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Conjuntura Internacional Notícia da edição impressa de 14/09/2011

Estados Unidos tem 46 milhões de pessoas sob a linha da pobreza

JUSTIN SULLIVAN/AFP/JC
Taxa cresceu pelo terceiro ano consecutivo no país
Taxa cresceu pelo terceiro ano consecutivo no país

O número de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza nos Estados Unidos alcançou a cifra recorde de 46,2 milhões em 2010, em um momento em que a economia do país Unidos tenta sair da recessão, informou ontem o governo federal. A divulgação deve aumentar ainda mais a pressão sobre o presidente Barack Obama. O montante é equivalente à população da Espanha. Embora os dados sejam impactantes - sobretudo para a maior potência do planeta e especialmente por ser um momento pré-eleitoral e de recuperação ainda muito lenta da crise -, se comparada à realidade brasileira a taxa que define quem é pobre nos EUA é muito generosa. Segundo o governo americano, em 2010 uma família foi considerada pobre quando os rendimentos da residência totalizavam menos do que US$ 22.113 anuais (R$ 37.952 anuais). Dividindo o valor por 13 (considerando os 12 salários mensais mais um 13º, nos padrões empregatícios do Brasil), os rendimentos mensais da família americana pobre ficam em US$ 1.701,00 (R$ 2.920,00).

Para se ter uma ideia, a linha de pobreza utilizada pelo governo brasileiro é de cerca de R$ 140,00 mensais. Dados do IBGE divulgados em maio revelam que, em 2010, uma em cada sete famílias brasileiras vivia com renda abaixo de R$ 130,00, equivalente a 25% do salário-mínimo da época (R$ 510,00).

O Escritório do Censo dos EUA afirmou que a taxa nacional de pobreza subiu pelo terceiro ano consecutivo. O aumento foi de 0,8 %, passando a 15,1% da população. Em 2009, eram 43,6 milhões vivendo na pobreza. O relatório diz que o número de pobres no país é o maior desde que o órgão federal começou a publicar estimativas sobre a pobreza, há 52 anos. A taxa de empobrecimento é a maior desde 1993. "Esta será mais uma cruz a ser carregada pelo governo", disse Ron Haskins, do Centro de Crianças e Famílias do Instituto Brookings.

"Um ano inteiro após a recuperação, não houve sinais de efeito sobre o bem-estar da típica família americana. Até o fim de 2010, a economia esteve "morta e afundada", e foi ali que ela permaneceu", disse Lawrence Katz, professor de economia da universidade de Harvard.

Na semana passada, Obama apresentou ao Congresso seu plano para acelerar a recuperação da economia e gerar empregos, no valor de US$ 447 bilhões. Em seu quinto pronunciamento a uma sessão conjunta do Congresso, reunindo deputados e senadores, Obama apresentou detalhes de seu plano para acelerar a retomada do crescimento da economia americana, que ainda patina após a crise, com a atual taxa de desemprego em 9,1%.

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