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Entrevista Especial Notícia da edição impressa de 28/06/2010

Dilma é mais preparada do que Lula, avalia Aldo Pinto

Guilherme Kolling e João Egydio Gamboa

Fredy Vieira/JC
Ex-deputado explica por que considera a ex-pedetista mais preparada que Lula.
Ex-deputado explica por que considera a ex-pedetista mais preparada que Lula.

O ex-deputado Aldo Pinto (PDT) conta que seu jingle na disputa ao governo do Estado de 1986 - “Eu vou de Aldo / Eu vou de Aldo / Eu vou de Aldo para governador” - é lembrado até hoje. Não raro, o abordam cantando a música. O que pouca gente recorda é que a presidenciável Dilma Rousseff (PT), então no PDT, era uma das suas principais assessoras na campanha e na formulação do plano de governo. Nesta entrevista ao Jornal do Comércio, Aldo explica por que considera a ex-pedetista mais preparada do que o presidente Lula (PT) para comandar o País. E informa que fará campanha por Dilma.

Também volta ao tema da aliança do PDT com o PDS, no pleito de 1986, criticando os que o estigmatizaram pela coligação - a qual ele diz que foi contra num primeiro momento, mas aceitou “por ser um homem de partido”.

Aldo, que foi homenageado como deputado emérito na semana passada na Assembleia Legislativa, observa que Leonel Brizola (PDT) estimulou a coligação, salientando que a campanha foi fundamental para amenizar restrições da parte mais conservadora do eleitorado gaúcho. Com isso, permitiu a grande votação do pedetista no Estado, três anos depois, na disputa à presidência da República de 1989. “Fez mais de 60% dos votos. Nem Getúlio (Vargas) tinha feito isso”.

Jornal do Comércio - Comentávamos, antes desta entrevista, como foi marcante o jingle da campanha de 1986.
Aldo Pinto -
Marcante foi o estelionato que nos aplicaram. O Plano Cruzado garantiu rancho a CR$ 100,00, CR$ 200,00 em abril. Em outubro (depois da eleição) estourou em CR$ 500,00 e acabou o plano. Perdemos a eleição em 23 estados da federação.

JC - Mas aqui no Estado não foi inusitada aquela aliança do PDT com o PDS (originário da Arena, hoje PP)?
Aldo -
Não tem nada de inusitado. Tentaram me estigmatizar (políticos do PMDB, principal adversário na campanha de 1986), inclusive um cidadão, que não vou dizer o nome porque é candidato agora. E quando chegaram ao governo do Estado, 60% dos integrantes eram do PDS, tanto no governo (Antonio) Britto (PMDB, 1995-1998) quanto no governo (Germano) Rigotto (PMDB, 2003-2006). O PT fez coligação à presidência com o Partido Liberal (PL, hoje PR - Partido da República), que é a antítese do que eles defenderam. É preciso conhecer a história. Getúlio fez coligação com Ademar de Barros para se eleger presidente. E Brizola fez com o PRP para ser governador do Rio Grande do Sul. Eu fiz mais de 1 milhão de votos (em 1986), fiquei em segundo (atrás de Pedro Simon, do PMDB), carregando o problema da coligação.

JC - Como foi a articulação da aliança naquela época?
Aldo -
Eu era candidato a candidato ao governo pelo PDT. Aí, Brizola lançou Sereno (Chaise). Depois, Sereno retirou a candidatura; na convenção, era eu e Matheus Schmidt. Fiz de 70% a 85%. E o pessoal do partido que se intitulava mais da esquerda, que de esquerda não tinha nada, era favorável à coligação (com o PDS). Eu era contra.

JC - O senhor era contra a aliança com o PDS?
Aldo -
Era nossa posição inicial. Quando o partido definiu, mesmo que seja contra, aceito, sou homem de partido. E, aliás, a coligação me honrou muito. Foi feita sem compromisso de cargos. Foi aberta e, como disse, no passado já tinha ocorrido, caso do Brizola com o PRP.

JC - Brizola pensava essa estratégia...
Aldo -
Um certo dia, na casa dele, alguém disse: “Leonel, Matheus é nosso amigo, Aldo é nosso amigo, só que Matheus é de origem do PCB. E Aldo é parecido com o Janguinho (João Goulart): é do Interior do Rio Grande, produtor (rural) e da sociedade de Porto Alegre. Tem mais condições para te ajudar no futuro”. E o que Brizola queria ser? Presidente da República. Então, ele estimulou o partido a fazer a coligação.

JC - Brizola estimulou a coligação com o PDS pensando já nas eleições de 1989?
Aldo -
Essa conclusão o pessoal tira. Mas antes deixa eu terminar... Eu sofri muito, disseram que fiz a coligação, e de uma forma agressiva, para me estigmatizar. Mas sabe qual foi o resultado da coligação? Brizola foi candidato à presidência da República e fez mais de 60% dos votos no Rio Grande, o que nem o Getúlio tinha feito. E, depois, (Alceu) Collares (PDT) se elegeu governador. Essa é a história. Foi uma quebra de restrições.

