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BR-448 Notícia da edição impressa de 22/06/2011

Rodovia do Parque deve ficar pronta em 2012

Patrícia Comunello

FREDY VIEIRA/JC
Dezesseis obras de arte em 22,3 quilômetros exigirão a utilização de 3.941 vigas e 57.943 pré-lajes
Dezesseis obras de arte em 22,3 quilômetros exigirão a utilização de 3.941 vigas e 57.943 pré-lajes

Se tudo der certo, a Rodovia do Parque (BR-448) estará concluída em agosto de 2012, quatro meses antes da projeção feita pela direção do Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre (Dnit) no Estado. A previsão, que só não será confirmada caso haja algum atraso nos assentamentos das cerca de 500 famílias que residem num dos trechos do traçado de pouco mais de 22,3 quilômetros, reflete uma peculiaridade da execução do projeto. Há uma empresa responsável por gerenciar passo a passo a execução. A faceta, que ainda é atributo de poucas obras rodoviárias no País, revela a precaução do governo federal para prevenir interrupções indesejadas, como decisões judiciais, eventual problema apontado pelo temido Tribunal de Contas da União (TCU) ou mesmo impasses na área socioambiental.  

O resumo da obra é que a BR-448 é muito mais que uma rodovia. É um sistema complexo e já é modelo para o Brasil. Outros destaques são a engenharia e a arquitetura, que preveem uma ponte estaiada – neste tipo de solução os pilares são sustentados por cabos de aço - com largura da pista que se habilita a ser a maior já construída na América do Sul. Quando os motoristas estiverem percorrendo seu trajeto, principalmente para escapar dos engarrafamentos da BR-116 (que corta Canoas e conecta a Capital ao Vale dos Sinos e à Serra), jamais saberão, por exemplo, que no meio do caminho da construção havia não uma, mas quatro casinhas de João de Barro. Também surgiram furões, cobras, árvores a serem transplantadas e dezenas de famílias ocupando terreno de risco e de forma irregular.

“Grandes obras rodoviárias exigirão cada vez mais uma gestão ambiental. Temos de prever tudo que pode acontecer”, assinala Adriano Panazzolo, coordenadorgeral da gestão ambiental do projeto feito pela empresa Serviços Técnicos de Engenharia (STE). Ela venceu a concorrência e se especializa, pois já cuida do ambiente na duplicação da BR-392, entre Pelotas e Rio Grande. Na remoção dos habitantes da Vila Dique, que fica no trajeto do lote 3, o Dnit decidiu bancar a construção de moradias. É a primeira vez que isso ocorre em projetos recentes no País. 

O superintendente do Dnit no Estado, Vladimir Casa, atesta que o acompanhamento ambiental foi intensificado nos anos 1990. “Hoje é imprescindível e há exigência da sociedade, não só da legislação do setor”, observa o responsável pelo departamento. A duplicação da BR-101 Sul foi a estreante das obras no Sul com este aparato de acompanhamento. Os consórcios vencem a disputa, e duas empresas – de gestão ambiental e de gerenciamento – monitoram e auxiliam na execução dos planos em cada segmento. “Talvez por isso não tivemos nenhum problema até agora”, afirma Casa com alívio.

Obras de arte darão característica única à rota

A Rodovia do Parque é considerada uma das obras rodoviárias mais importantes do PAC. Este destaque se justifica pelo projeto - ao longo dos seus 22,3 quilômetros serão construídas 16 obras de arte especiais, boa parte com peças pré-moldadas, como pré-lajes e vigas. Para dar forma a viadutos, pontes, passagens de nível e elevadas, serão necessárias 3.941 vigas e 57.943 pré-lajes. Para fabricar as 61.884 unidades pré-moldadas serão usados mais de sete mil toneladas de aço e 40 mil m3 de concreto.

É no canteiro industrial do lote 3, trecho dos 7,9 quilômetros finais da rodovia, que são construídas as obras de arte mais complexas, como a ponte estaiada sobre o rio Gravataí, o seu acesso e a interseção com a BR-290, em Porto Alegre. Estas três estruturas vão necessitar de 46.106 unidades de pré-lajes. E a produção, que envolve 213 trabalhadores, já concluiu a fabricação de 6.755 peças. Das 3.846 vigas do lote 3 o consórcio Queiroz Galvão- OAS-Brasília Guaíba já concluiu 3.570. Segundo o coordenador-geral do consórcio gerenciador da BR-448, Luiz Antônio Didoné, o volume de peças produzidas no canteiro principal do lote 3 chama a atenção. “Este volume é espetacular. A tecnologia utilizada para produção das peças pré-moldadas foi especificamente desenvolvida para as obras da BR-448”, completa.

