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Entrevista Notícia da edição impressa de 27/07/2011

Para Paulo Markun, 1961 foi ensaio geral para golpe de 1964

Paula Coutinho

GILMAR LUÍS/JC
Paulo Markun prepara edição ampliada de livro sobre a Legalidade.
Paulo Markun prepara edição ampliada de livro sobre a Legalidade.

Autor do livro 1961: Que as armas não falem, o jornalista paulista Paulo Markun se debruça sobre o tema da Campanha da Legalidade há pelo menos dez anos, data de publicação da primeira edição. Agora, ele a e jornalista gaúcha Duda Hamilton preparam uma reedição, ampliada e atualizada, no aniversário de 50 anos da resistência à tentativa de golpe militar ocorrida no final do mês de agosto de 1961. No Rio Grande do Sul, a maior liderança do movimento pela posse do vice-presidente João Goulart, diante da renúncia do presidente Jânio Quadros, foi o então governador Leonel Brizola, que montou a Rede da Legalidade, com transmissão via rádio direto do Palácio Piratini para mais de duas centenas de emissoras. O rádio foi o meio de mobilização da população, que aderiu à campanha, culminando com a posse de Jango em 7 de setembro daquele ano. Markun veio a Porto Alegre para participar de um ciclo de palestras sobre os 50 anos da Legalidade. Nesta entrevista exclusiva ao Jornal do Comércio, o jornalista detalha o trabalho de reedição do livro sobre os episódios de 1961 e observa que o movimento dos militares na época foi um "ensaio geral" para o golpe de 1964.

Jornal do Comércio - Que novos elementos trará a reedição de sua obra sobre a Legalidade?

Paulo Markun - É uma atualização do primeiro livro. Há dez anos, boa parte das personagens que ali haviam participado estava viva ainda, outros não tinham definido o seu desfecho político. Mostramos o que aconteceu com eles ao longo desse período. Houve uma atualização de alguns dados e um acabamento melhor no texto do livro para torná-lo mais compreensível pelos jovens. A nossa grande preocupação é falar a esse público para quem 1961 e o descobrimento do Brasil são coisas parecidas, estão quase que na mesma distância na perspectiva histórica. Quando trabalhava na nova edição, que passa a ter o título de 1961: O Brasil entre a guerra civil e a ditadura, me dei conta de que a maioria dos jovens de 25 anos não sabe sequer qual é a figura do presidente Jânio Quadros. São incapazes de reconhecer uma foto dele, que foi o estopim da crise.

JC - Como ampliar essa abrangência?

Markun - O grande público pode se interessar por essa história entre outras coisas pelo fato de ser muito palpitante. É um thriller, uma história com vários ingredientes de emoção, com militares tentando dar um golpe, um presidente que renuncia e ninguém sabe porquê, um vice-presidente que está no exterior e é impedido de tomar posse, o cunhado dele que tenta mantê-lo no poder.

JC - É como uma novela...

Markun - É. Nessa edição a gente procurou reforçar esses ingredientes, porém mantendo as características de não ficção. Em nenhum momento o livro introduz personagens fictícios e também não entra na suposição das intenções que não estejam expressas pela documentação ou por depoimentos. Então, o que Jango pensou quando decidiu aceitar o parlamentarismo a gente não sabe. Pode-se imaginar, mas aí seria um livro de ficção, um romance histórico.

JC - É um livro-reportagem, não há interferência nos fatos.

Markun - Exatamente. E é uma história menos conhecida fora do Rio Grande do Sul do que deveria. E mesmo aqui acho que há uma ideia de que é um episódio gaúcho apenas e não é, é nacional. Tem uma importância muito grande do Brizola e do (comandante do III Exército, José) Machado Lopes, foi aqui que a coisa se resolveu. Mas se não tivesse havido uma resistência em outros lugares, a articulação do Congresso Nacional de achar uma solução e a recusa do marechal Henrique Teixeira Lott (ministro da Guerra no governo Juscelino Kubitschek) de apoiar o golpe, a situação teria sido diferente. Foi uma espécie de ensaio geral para o golpe de 1964. É outra história que vale a pena ser revisitada.

JC - Quais são os planos daqui para frente? A preferência é sempre por temas históricos?

Markun - Nunca tive coragem de enveredar pela ficção. Estou trabalhando num livro sobre a luta contra a ditadura. Surge como um site agora em setembro, inclusive para recolher depoimentos de pessoas que participaram da campanha das Diretas Já. Serão 60 entrevistas gravadas em vídeo sobre as personagens e um grande material de cronologia e de biografias. Todo o material que vai servir como elemento de pesquisa para o livro estará no site de outra maneira.

JC - A ideia é também dialogar com o público jovem, utilizando essas ferramentas tecnológicas?

Markun - Sim. Uma das seções do site vai se chamar Pergunte ao seu pai, que também pode ser mãe, enfim, para saber onde essas pessoas estavam na campanha das Diretas. É um episódio em que houve uma intensa participação da sociedade, de pessoas comuns. Não foi algo tramado e controlado pelo poder, ela emergiu do povo. Ela não resultou numa vitória imediata, mas ali acabou a ditadura. O comício do dia 16 de abril de 1984 foi o fim da ditadura, depois teve ainda uma sobrevida, mas ali ela caiu.

JC - Qual a sua opinião sobre a abertura dos arquivos da ditadura?

Markun - A abertura em parte já foi feita. Estou com uma equipe em Brasília pesquisando na documentação do SNI (Serviço Nacional de Informações) sobre vários desses movimentos que eram chamados pelos militares de contestatórios, o movimento estudantil, pela anistia, Diretas Já, MDB, PDT. Há uma dificuldade porque só podemos pesquisar temas gerais e a resposta vem sempre censurada no que faz referência individual. Isso dificulta um pouco, mas acho que é uma obrigação com a história do País.

JC - E a criação da Comissão da Verdade?

Markun - É alçar o Brasil ao plano a que outros países latino-americanos já alcançaram, mas isso não é fácil porque o desenlace da ditadura aqui foi diferente. Começa com a anistia, que, digamos, foi negociada e envolveu o perdão aos torturadores. De outro lado, remanescentes do poder militar ainda influenciavam o processo. Mas acho que do jeito que o projeto está agora não vai mudar muita coisa, que seria institucionalizar as informações e o conhecimento sobre situações que envolvem a vida de pessoas. Fico pensando como deve ser isso para quem perdeu um filho, um pai.

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