JC - O senhor quer dizer que, se o PDT tivesse marcado a polarização pós-ditadura na campanha de 1986, Brizola não teria aquela votação em 1989?
Aldo -
Ah, não chegava. E perdemos em 23 estados da federação em 1986, até com Darcy Ribeiro perdemos. Ou seja, não era a coligação, era o Plano Cruzado, um estelionato eleitoral. Foi o que mais pesou. Claro, meus adversários (PMDB) se aproveitaram da coligação, mas quando chegaram ao governo também fizeram coligação, só que por cargos.

JC – O PMDB disputou com o PDT o apoio do PDS em 1986?
Aldo –
Eles disputaram e o PDS decidiu fazer conosco, Brizola teve uma atuação decisiva. E nos faziam acusações nos comícios. No povo, havia um enraigamento de posição do PDS na época da ditadura. Isso radicalizou as posições e nos criou um viés difícil. Mas o decisivo foi o Plano Cruzado. O (então presidente da República José) Sarney armou o Plano Cruzado só para ganhar as eleições. Minha assessora na época era a Dilma, trabalhou muito tempo comigo...

JC - Dilma Rousseff atuou na campanha com o senhor?
Aldo -
Quando foi feita a coligação ela disse: “Feita a coligação, vamos honrar”. Ela foi leal comigo, é muito inteligente, fez o plano de governo. E na época dizia: “Aldo, essa eleição é dura em função desse Plano Cruzado, isso é uma vergonha”. Ela já antevia isso. Mas quanto mais a gente batia no plano, mais voto perdia.

JC - Quando o senhor conheceu Dilma?
Aldo –
Na Assembleia Legislativa (ela foi assessora da bancada do PDT). Depois, foi secretária do município, de Estado. E saiu do partido, foi para o PT. Mas convivi com ela e não mudei meu conceito. É uma mulher digna, honrada, competente e amiga. E tem um conhecimento do Brasil muito maior que o Lula. É muito mais preparada que o Lula. Claro, ele tem um dom excepcional de falar com o coração, uma sensibilidade política - fala o que o povo quer ouvir. E a Dilma é a cabeça, o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) é dela.

JC – Mas ela é criticada exatamente por ser técnica e nunca ter concorrido em eleições.
Aldo –
Mas ela tem um viés político. Não tem esse calor que o Lula tem e que o Brizola tinha. Dilma sintetiza o seu pensamento na procura da solução dos problemas. Ela é técnica na premissa de comandar internamente o Brasil. Mas, politicamente, está decidindo as coisas. Sou testemunha, ela me ensinou muita coisa em relação aos enfrentamentos políticos. E tem um conhecimento grande do Brasil; se for eleita, vai ajudar muito o Rio Grande do Sul.

JC – Como?
Aldo –
A cidade de Rio Grande, por exemplo, vai ser transformada em algo espetacular. E ela vê essa necessidade de estradas, infraestrututra, vai investir nisso. Aliás, é o que mais se precisa no Brasil atualmente. E na política ninguém ganha nada quando “enterra” sua obra, o pessoal gosta mais quando a obra aparece. Mas a infraestrutura tem um peso muito grande para ela.

JC – Qual sua avaliação da disputa nacional?
Aldo –
Marina (Silva, PV) não tem (chance). Faço votos de que um paulista (José Serra, PSDB) não ganhe a eleição. Vou fazer campanha para Dilma.

JC – E sua opinião sobre o quadro na eleição para o Palácio Piratini?
Aldo –
Olha, está difícil. E dizem que a (governadora) Yeda (Crusius, do PSDB) está cres-cendo muito. Ela vai tirar votos de (José) Fogaça. Mas o PMDB é forte, o PDT também, é uma du-pla respeitável. E tem o candidato do PT (Tarso Genro).

JC – O senhor falou que Yeda vai tirar votos de Fogaça. A disputa no primeiro turno, mais direta, será entre os dois?
Aldo –
Os dois vão disputar para ir ao segundo turno. Mas nenhum dos três está garantido. É uma eleição muito parelha. Inclusive, falei com (o jornalista) Lasier Martins por telefone, convidei ele para ser candidato ao Senado (do PDT) neste ano e até para ser candidato a governador. Na época, início do ano, usei o seguinte argumento: nenhum dos candidatos tinha mais de 10%. Qualquer pessoa que, naquele momento, nascesse como candidato de uma forma especial e fosse acatado pelo povo seria forte na disputa a governador. Olha, até os candidatos ao Senado se tem dúvida de quem vai se eleger. Ana Amélia (Lemos, PP) pode ir, não se assuste se ela surpreender. E acho que o (Paulo) Paim (PT) é certo.

JC – Qual é a principal pauta a ser debatida nas eleições?
Aldo –
O setor financeiro, juros. Não é uma questão de baixar ou não, é uma questão de parar com a espoliação. A reforma tributária tem que vir. E também é preciso dar um embasamento melhor ao setor da produção - o primário e o industrial. Há tributo demais e isso não faz caixa. O que faz caixa é trabalho e produção. Tem que gerar empregos no Rio Grande do Sul, fazer com que haja um ganho maior do trabalhador. Quanto mais ganhar, mais a família vai gastar, gira a economia. É um pensamento capitalista, às vezes alguns retrógrados não entendem.