O segundo trecho da Rodovia do Parque, com 5,3 quilômetros, conta com 50 homens atuando no seu canteiro industrial. O lote 2, sob a responsabilidade das empreiteiras Construcap e Ferreira Guedes, terá de produzir  69 vigas e 8.304 pré-lajes para as cinco obras de arte do percurso. Do total, 40% já estão prontos.No lote 1, o marco zero da BR-448, que vai de Sapucaia do Sul ao acesso da BR-386, em Canoas, com pouco mais de 9,1 quilômetros há cinco obras de arte que somam 26 vigas e 2.408 pré-lajes. Dessas, as empresas consorciadas, Sultepa e Toniolo, Busnello, já fabricaram 700 pré-lajes.

Tecnologia de construção torna possível acelerar a execução

O coordenador-geral do consórcio gerenciador da rodovia, Luiz Antônio Didoné, é quem prevê o prazo de conclusão da BR-448 para agosto de 2012. “O que pode gerar atraso é a transferência das famílias instaladas na Vila do Dique. Estamos prevendo o início da transferência de parte dessas famílias já a partir de julho, quando estará pronta a vila de passagem, no bairro Fátima”, projeta Didoné. Segundo ele, a questão social que envolve as 600 famílias que vivem na vila é complexa. Dnit e prefeitura de Canoas estão envolvidos na operação.

Alguns lotes da rodovia estão mais adiantados do que outros. A defasagem na entrega da obra completa se deve a este detalhe. O contrato prevê a finalização em março do próximo ano. O lote 1, que é o ponto zero e se inicia no entroncamento da BR-116 com a RS-118, está com a terraplenagem bem evoluída. Praticamente toda a sua extensão está em obras. Apenas o segmento inicial de dois quilômetros próximo ao viaduto da BR-448 com a BR-116 depende de desapropriação.

O lote 2, por exemplo, ainda em junho poderá receber o pavimento em determinados segmentos. Neste lote, todas as pontes e os viadutos estão em obras. O lote 3, que começa em Porto Alegre, é o trecho mais difícil dos três. A construção da elevada depende da remoção das famílias da Dique canoense. “Por isso, está mais atrasado”.

Para assegurar e prevenir percalços, o TCU faz auditorias e fiscaliza o andamento da obra. O órgão não comenta as informações, pois ainda está executando a diligência. Só após a elaboração do relatório é que haverá a divulgação de informações. O Ministério Público Federal foi convidado a conhecer a situação em que vivem as famílias a serem reassentadas e como será a condução da remoção. “É um trabalho social empolgante. Nós, engenheiros, acostumados a executar obras civis, estamos todos sensibilizados com as condições subumanas em que vive aquela comunidade”, desabafa Didoné.

O coordenador diz que o modelo de construção da ponte estaiada será inédito. “E será um novo cartão- postal, das duas cidades.” Segundo o engenheiro, há um esforço dos três consórcios para acelerar as obras. As tecnologias que vêm sendo empregadas, como a confecção das colunas e vigas dos viadutos que compõem o complexo viário sobre a BR-290, agilizam e podem reduzir em um terço o tempo da obra, já previsto no prazo estipulado. “Praticamente todos os elementos pré-moldados que compõem os viadutos estão prontos.”

Natureza vira desafio para os técnicos de gestão ambiental

A equipe da empresa Serviços Técnicos de Engenharia (STE), responsável pela gestão ambiental das obras da BR-448, está atenta a tudo. O plano de gestão prevê o monitoramento diário dos recursos hídricos, que já apontou contaminação por esgotos provenientes da área urbana de Canoas. A engenheira ambiental Letícia Frantz entusiasma-se narrando os resgates e as surpresas no meio do trajeto das obras. Em 2 de março, a equipe se deparou no lote 1, com um mamífero da família dos mustelídeos, o popular furão pequeno (Galictis cuja), que circulava pela vegetação próxima ao entroncamento da BR-116 com a RS-118. “O animal não se importou nem um pouco com a nossa presença”, alegra-se a engenheira. O bichinho chegou a se aproximar para vistoriar os invasores do “seu pedaço” permitindo fotos, comentou Letícia.

 A espécie foi mais uma das dezenas registradas no levantamento do Estudo de Impacto Ambiental da rodovia (EIA), onde também figuram o ratão-do-banhado, a capivara, a mão-pelada, a lontra, o gambá-orelha-branca e o tatu-galinha. Conforme o EIA, estas espécies silvestres são comuns e abundante, e se adaptam facilmente às alterações no ambiente. Outro dado importante, e contrariando registros históricos dos colonizadores que relatam uma fauna rica e variada, a equipe técnica que executou o estudo apontou que a riqueza de espécies de mamíferos na área atualmente é baixa, e esta redução é ocorrência da ação humana, com a urbanização irregular, agricultura e caça indiscriminada.

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