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Palco Giratório Notícia da edição impressa de 17/05/2011

Jô Bilac: o dramaturgo pop

Michele Rolim

MARCELO G. RIBEIRO/JC
Carioca Jô Bilac é autor de três textos apresentados na Capital em festival do Sesc
Carioca Jô Bilac é autor de três textos apresentados na Capital em festival do Sesc

Foi por acaso que o carioca Jô Bilac, de 26 anos, um dos mais jovens dramaturgos brasileiros, ingressou no teatro, mas não foi por acaso que se mantém. Com cinco anos de carreira, tem sete peças em cartaz - três somente no Palco Giratório, em Porto Alegre -, um Prêmio Shell de Teatro e uma estreia de sua autoria prevista para o próximo mês, em parceria com um dos diretores mais contemplados do País, João Fonseca, a peça O gato branco. Formado pela Escola Teatral Martins Pena, o trabalho do dramaturgo pôde ser conferido na semana passada, através das peças Rebú e Savana Glacial, do Físico de Teatro, espetáculo que concedeu a ele o Prêmio Shell, todos muito aplaudidos. Amanhã é a vez de conferir o trabalho dele mais uma vez. Desta vez é O matador de santas, com direção de Guilherme Leme e atuação de Angela Vieira, sempre às 20h, no Teatro do Sesc. A reportagem do Jornal do Comércio encontrou o dramaturgo no Café do Sesc e entendeu o porquê de tantas histórias bem-sucedidas.

JC - Panorama - Você entrou por acaso no universo teatral, mas como ocorreu a sua imersão no mundo das letras?
Jô Bilac - Estava predestinado. Fui fazer um curso de design, mas como não tinha vaga, me inscrevi no de teatro. Detalhe, apenas para segurar vaga. Eu e uma amiga, Ludmilla Bauerfeldt, hoje  é cantora lírica e acabou de ganhar o Concurso Internacional de Canto Bidu Sayão, a mais importante competição de Canto Lírico do País e da América Latina, e eu o Shell de Teatro, pelo texto de Savana Glacial. E, na escrita, eu tive muita influência de uma professora. Como passei a minha infância em Madri, tinha aula de português em casa, isso me ajudou a ter prazer pela língua, esse fascínio. Mas o meu primeiro exercício remunerado foi em histórias em quadrinhos, no gibi Sítio do Pica-Pau Amarelo, do qual a minha mãe, Elvira Helena, era roteirista. A possibilidade de associar imagem com a palavra foi uma escola, foram dois anos de aprendizado.

Panorama - Como funciona o seu processo de escrita?

Jô Bilac - Eu começo pelo título, pois ajuda a ter um ponto de partida. Não tenho problema de escrever com barulho, já escrevi muito em lan house. No início da carreira escrevia no caos, mas preciso da madrugada para organizar as ideias, às vezes vou até as 5h da manhã. Bom, há diferentes formas de trabalhar. Por exemplo, no espetáculo Rebú, que é da minha companhia, a Teatro Independente, eu acompanho o processo de criação. Eles influenciam diretamente, eu escrevo pensando muito neles, porque são meus amigos. Savana Glacial também foi um texto que eles foram recebendo por capítulos, já com a data de estreia, foram montando sem saber o que iria acontecer com cada personagem. Eu ia no ensaio e aquilo me influenciava. Já O matador de santas eu escrevi sozinho em casa. Depois troquei ideias com o diretor, Guilherme Leme. No geral, quando é a primeira vez que o teu texto está sendo montado, há muitas lacunas que às vezes passam despercebidas quando estamos escrevendo e fica mais fácil de visualizar quando vemos os ensaios. Esse primeiro namoro com o texto é bacana. Em São Paulo, agora tive a minha primeira remontagem, Limpe todo o sangue antes que manche o carpete. O meu exercício foi ver até que ponto o meu texto reverberava, sem necessariamente estar por perto, de ele ter uma vida própria.

Panorama - Apesar de só cinco anos de trabalho profissional, você é um dos dramaturgos que está no momento com mais peças em cartaz, só aqui no Palco Giratório são três. Você começa a perceber uma estética sempre presente em seus textos?

Jô Bilac - As pessoas falam que já tem isso. Acho que são peças que oscilam entre o humor e a tragédia com muita fluidez, é uma coisa que está um pouco no espírito brasileiro, entre o superficial e o visceral. Você consegue encontrar elementos semelhantes em todos os textos. Por exemplo, existe uma relação na qual um terceiro elemento entra e desestrutura esta relação, há um quarto elemento que entra na história obscuro, misterioso, que ronda toda a trama e que tem um signo que não é tão claro para o público, é mais subjetivo. Então, os signos estão sempre mudando, mas as obsessões, o ciúmes, o amor, estão lá. É a desmedida que está sempre rondando todos eles, os personagens estão sempre descompensados, e não se dão conta disso, chegando sempre no limite deles mesmos, ao ponto de, no final, terem ou sua redenção ou queda.

Panorama - É possível perceber a influência direta da obra de Nelson Rodrigues em seus textos. Quais são suas outras referências?

Jô Bilac - De uma forma ou de outra, o que me atrai é esta ambiguidade, e esta dualidade da natureza humana de perceber que ninguém é uma coisa só, existe pelo menos duas faces. A vida também é assim, e os artistas que dialogam com isso são os que me atraem. Agatha Christie, Pedro Almodóvar, Alfred Hitchcock, Clarice Lispector e, claro, Nelson Rodrigues, são artistas que exploram esta outra faceta do ser humano. Tem sempre um clima desagradável de suspense, mesmo tendo humor. Isso de certa forma influenciou muito a minha escrita, apesar de não ter feito uma escola de dramaturgia.

Panorama - Como é ser um dramaturgo hoje no Brasil?

Jô Bilac - É difícil para todos, imagina para quem escreve para teatro. Publiquei só um livro (Cena Impressa, de Diego Molina), uma antologia com vários autores. O dramaturgo é muito solitário, e quando vamos nos reconhecendo fortalecemos a classe. Participei por um ano de um site de dramaturgos. Foi o primeiro movimento feito pela classe carioca, dando a dimensão do que cada um faz. Eles falam que eu sou o dramaturgo pop, que consegue ser menos conceitual (risos). Por mais que um não se identifique com o trabalho do outro, nos defendemos muito, porque sabemos o quanto é necessário divulgar.

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