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Artes visuais Notícia da edição impressa de 15/12/2010

A casa das meninas

Michele Rolim

ANA PAULA APRATO/JC
Alice Soares ganha exposição permanente idealizada por Adair Souza
Alice Soares ganha exposição permanente idealizada por Adair Souza

Obras expostas na parede e algumas ainda espalhadas pelo espaço revelam a doçura e delicadeza da artista Alice Soares (1917-2005). “Ela é isso que você está vendo”, diz o idealizador da exposição, Adair Souza, à repórter. A mostra A casa de Alice, que abre hoje, é resultado de mais de 50 anos de amizade entre Souza e a artista. “Ela me chamava para tomar um café e me presenteava com um desenho”, conta ele.

São 250 peças, mas estão expostas apenas 94 obras, feitas por ela de 1970 a 2004, que custam entre R$ 300,00 e R$ 1.800,00. A intenção é que o espaço abrigue um acervo permanente da artista. Localizada na Rua dos Andradas, número 1755, conjunto 71, a galeria é sede do projeto Enartes - Encontro das artes, fundado também por Souza com o objetivo de levar a arte gaúcha ao Interior do Estado e ao exterior, composta, atualmente, por 20 artistas.

E foi justamente dentro desse projeto que Souza se tornou íntimo de Alice. Ou melhor, as duas Alices. Durante mais de 50 anos, a desenhista dividiu o atelier da rua Marechal Floriano com a colega e amiga Alice Brueggemann (1917-2001). E foram as duas que sugeriram a fundação de um espaço, ao moldes da Barca da Cultura, projeto veiculado ao Ministério da Cultura que levava exposição, teatro e literatura de barco às cidades. “Contei a elas sobre este projeto de que eu participava, elas me disseram que, se eles faziam de barcos, nós podemos fazer de ônibus”, relembra Souza, acrescentando que a Enartes realiza esse projeto há 17 anos.

Filha de mãe uruguaia, Domingas Ardoein, e do médico baiano Deodoro Álvares Soares, incorporado ao Exército Brasileiro, ela nasceu em Uruguaiana, mas morou também em Santa Maria, Florianópolis, Rio de Janeiro e Recife. Antes de falecer, aos 88 anos, Alice não trabalhava mais em seu ateliê. Após a morte da outra Alice, ela fechou o local, e começou a desenvolver peças somente no oitavo andar de um edifício de esquina, em uma das avenidas mais movimentadas do Centro de Porto Alegre, onde vivia com a sua irmã caçula, Julieta - que mora até hoje no apartamento.

O fechamento do ateliê contou com a participação de Souza, que na época fotografou o espaço e ajudou a empacotar todos os pertences, e entregou à ex-reitora da Ufrgs Wrana Panizzi com a promessa de ser feito um acervo para as duas Alices. “Estamos esperando que isso aconteça”, reclama ele, lembrando que as duas foram pioneiras no processo de profissionalização dentro das artes no Estado. No local restou apenas uma placa, que ele mesmo, a pedido da Secretaria da Cultura, colocou: “Nesse prédio na sala 61 durante 50 anos duas artistas plásticas criaram as mais belas obras de arte”. 

Conhecida por seus desenhos de meninas, Alice utilizava crayon e papel para dar vida a elas. “Como Alice era professora, o referencial dela sempre foi a turma que ela lecionava. Na época era composta só por garotas. Ela gravava cada rostinho e depois desenhava eles”, conta Souza, acrescentando que são raros os desenhos de meninos, no local existe apenas dois.

Para Souza, as figuras dessas garotinhas, sentadas ou em pé, com olhar triste ou alegre, são sempre apaixonantes. “Antes de ela falecer eu prometi que todo o trabalho seria emoldurado e feita uma retrospectiva, e esse é o resultado”, comenta ele, orgulhoso.

Apesar de já ter se passado algum tempo, desde o seu falecimento, ele confessa estar muito saudoso. Também diz que ela era uma pessoa de outro mundo, contando uma pequena história que justifica tal afirmação. “Eu fui pela manhã no hospital, ela me disse que não poderia sair, pois estavam a esperando para um coquetel, às 16h, e eu perguntei onde. Ela respondeu: ‘é do outro lado que estão me chamando’. E justamente, às 16h, ela faleceu”, recorda.

A exposição abre hoje acompanhada de uma programação musical. Das 17h às 18h30min, a atração será Hector Rojas Farias. Já às 19h, o coral da Agea (do qual participa Souza) entra em cena. Das 20h às 21h30min, Farias dá continuidade à segunda parte do concerto. A entrada é franca.

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