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No Palco Notícia da edição impressa de 27/05/2010

Casamento da infelicidade

Helio Barcellos Jr.

Júlio Appel/Divulgação/JC
Marcados pela tragédia de Lorca, Sandra Dani e Fabrizio Gorziza são mãe e filho em Bodas de Sangue.
Marcados pela tragédia de Lorca, Sandra Dani e Fabrizio Gorziza são mãe e filho em Bodas de Sangue.

Com direção conjunta de Luciano Alabarse e Luiz Paulo Vasconcellos, Bodas de sangue promete arrebatar. Um ensaio aberto realizado semana passada mostrou que a encenação do texto de Federico García Lorca (1898-1936) será muito envolvente e repleta de emoções fortes, terá imagens impactantes e cenas de dança flamenca. A estreia será hoje, às 21h, no Theatro São Pedro. O projeto é antigo, tanto que a atriz Sandra Dani brincou que faria a filha e agora é a mãe. “Eu e Sandra, espanhóis de pura cepa, realmente falamos durante anos sobre esta ideia, montar um Lorca legítimo”, diz Alabarse. No meio disso, ele se apaixonou pelas obras do Thomas Bernhard e pelas tragédias gregas.

De acordo com ele, Lorca, “o pianista, folclorista e poeta extraordinário”, encontrou no teatro a linguagem para que todas suas habilidades artísticas “escoassem em altíssimo nível”. Luciano destaca que o dramaturgo mistura linguagens com ousada maestria em Bodas de Sangue: “As cenas realistas do início da peça vão dando lugar a cenas expressamente simbólicas, a prosa vai se misturando com a poesia, a realidade se confunde com a ficção”.

Baseada em fatos reais ocorridos com camponeses da Província de Nijar, na Andaluzia (Espanha), a peça conta a história de uma noiva (Sissi Venturin) que foge com seu ex-namorado no dia do casamento. Antes disso, o noivo puro (Fabrizio Gorziza) leva sua mãe (Sandra Dani), uma viúva marcada pela morte de marido e outros filhos em lutas por terras, para conhecer a pretendente e seu pai (Mauro Soares). Ainda que relutante, a mãe acaba aceitando a jovem, que, no entanto, arde em chamas por Leonardo (Marcelo Adams), cuja esposa (Vika Schabbach) está grávida do segundo filho. Ida Celina (como a morte vestida de mendigo), Fernando Zugno (como a Lua), Lurdes Eloy e Margarida Leoni Peixoto completam o elenco.

Como em suas criações anteriores, Alabarse ficou tão apaixonado por Bodas que o projeto de direção o tem ocupado de forma intensa e definitiva. Além de estudar “como um louco”, cada obra, cada autor escolhido, ele gosta do resultado quando sente harmonia entre intenção e gesto. “Só intenção não me basta; quero a beleza do artifício teatral, essa mentira mais verdadeira do que qualquer realidade fora do palco. Quando me encontro frente a frente à linguagem original de um espetáculo, começo a achar que vale a pena esse ofício tão árduo”, comenta.

Além da nova parceria entre Alabarse e Vasconcellos, a equipe técnica também reprisa nomes de outras encenações: Sylvia Moreira (cenografia), Rô Cortinhas (figurinos), Moysés Lopes (trilha sonora) e Maurício Moura e Cláudia de Bem (iluminação). O diretor lembra que Vasconcellos foi seu primeiro professor de direção e, ainda hoje, é a voz-guia de suas escolhas cênicas. “No programa da peça, ele escreveu um texto lindo chamado Idênticas Diferenças. Eu, em princípio, fiquei responsável pela concepção cênica e ele pela preparação do elenco, e interferimos o quanto quisemos um na área do outro. Adoro estar perto dele, um dos maiores nomes do nosso teatro, amigo de todas as horas”, elogia.

Uma série de atrações extras faz parte da temporada. Debates com membros da Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre serão realizados depois das apresentações de amanhã (com o psicanalista Carlos Gari Faria) e de 4 de junho (César Luís de Souza Brito). A partir das 20h30min, os espectadores podem ver uma aula de flamenco com o elenco no palco, idêntica à que era realizada durante os ensaios. Entre o fim do aquecimento e o começo da peça será exibido um trecho de dois minutos do filme Buñuel e a Mesa do Rei Salomão (2001), de Carlos Saura, o mesmo cineasta da versão cinematográfica de Bodas de Sangue (1981). É a cena em que a cantora de flamenco Estrella Morente canta Quatro Muleros em um bar para o próprio Lorca.

Perto do duende

“Estou envelhecendo agradecido aos deuses. Não me sinto acomodado, preguiçoso ou incapaz de vencer as grandes dificuldades que uma produção teatral carrega consigo. Não me interessa o teatro comercial de linguagem televisiva. Tenho cúmplices talentosíssimos que me inspiram e que me deixam sempre com vontade de produzir um teatro que importe e faça diferença. Não é mais uma afirmação de espaço, que já construí na cidade, ou de vaidades variadas. É a vontade de encontrar campo, de não me acomodar, não fazer mais do mesmo, não ter medo da arte verdadeiramente sagrada. Na Espanha, os artistas dizem que temos um duende que nos leva a criar, e que só se estamos acompanhados dele realmente criamos. Meu duende está em plena efervescência, e não me deixa quieto nunca”. (Luciano Alabarse)

Bodas de Sangue: Hoje, sexta e sábado, às 21h, e no domingo, às 18h
Theatro São Pedro (Praça da Matriz, s/nº)
Temporada segue de quinta a domingo na próxima semana.
Ingressos de R$ 10,00 a R$ 50,00

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