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Formas Gaúchas Notícia da edição impressa de 29/07/2010

Subversão da xilogravura

Michele Rolim

SILAS ABREU/DIVULGAÇÃO/JC
Artista Mara de Carli Santos trabalha com gravura em Caxias do Sul
Artista Mara de Carli Santos trabalha com gravura em Caxias do Sul

Subverter (um pouco) o rigor do sistema de trabalho da xilogravura é uma das características da produção de Mara de Carli Santos. A artista plástica formada pela Universidade de Caxias do Sul (UCS) iniciou a trajetória em xilogravura em 2000, com ensinamentos de Anico Herskovits e orientação de Jailton Moreira (com quem permanece até o momento), dentro das oficinas do Núcleo de Artes Visuais de Caxias do Sul (Navi), o qual esteve à frente da direção durante 11 anos.

Mara começou a trabalhar com paisagens, porém a rigidez do início da produção permitiu entender as exigências da xilogravura, suas necessidades, técnicas de corte e impressão, seus procedimentos e escolhas. E isso a levou também a pensar na possibilidade de deixar esse sistema de trabalho mais moldável à sua maneira particular de produzir. “Chegou um momento em que a paisagem foi se diluindo, e eu comecei a perceber que cada madeira tinha no seu veio a sua própria identidade e era isso que eu estava buscando. Era uma questão de acentuar esses veios próprios da madeira”, destaca.

Dessa forma, os cortes das xilogravuras se transformaram, lentamente, numa busca constante da identidade da matéria: a madeira. “Eu passei a ver que a própria madeira poderia estabelecer alguns recortes de forma que levasse a pensar muito mais em um objeto do que propriamente em uma paisagem”, conta Mara, acrescentando que, “se olhares para uma dessas xilogravuras, em um momento tu vais ver somente uma madeira e em outro o teu olho vai procurar algo mais. E é essa oscilação que eu tenho buscado e continuo a buscar”, salienta.

Segundo ela, algumas xilogravuras requerem meses de trabalho, cortes sutis de agulhas e alfinetes, marcas no limite da intervenção. Outras permitem um gesto só, caso contrário, se anularia a linha, afastando cada vez mais a marca do artista. “É importante dizer que eu trabalho no limite da intervenção e vou até a fronteira em que meu gesto não seja tão apontado. Eu tento de alguma forma anular esse gesto, com o cuidado de não anular a identidade da minha xilogravura”, conta.

O colorido também não está presente no trabalho da artista, que vai do preto ao branco passando pelo cinza. Conforme ela, a introdução da cor faz com que se perca a ilusão de ótica, fundamental no trabalho da artista. “Por ser simplificado não quer dizer menos complexo. Tudo aquilo que sugere um enfeite eu não gosto”, comenta Mara.

Dialogar com o espaço

As obras de Lygia Clark na série Bichos e Hélio Oiticica com seus Parangolés, ambos dentro da tradição brasileira do abstracionismo geométrico, fizeram com que a artista plástica da UCS introduzisse na produção de xilogravuras dobraduras e dobradiças. Ao olhar uma das xilos, o espectador vê um objeto tridimensional numa técnica bidimensional, ou seja, essa imagem passa a ocupar um lugar no espaço, que é constantemente reconfigurado a partir de um movimento do espectador.

Esse estar em relação ao espaço é a proposta da nova série em que Mara está trabalhando e ainda não foi exposta. Para isso acontecer, houve um tempo de espera e até mesmo um retorno aos primeiros processos da xilogravura. Em 2007, em uma das aulas de orientação com Jailton Moreira, ela se deparou com o filme Bom dia, do cineasta Yasuiro Ozu (portas de casas japonesas se abriam e fechavam constantemente, umas sobre as outras). “Percebi que os elementos das xilogravuras poderiam deixar de se abrir por meio de dobradiças e fazê-lo por corrediças”, conta. Era uma nova possibilidade que se apresentava, mesmo que toda a estrutura de composição das xilos tivesse que mudar. “É preciso se reinventar. E é essa a função de um artista, na medida em que você começa a repetir todos os seus procedimentos, cai numa falta de graça e de vontade. Um artista tem que sempre exercitar dois verbos: ler e ver”, conclui.

Paralelamente ao processo da gravura, a artista tem uma produção aindapequena em fotografia pinhole. Ela não pensa em parar de trabalhar com a gravura, mas adverte: “eu não sou tão fiel a ela”, adicionando que “eu não tenho nenhum problema se, ao final de uma produção, a matriz virar lenha para a fogueira. Não tenho essa preocupação. Não faço tiragem e misturo tudo se for o caso”, acredita Mara, que avisou desde o início da entrevista que gosta de subverter a xilogravura.

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