JC – E o seu partido, o PDT? Como o senhor projeta a atuação da sigla daqui para frente?
Aldo –
Partido que não busca o poder não é partido. Tem que mostrar suas ideias para que o povo possa fazer a opção. No segundo turno, pode fazer coligação para manter a governabilidade. O PT, por exemplo, se coligou com todos. O ministro das Cidades é do PP. E Lula está certo. Agora, o PT, na época (anos 1980), propúnhamos coligação aqui e eles nunca aceitaram, foram fazendo o partido deles e chegaram a 16 anos na prefeitura (da Capital). Então, esse tipo de comportamento (não lançar candidato próprio) coloca um partido político, que é um dos  poucos que têm história, a ser coadjuvante de outros. Penso que é a oportunidade de fazer uma reavaliação, para que se modifique e se lance candidato à majoritária.

JC – E os seis anos da perda de Brizola? Como ficou o PDT?
Aldo –
Sempre houve líderes fortes. Mas fico com a ideia de que o mais importante são as ideias. Isso é que deve prevalecer. O homem passa, a ideia fica. Fica o brizolismo, o getulismo...

JC - O senhor participou da fundação do PDT.
Aldo -
Tive muitos contatos (durante a ditadura) com Brizola, no Uruguai, nos Estados Unidos. Depois fui a Portugal e lá nós discutimos a formação do partido.

JC – A ideia original era refundar o PTB?
Aldo –
Fomos surpreendidos por aquele golpe do Golbery do Couto e Silva, que nos tirou a sigla. Brizola ficou terrivelmente emocionado, ocorreu aquele episódio de rasgar o papel (com a inscrição PTB), com o que não concordei. Tínhamos que ficar e tirar de Ivete Vargas o comando da sigla. Isso foi no início de 1980. O PTB de hoje não dá nem para qualificar. Mas tentamos no PDT manter a figura exponencial de Brizola, Getúlio, Jango, para que fossem a base do pensamento do partido. E Brizola trouxe uma tese importante na volta (do exílio), que foi a social-democracia. E o partido foi se formando. Mas devemos reconhecer que a sigla PTB era conhecida em nível nacional, pela própria história de Getúlio. Foi uma perda indiscutível.

Perfil

Aldo Pinto da Silva, 70 anos, é de Palmeira das Missões (RS). Formado em Agronomia pela Ufrgs, em 1961, atuou como profissional liberal até passar em concurso para ser fiscal do Ministério da Agricultura, pelo qual se aposentou em 1992. Iniciou sua vida política no movimento estudantil. Brizolista, destaca o episódio da Legalidade como o mais marcante. Filiado ao MDB, foi candidato à prefeitura de sua cidade natal nos anos 1960, mas só se elegeu em 1974, como deputado estadual. Reeleito em 1978, foi presidente da Assembleia Legislativa. Em 1982, já no PDT, obteve vaga na Câmara dos Deputados, sendo o mais votado da sigla. Em 1986, disputou o governo do Estado, ficando na segunda colocação. Em 1990, elegeu-se deputado federal. Foi secretário estadual da Agricultura em 1991 e 1992, no governo de Alceu Collares (PDT), e em 1994 disputou o Senado, sua última eleição. Hoje, integra o diretório estadual e nacional do PDT.

COMENTÁRIOS
Dirceu Loeff - 28/06/2010 - 20h22
Realmente Aldo tem razão. Partido que não busca o poder não é partido,porém o culpado foi Brizola que nunca incentivou o crescimento de uma nova liderança no partido. E daí, vamos começar de novo com novas pessoas ou companheiros antigos. Sou Carazinhense, do PDT e brizolista até morrer. Comentei com alugns companheiros de fundar na terra natal de Brizola um novo partido, O PBB - Partido Brizolista Brasileiro. Deram risada. Moral da história. Alto tem razão quando afirma que o PDT não tem mais identidade própria, vive somente com as migalhas dos outros partidos. E o nosso orgulho de ser brizolista, morreu.. Um abraço, Companheiro Aldo Pinto.


ALEXANDRE GODOY -
30/11/2011 - 16h02
Além de retratar com realidade os fatos da época se o plano cruzado não tivessse enganado os eleitores, com certeza ALDO PINTO teria sido eleito Governador. Quanto ao Jingle "Eu vou de Aldo" até hoje soa em nossos ouvidos. Se fosse possivel gostaria de saber onde posso escutá-lo denovo


joao carlos demon -
05/11/2013 - 19h51
esse aldo pinto e um dinossauro decrepito joguente nas mãos do colares,juliana Brizola, afonso mota. a araujo onde se viu esse dinossauro que não significa mais nada no pdt querer ser candidato ao governo gaúcho?? esse e o fim do pdt mesmo tenho pena do nosso partido com pessoa que não tao nem ai com o pdt so querem cargos do pt

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