Porto Alegre, segunda-feira, 21 de janeiro de 2019.
PREVISÃO DO TEMPO
PORTO ALEGRE AMANHÃ
AGORA
24°C
32°C
21°C
previsão do tempo
COTAÇÃO DO DÓLAR
em R$ Compra Venda Variação
Comercial 3,7700 3,7720 0,37%
Turismo/SP 3,7300 3,9300 0,51%
Paralelo/SP 3,7400 3,9400 0,51%
mais indicadores
Página Inicial | Opinião | Economia | Política | Geral / Internacional | Esportes | Cadernos | Colunas
ASSINE  |  ANUNCIE  
» Corrigir
Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.
Nome:
Email:
Mensagem:
124205
Repita o código
neste campo
 
» Indique esta matéria
[FECHAR]
Para enviar essa página a um amigo(a), preencha os campos abaixo:
De:
Email:
Amigo:
Email:
Mensagem:
124205
Repita o código
neste campo
 
 
» Comente esta notícia
[FECHAR]  
  Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.  
  Nome:  
  Email:    
  Cidade:    
  Comentário:    
500 caracteres restantes
 
Autorizo a publicação deste comentário na edição impressa.
 
124205
Repita o código
neste campo
 
 
imprimir IMPRIMIR

Imprensa Notícia da edição impressa de 26/05/2011

Tribunal inocenta o jornalista que divulgou crime do Dops

Alexandre Leboutte

ICHIRO GUERRA/DIVULGAÇÃO/JC
Decisão defende liberdade de expressão, diz Cunha
Decisão defende liberdade de expressão, diz Cunha

"Eu nunca tive dúvida da justiça. Eu tinha certeza da confirmação da sentença de primeira instância. É um voto de defesa da liberdade de expressão. Seria muito estranho se um jornalista fosse condenado no Brasil por denunciar a Operação Condor, enquanto vemos generais sendo condenados na Argentina pelas atrocidades da ditadura".

Foi o que disse o jornalista Luiz Cláudio Cunha, de Brasília, ao saber da decisão unânime dos desembargadores da 9ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça (TJ) do Estado, que referendou a decisão da juíza da 18ª Vara Cível do Foro de Porto Alegre, Cláudia Maria Hardt.

Em julho de 2010, a juíza julgou improcedente a ação por danos morais movida pelo inspetor aposentado do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) João Augusto da Rosa contra o jornalista. O policial, que no período da ditadura militar usava o codinome Irno, foi um dos responsáveis, em 1978, pelo sequestro dos uruguaios Universindo Díaz, Lílian Celiberti e os filhos dela, Camilo (na época, com 8 anos) e Francesca (com 3 anos), em uma ação conjunta entre o Dops e as forças armadas do Brasil e do Uruguai.

O fato foi narrado por Luiz Cláudio Cunha no livro "Operação Condor: o sequestro dos uruguaios", publicado em 2008 pela editora L&PM. O livro ficou em segundo lugar no Prêmio Jabuti, em 2009, na categoria reportagem. Também recebeu o Prêmio Vladimir Herzog, no mesmo ano, e menção honrosa no Casa de Las Americas, de Cuba. Luiz Cláudio testemunhou o sequestro, quando era repórter da sucursal da revista Veja em Porto Alegre.

O fato foi lembrado por seu advogado, Rogério Becker, durante o julgamento, ao dizer que ele não tinha motivo para querer prejudicar o agente do Dops. "O único contato que ele teve com Irno foi através de um revólver: Irno com o dedo no gatilho e o cano no nariz de Luiz Cláudio."

O advogado do jornalista relatou que todos os fatos eram de conhecimento público desde 1978 e 1979, quando o jornalista escreveu a série de reportagens que acabou publicando em livro anos depois. As reportagens, na época, receberam o Prêmio Esso de jornalismo. O fotógrafo JB Scalco, da revista Placar, acompanhava Cunha na tarde do sequestro.

O argumento do advogado de João Augusto da Rosa, Newton Jancowski Jr., baseou-se no fato de o jornalista não ter citado no livro que seu cliente fora absolvido do crime de sequestro, em 1983, por falta de provas. Ele havia sido condenado em 1980 pela Justiça federal. O defensor de Luiz Cláudio lembrou que Lílian e Universindo não puderam comparecer ao julgamento de 1983 para testemunhar "porque estavam encarcerados pela ditadura uruguaia", que durou até 1985. Lílian testemunhou a favor do jornalista no primeiro julgamento, no ano passado.

O voto dos três desembargadores - Marilena Bonzani, Íris Helena Medeiros Nogueira e Leonel Pires Ohlweiler - sustenta a defesa da liberdade de imprensa e do direito do povo de conhecer sua história.

O conselheiro do Movimento de Justiça e Direitos Humanos Jair Krischke, que acompanhou o julgamento, avaliou que a "decisão é justa e mostrou que se tratava de liberdade de expressão, que é um dos pilares da democracia".

Também presente, o presidente da Associação Riograndense de Imprensa (ARI), Ercy Torma, destacou que "o livro foi tratado como parte da história do Brasil, que não pode ser apagada".

O advogado de Irno disse que vai aguardar a publicação do acórdão para ver se encaminha um recurso extraordinário ao Supremo Tribunal Federal (STF) ou um recurso especial ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

COMENTÁRIOS
Romario Gomes,jornalista,advogado - 14/06/2011 - 23h12
Cumprimento o jornalista Alexandre Leboutte e o Jornal do Comercio por publicarem essa importante e emblemática matéria.O TJ - RS foi altivo/democrático/libertário/coerente.Me fiz presente ao julgamento - na condição de ex-diretor do Sinjorba e integrante da diretoria da ABI - hipotecando meu apoio ao jornalista Luiz Claudio Cunha,ao jornalista José Nunes,presidente do Sindicato dos Jornalistas/RS e ao presidente da ARI.Vencemos todos.

imprimir IMPRIMIR
TEXTOS RELACIONADOS
Presidente da ARI, Batista Filho recebe certificado em solenidade
Vereadores prestam homenagem à ARI por 80 anos de atividades