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Teatro Antônio Hohlfeldt
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Teatro

Coluna publicada em 01/04/2011

Dario Fo, um provocador oportuno

Vez por outra, textos do dramaturgo italiano Dario Fo (Prêmio Nobel de 1997) são encenados na cidade. Não é a primeira vez que História da tigresa, como aqui aparece - História do tigre, como ocorre na edição de Morte acidental de um anarquista e outras peças subversivas (Brasiliense, 1986) - é encenada na cidade. Já tivemos uma montagem anterior, interpretada por uma atriz. Agora, é sob a direção de Arlete Cunha (direção de cena de Fabio Castilhos) que o ator Anderson Balhero, lançando o Grupo Trilho de teatro, interpreta este texto verdadeiramente anárquico, desde o tema até o desenrolar do enredo, uma evidente metáfora que diverte e ao mesmo tempo denuncia.

Um jovem soldado chinês foge dos exércitos de Chiang-Kai Chek, o que pressupõe estarmos ainda na primeira metade do século XX, em plena China continental, no início da revolução de Mao-Tsé Tung. Ferido, o soldado se refugia em uma caverna onde encontra uma trigresa e um filhote. A convivência entre o homem e os animais se desenvolve espantosamente, mas o homem acaba por fugir. Ao chegar a uma aldeia, depois das desconfianças naturais, é adotado pela mesma, até que a tigresa o descobre novamente, mas é adotada pela comunidade e passa a ser sua principal arma de defesa contra... os soldados de Chian-Kai Chek.

Até aqui, tinha-se um enredo entre o surreal e o maravilhoso. É neste momento que Dario Fo faz meia-volta e envereda pela denúncia política contra o que pode a irracionalidade pseudorrevolucionária, representada pelo Partido Comunista Chinês. A peça necessita da participação da plateia, que a partir deste momento começa a ser buscada pelo ator, porque esta mesma plateia terá papel central na finalização do espetáculo.

Dario Fo é um inovador - neste caso, diria até um revolucionário - da dramaturgia convencional. Ele não poupa nada e sempre busca maneiras criativas de dizer o que pretende. Registre-se que o texto continua
extremamente atual, sobretudo por sua conclusão, se relacionarmos os fatos que vêm ocorrendo no Oriente Médio, no que toca às revoltas populares contra líderes despóticos (o caso mais recente é a Líbia) e uma possível aproximação com a permanência do sistema autoritário da China. Neste sentido, a decisão de montagem deste trabalho é extremamente oportuna.

O Grupo Trilho revela um jovem ator, com muita força de vontade, sob uma dupla direção (não entendi o papel de cada diretor, mas vamos lá), exigido continuamente pela troca de tons nas falas, num espetáculo que passa do fantástico e maravilhoso – portanto, em princípio, mais poético - para o paródico - portanto, mais cômico e escrachado.

Estas mudanças, contudo, nem sempre são bem trabalhadas pelo intérprete, que começa num tom de “contador de causo” e assim prossegue ao longo de todo o espetáculo, o que termina por desvalorizar aquele momento final que seria, justamente, o mais importante, o clímax para onde o dramaturgo dirige o texto (o clímax que, para Aristóteles, deve encerrar o desfecho e a lição de toda a obra teatral) fica, assim, diminuído. O tom casuístico não é necessariamente negativo: lembremos a transposição de Guimarães Rosa para um espetáculo extraordinário vivido por Paulo Autran, em Meu tio o Iauaretê. Este mesmo texto de Dario Fo foi transformado em O caso da onça, numa “nacionalização” que certamente agradaria ao dramaturgo. Mas há que se buscar uma chave de interpretação que sempre valorize o texto e seja fiel às intenções do autor, e isso penso que ficou em meio do caminho.

Não obstante, como disse, a verve do intérprete, ainda jovem, a inteligência e a oportunidade do texto, a receptividade da participação da plateia (ao menos na noite em que assisti ao espetáculo), tudo isso faz a gente passar por cima das eventuais debilidades do espetáculo, e se divertir e pensar, ao mesmo tempo, que são os objetivos básicos do texto e da encenação. Vale, pois, conhecer-se este trabalho.

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