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arte Notícia da edição impressa de 03/03/2011

Regina Silveira, do mundo para Porto Alegre

Michele Rolim

MARCELO G. RIBEIRO/JC
Artista Regina Silveira apresentando sua obra na Fundação Iberê Camargo
Artista Regina Silveira apresentando sua obra na Fundação Iberê Camargo

Ao passar em frente à Fundação Iberê Camargo, é impossível não perceber algo diferente na fachada do prédio. Trata-se de Atractor, uma das obras da exposição Mil e um dias e outros enigmas, de Regina Silveira. A gaúcha, radicada em São Paulo, retorna a Porto Alegre para apresentar, pela primeira vez na sua cidade natal, uma exposição de caráter retrospectivo de sua carreira - que abre dia 16 de março e segue até o dia 29 de maio -, ou como ela mesma gosta de dizer, “um survey de sua produção”.

A exposição é composta por 25 trabalhos distribuídos pela fachada, átrio e dois pisos do prédio desenhado pelo arquiteto português Álvaro Siza, com a intenção de explorar as relações entre arte e arquitetura. Quem assina a curadoria é o colombiano José Roca, também curador-geral da Bienal do Mercosul deste ano, parceiro da artista em outras duas mostras: Sombra Luminosa (2008 - Museu de Arte Banco de la Republica, Bogotá e de Antioquia, Medellín, Colômbia) e Linha de Sombra (2009 - Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro). “Depois de realizar duas exposições com curadoria retrospectiva da obra de Regina, parecia-me difícil encontrar um ângulo diferente de olhar para o seu trabalho. Quando recebi o convite da Fundação, refleti muito sobre como obter uma nova perspectiva. Ao visitar o edifício de Álvaro Siza, pensei em estabelecer um diálogo forte entre o trabalho de Regina e o prédio desenhado por Siza”, conta Roca.

A reportagem do Jornal do Comércio encontrou Regina completamente “mergulhada” na Fundação. Ela estava envolvida com a montagem da exposição - que hoje chega praticamente ao final -, coordenação de uma equipe auxiliar, com cerca de 20 funcionários, telefonemas etc. “Cuidado, não pode mexer ali”, diz a um dos colaboradores da casa. Em seguida, o fotógrafo solicita que ela cruze os braços para uma foto, e Regina responde: “quem me conhece nunca vai pedir isso”, brinca.

Essa é Regina, personalidade forte, cuidadosa e minuciosa em relação ao seu trabalho. Em poucos minutos ela mostra que não é, realmente, uma mulher de cruzar os braços, gosta mesmo é de colocar a mão na massa. Com 71 anos, é a artista gaúcha contemporânea que mais circula internacionalmente.

Antes mesmo de entrar no edifício, o espectador já vai se depara com Atractor (2011), que utiliza várias tecnologias digitais e foi desenvolvida com a colaboração do arquiteto Claudio Bueno especialmente para a mostra. A obra é proposta como uma tautologia (luz escrita com luz) que propõe a escrita da palavra na fachada da instituição. Regina já fez algo parecido nas exposições Claraluz, no CCBB, em SP (2003) e Lúmen, no Palácio de Cristal, em Madri (2005), nas ruas de Bogotá e em Lahore, no Paquistão. Desde os anos 1990, Regina vem realizando intervenções públicas. As projeções começaram com o Super Herói, animação a laser na avenida Paulista; depois veio a mosca de Transit, (que está na exposição). Segundo a artista, essas inserções da arte nos espaços urbanos “são movidas por uma intenção mais abarcadora, quase sempre desligada do mundo do mercado, para atender às reais funções da arte, acoplada na oportunidade de poder incidir em mudanças - de percepção e de comportamento - de um público mais vasto, tomado ‘de assalto’ por obras ou ações que se interpõem no seu cotidiano”, explica.

MARCELO G. RIBEIRO/JC

No entanto, todas as obras da gaúcha, de certa forma, vão mexer com o público. É impossível sair ileso depois de se deparar com um objeto, por mais simples e cotidiano que seja, e vê-lo como ameaçador a partir da deformação perspectiva da sua sombra - um dos traços visuais bem característicos do trabalho de Regina. Como na série Armarinhos (2002), representada por duas obras: Botão e Agulha, ou então com uma parede composta por figuras agigantadas de insetos, tiradas de livros entomológicos ilustrados, de diversas épocas. E poder, ainda, observar uma mesa um tanto incomum: com uma toalha de linho com insetos bordados em ponto de cruz, e sobre ela um jogo de louça de porcelana com esses mesmos insetos.

Mas é da obra Mil e um dias (2007) combinada com o Enigma de um dia, de Giorgio de Chirico, que deriva o título da exposição. A primeira é o resultado de uma projeção de vídeo digital pensada exclusivamente de acordo com as características do prédio. Já a segunda representa uma espécie de homenagem. Giorgio de Chirico foi professor de Iberê Camargo por volta de 1948-1949, que por sua vez foi professor de Regina. Para alinhavar esses possíveis diálogos, no segundo andar estarão três gravuras de Iberê e, no primeiro piso, a obra de Giorgio de Chirico, que pertence ao acervo do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo.

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