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Literatura Notícia da edição impressa de 20/04/2010

Absorvendo as linguagens criativas

Caroline da Silva

Festipoa Literária/Divulgação/JC
Homenageado Sergio Faraco autografa livro.
Homenageado Sergio Faraco autografa livro.

Nesta terça-feira se inicia mais uma Festipoa Literária - a festa da literatura da Capital gaúcha. Nesta 3ª edição, serão seis dias de intensa festividade, com a participação de cerca de 50 artistas. De 20 a 25 de abril, estão programados painéis, debates, saraus, oficinas, exposições, exibição de filmes, lançamentos de livros e oficina de confecção de livros e de pintura de capas em papelão.

Os locais de realização são as livrarias Palavraria (Vasco da Gama, 165) e Letras & Cia (Osvaldo Aranha, 444), Espaço Cultural Casa dos Bancários e CineBancários (General Câmara, 424), Instituto Cultural Brasileiro Norte-Americano (Riachuelo, 1257), Sala Álvaro Moreira (Erico Verissimo, 307), Zelig Bar (Sarmento Leite, 1086), Pé Palito Bar (João Alfredo, 577) e OX/Ocidente (Osvaldo Aranha, 960).

Fernando Ramos, idealizador e coordenador da iniciativa, produz a Festipoa em parceria com as livrarias Letras & Cia e Palavraria. Ele diz que o evento é de fato uma festa e considera que houve evolução na capacidade de despertar maior interesse no meio literário e no público leitor de literatura gradativamente ao longo desses três anos. “A literatura é uma expressão artística muito forte, talvez a mais forte ou com capacidade de mexer mais profundamente no indivíduo. Diferentemente da música, por exemplo, que possui peculiaridades que as outras artes não têm, a literatura pode absorver a linguagem criativa de todas as artes.”

Para Ramos, a integração de artes que se reflete na programação é natural quando não se pensa um evento de literatura que se pretende somente “literário”. Na opinião dele, a oportunidade de aproximações e troca de experiências é o que sempre se nota na intenção de toda festa. “A boemia é salutar para a literatura, e ler e conversar bebendo uma cervejinha só melhora as coisas”, diz, se referindo às atividades programadas para os bares.

Em 2010, a Festipoa, que antes homenageou Donaldo Schüler e Luis Fernando Verissimo, faz o tributo ao ficcionista e tradutor Sergio Faraco, um dos mais elogiados contistas do País. Em atividade há quase quarenta anos, o organizador de antologias não passa um ano sem publicar ao menos um trabalho. Sobre a pretensa distinção, ele responde: “As homenagens não têm efeito direto sobre a qualidade do trabalho de um autor, mas o estimulam a buscar a última fronteira de sua capacidade criadora”.

As homenagens a Faraco iniciam já na abertura do evento, nesta terça, às 17h, na Palavraria. Em um painel, ele conversa com a escritora Cíntia Moscovich e o crítico de arte Jacob Klintowitz sobre contos e tradução. Em seguida, às 18h30min, acontece a Maratona Literária 7, com leitura  em voz alta, em revezamento, da sua coletânea Dançar tango em Porto Alegre.

Na quarta-feira, o filme Um aceno na garoa, de Mário Nascimento, baseado no conto de Sergio Faraco, tem sessões às 15h, 17h e 19h, no CineBancários. Na narrativa, durante uma noite de inverno em Porto Alegre, com chuva fina, há um encontro inusitado de desfecho surpreendente. O homem está desempregado; a mulher, na rua, se prostituindo. São duas pessoas sem amigos, sem parentes, entregues a sua própria sorte, numa situação de vida degradante.

Ter a experiência de visualizar a obra de um autor por outra forma de arte (como a do poeta Manoel de Barros em Só dez por cento é mentira) é uma das possibilidades oferecidas pela Festipoa Literária, assim como a diversão. Segundo Ramos, a expectativa é de que as pessoas conheçam novos autores e leiam os arrolados na programação. “E que a gente se contagie de alguma nova inquietação. Se a festa também for divertida, o objetivo terá sido alcançado.”

Pela solidificação dos coletivos

Assim como ocorrido nas edições anteriores, toda a programação da Festipoa Literária é gratuita e aberta ao público. As exceções são as festas. Detalhes e todas as atividades estão disponíveis em www.festipoaliteraria.com.

Entre os convidados de fora, estão Xico Sá (SP), Wladimir Cazé (ES), Lima Trindade (BA), Marcelino Freire (PE), Luis Serguilha (Portugal), Simone Campos (RJ), Jacob Klintowitz (SP) e Bárbara Lia (PR), Guto Leite (MG). Daqui, entre outros, estarão presentes nomes como Altair Martins, Cardoso, Luiz Paulo Faccioli, Jorge Furtado, Edgar Vasques, Marcelo Spalding, Cíntia Moscovich, Clô Barcelos, Juarez Fonseca, Alcy Cheuiche e Luciana Thomé. Também durante a FestiPoa, o projeto Maratona Literária completa seu primeiro aniversário. O público que deseja participar deverá ler o livro de contos Dançar tango em Porto Alegre, do homenageado Sergio Faraco. As leituras acontecerão terça e quinta, às 18h, na Livraria Palavraria (Vasco da Gama, 165) com entrada franca. 

