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Restauro Notícia da edição impressa de 30/12/2010

Dando nova vida à arte

Marcelo Fontoura

GABRIELA DI BELLA/JC
Lengil trabalha há 53 anos recuperando peças com habilidade
Lengil trabalha há 53 anos recuperando peças com habilidade

As mãos hábeis e o conhecimento profundo de Gílson Gonçalves dos Santos são seu patrimônio mais precioso. É com estas ferramentas que ele recebe obras de arte dos cantos e tipos mais variados e, de forma quase mágica, as traz de volta ao seu estado original: intocadas, imaculadas. Mas, na verdade, Gílson Gonçalves é um desconhecido. O crédito pelo minucioso ofício da restauração de obras de arte vai para Lengil, seu nome artístico.

Lengil (uma junção de Gílson, com o nome de sua esposa, Leni) trabalha como restaurador há 53 anos. Sua relação com a arte é antiga, vem desde a infância, na cidade sergipana de Propriá. Sem ter dinheiro para comprar brinquedos, as já competentes mãos juntavam argila do Rio São Francisco para fazer bonecos. Aos sete anos, ganhou seu primeiro troféu, em um concurso municipal de trabalho manual. Cinco anos mais tarde, ele ingressou no seminário, onde aprendeu a pintar com a técnica de óleo sobre tela e entrou em contato com o delicado e paciente trabalho da restauração. Já morando no Rio de Janeiro, Lengil se formou em Belas Artes e, mais tarde, fez diversos cursos de especialização na área.

A arte sacra é o campo de maior especialidade do restaurador, mas não o único. Obras de vários temas e nacionalidades enchem as prateleiras do seu ateliê, um conjunto de duas salas no bairro Centro, em Porto Alegre. Querubins, santos, Jesuses, Marias e Josés (ou apenas suas cabeças e bustos) figuram em pé, sentados, rezando, aguardando o momento de voltarem à plenitude. Em comum entre todas as obras apenas o fato de não estarem nas devidas condições.

O resultado salta aos olhos. Vasos coloridos de qualquer tamanho e quebrados em tantos pedaços quanto for possível voltam ao estado original harmonicamente. Uma Virgem Maria de gesso com defeitos na pintura e nas mãos recebe, gradualmente, o cuidado necessário para brilhar em igrejas novamente. A atenção está nos mínimos detalhes: “Até as pinceladas que o artista deu você tem que analisar como ele deu, para ao restaurar, fazer o mesmo”. O tom de cor utilizado em cada obra também é pesquisado com zelo por Lengil, para não causar contrastes.

O mestre transita livremente entre vários tipos de arte. Óleo sobre tela, biscuit (ou porcelana fria), madeira, peças em gesso, porcelanas, cerâmicas e cristal são alguns. A média mensal de trabalhos é bem variável, mas, conforme o restaurador, “há trabalho o ano inteiro”. Os pedidos vêm de vários países, como Argentina, Uruguai, China, Itália e Alemanha, fora as obras trazidas de outros locais pelos próprios donos. Um dos trabalhos que Lengil mais guarda na memória é a imagem da Nossa Senhora do Caravaggio, feita em madeira policromada e revestida com lâmina de ouro, restaurada mediante pedido especial da Paróquia do Caravaggio, em Farroupilha. Mas o restaurador se ocupa apenas de obras de outros, sem ter filhas próprias? Não, ele tem também suas criações próprias, na área da escultura, que estão espalhadas pelo mundo.

A atividade da restauração não é comum. Lengil conta que, ao chegar a Porto Alegre, em 1969, havia dez profissionais. “Hoje, não conheço mais ninguém que faça esse trabalho. Existem aqueles que o fazem nas igrejas, mas como o meu não conheço”, destaca. Sua própria filha, Patrícia, não quis seguir o ramo, e se encaminha para a área do Direito. Apesar disso, ela encontra tempo para ser, nas palavras do pai, os seus “olhos de lince”. “Ela dá uma fiscalizada, olha pra ver se a cor está correta, se não há mais nenhum defeito”, diz.

Todo o trabalho de Lengil demonstra um profundo amor pela arte. Seu esforço visa reavivar um patrimônio cujo valor muitas vezes é difícil de calcular. É com entusiasmo que ele mostra os registros fotográficos de suas inumeráveis realizações: “O objetivo da restauração é fazer com que a peça volte ao seu estado primitivo. É um processo de paciência e conhecimento”. É a obsessão de Lengil, já apelidado de “o restaurador do impossível”.

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