistas em finanças pessoais.

“No atual patamar da taxa, o investidor já tem que fazer a conta do ganho líquido obtido em fundos de renda fixa e comparar com a caderneta de poupança”, diz Fábio Gallo, professor de finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV) e da Pontifícia Universidade Católica, sugerindo que, em alguns casos, a poupança já pode ser mais vantajosa do que determinados fundos. Ele explica que essa situação ocorre justamente porque a caderneta não tem incidência de Imposto de Renda, nem taxas de administração, diferentemente dos fundos, que têm os dois custos. “Por isso é preciso fazer o cálculo e saber qual das opções está mais vantajosa”, acrescenta Gallo.

A competitividade da poupança fica maior conforme o juro cai. O professor de finanças da Ibmec do Rio de Janeiro Luiz Filipe Rossi lembra, porém, que é preciso incluir nesta conta a inflação. “Se o juro cai, mas a inflação continua alta, como está hoje, as rentabilidades são ainda mais afetadas. Portanto, este número também deve entrar no cálculo”, detalha.

Rogério Bastos, diretor da FinPlan, concorda com os dois especialistas. “Quando a Selic chegar a 9% ao ano, se a inflação estiver na meta, muito provavelmente a poupança volta a ser interessante para o investidor de varejo”, reforça.

Os títulos do Tesouro Direto, embora também se enquadrem na modalidade da renda fixa, também devem continuar atraentes e vantajosos ao investidor - mesmo em relação à caderneta de poupança. O motivo também é o fato de os títulos terem custo baixo para a aquisição.

Juro alto significa custo financeiro alto às empresas. Se a taxa cai, esse custo também recua e o valor das companhias, consequentemente, sobe. Dessa forma, teoricamente, as cotações das ações dessas empresas tendem a subir, explicam especialistas. Além disso, comparativamente às modalidade da renda fixa, que perdem com a redução do juro, o investimento no mercado acionário também tende a ganhar competitividade.

A situação do mercado externo, porém, também é fator relevante para a bolsa. “A bolsa, teoricamente é beneficiada com a queda dos juros, mas a modalidade está sofrendo demais com a situação na Europa, portanto, não creio em forte recuperação, por enquanto”, diz Bastos.

Mesmo se a Selic recuar para 8,5% ao ano, o Brasil seguiria na posição de liderança do ranking de juros mais altos do mundo. Porém, no longo prazo, com a ampliação da estabilidade econômica, a perspectiva é de seguidas quedas na taxa. “E, então, devemos começar a nos acostumar com rentabilidades mais baixas em todas as aplicações”, comenta Gallo. “O investidor deverá estar mais atento e fazer contas comparando melhor os ativos e dando mais atenção às suas estratégias de investimento”, completa o especialista.

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