Essa terceira edição tem como atração de artes plásticas uma exposição de Guilherme Moojen, no Espaço Cultural Casa dos Bancários (General Câmara, 424). Já a programação de cinema, no CineBancários, abre nesta terça com as sessões dos filmes Ferreira Gullar, a necessidade da arte (Zelito Viana, 2005); O canto e a fúria (Zelito Viana, 1996); e Por acaso, Gullar (Rodrigo Bittencourt e Maria Rezende, 2005). Quarta, é a vez de Um aceno na garoa, de Mário Nascimento (2007), baseado no conto do Sergio Faraco. Por fim, na quinta, será exibido Só dez por cento é mentira - desbiografia oficial de Manoel de Barros, dirigido por Pedro Cezar e premiado em diversos festivais em 2009. Na abertura de cada sessão serão exibidos mini-metragens do projeto Cidade Poema.

A sensação da 3ª Festipoa Literária promete ser o coletivo Dulcinéia Catadora. É um projeto artístico autossustentável que reúne artistas, escritores e catadores na publicação de livros de contos e poesias com capas artesanais pintadas a mão. Elas são confeccionadas de papelão comprado dos catadores a R$ 1,00 o quilo, quando eles normalmente o vendem a R$ 0,30. Na Capital, Dulcinéia Catadora fará os lançamentos dos dois primeiros títulos gaúchos - as coletâneas de contos Duas palavras, de Altair Martins e Quatro quartos, de Monique Revillion. A coordenadora do coletivo, a artista plástica Lúcia Rosa, virá ministrar uma oficina de pintura de capas e montagem de livros, no sábado, às 16h, na Praça da Alfândega, em frente ao Clube do Comércio. As inscrições são gratuitas, pelo e-mail jornalvaia@gmail.com ou pelo telefone (51) 9892.3603.

Conforme o coordenador Fernando Ramos, uma das intenções é agregar trabalhos coletivos ou então que tenham o perfil de buscar uma coletividade com os seus resultados. “O Dulcinéia é um excelente trabalho de difusão, sofisticado, que oportuniza acesso a publicações literárias para um público que não precisa dispor de mais de R$ 5,00 para ler um livro do Altair Martins ou do Manoel de Barros. As tiragens não são aos milhares, mas os livros do Dulcinéia estão aí circulando.”

Fazendo arte politicamente

Entrevista com Lúcia Rosa, coordenadora do coletivo Dulcinéia Catadora.

JC - Quanto tempo tem o projeto e desde quando ele funciona nesses moldes?

LR - Iniciamos o coletivo Dulcinéia em fevereiro de 2007. Desde a montagem do ateliê, pintamos capas de papelão para os livros, além de realizarmos instalações e intervenções urbanas, sempre tendo como matéria-prima o papelão comprado de catadores independentes ou de cooperativas. Hoje temos mais de 60 títulos.

JC - Porque o nome Dulcinéia Catadora?

LR - Dulcinéia é o nome de uma catadora que trabalha na Coopamare, cooperativa onde costumamos comprar papelão. Ela tem 49 anos, é nascida no Maranhão e luta para sobreviver em São Paulo. Foi uma das primeiras catadoras que conheci, é uma mulher forte, corajosa, não tem papas na língua, mas está sempre sorrindo. E quando pensamos em colocar o nome dela, logo nos veio à lembrança a personagem de D. Quixote, que tem tudo a ver com o coletivo. Dar ao coletivo o nome de um catador também foi uma forma de tornar claro nosso vínculo com o Movimento Nacional dos Catadores de Recicláveis.

JC - O coletivo costuma participar de eventos com as características da Festipoa Literária?

LR - Já participamos de vários eventos literários pelo Brasil. É importante estar presente, levar essa ideia para todos os cantos do País, abrir caminhos para literatura paralelos ao mercado editorial, fazer arte politicamente. O coletivo trabalha com uma linguagem híbrida, une literatura e artes visuais, por isso participa de eventos nas duas áreas. As capas são pintadas livremente, cada qual vai desenvolvendo sua linguagem e participamos todos juntos desse fazer artístico. Confeccionamos livros para lançamentos, atendemos a pedidos, discutimos possíveis intervenções, oficinas e fazemos leituras dos textos que nos chegam.

JC - Como artista plástica, resolveste se engajar no projeto pela função social?

LR - Em meu trabalho autoral usava material reciclado, lâminas de ferro que compõem o motor de eletrodomésticos. Ia sempre a cooperativas comprar esse material. Isso resultou em uma aproximação com os catadores. Acabei me interessando pela vida deles e meus trabalhos começaram a incluir gravações de conversas com eles. Migrei para o papelão, fazendo esculturas. E ao acreditar que o artista deve ter um papel social e político ativo, acabei vendo uma ligação cada vez maior entre arte e vida.

Prefiro dizer que o fazer artístico, processo que se desenvolve no ateliê, onde pessoas com formações, credos, origem étnica e modos de vida diversos se unem pela diferença, favorece o entrelaçamento de vivências e o estabelecimento de redes de afetos. Essa troca intensa propicia a criação espontânea em um ambiente em que a estética passa pela ética. Os jovens participantes, com idades entre 17 e 23 anos, alguns filhos de catadores, outros dedicados ao grafite, desenvolvem o interesse por fotografia, artes plásticas, design gráfico, ilustração, literatura e buscam maneiras de futuramente se tornarem profissionais nessas áreas.

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