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finanças pessoais Notícia da edição impressa de 05/04/2010

O desafio de investir no pós-crise

O crescimento econômico e a expansão do consumo têm levado os brasileiros a acreditarem mais na economia nacional e a buscarem formas de tirar proveito do bom momento que o País vive.

Marcelo Beledeli

João Mattos/JC

O Brasil é considerado seguro para investimento, pois conseguiu o “selo de qualidade”, o grau de investimento pelas três principais agências de rating do planeta: Fitch, Moody’s e Standard & Poor’s. No âmbito interno, destaca-se também o crescimento estimado da economia brasileira de 5,51% nesse ano e de 4,5% em 2011, segundo o relatório Focus do Banco Central divulgado no final de março.

No entanto, também existe um cenário de maior pressão nos preços, com o Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) projetado em 5,16% para o final desse ano, acima da meta de inflação de 4,5% perseguida pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), o que está levando o mercado a projetar aumento da taxa básica de juros (Selic) de 8,75% para 11,25% ou 11,50% no final de 2010. Em relação ao câmbio, o real tem se desvalorizado frente ao dólar por motivos internos e externos.

Nesse contexto, os investidores procuram encontrar formas de participar do momento de crescimento da economia brasileira de modo que possam maximizar seus ganhos. No entanto, diante de tantas opções, qual a mais estratégica? Segundo os analistas, antes de bater o martelo, as pessoas devem definir qual o seu perfil. “O investimento tem que estar associado com risco que se quer correr. Quem quer algo mais seguro não deve investir na bolsa, por exemplo”, lembra Matias Frederico Diete-rich, analista da Corretora Solidus. Buscar as informações corretas sobre a aplicação que se está realizando também é um passo básico recomendado pelo analista. “Quem opta por ações, por exemplo, deve pesquisar o histórico das empresas-alvo e dos fundos gestores de suas ações”, lembra.

Além disso, a diversificação de opções, nunca apostando em um único item, é outra regra sugerida pelos especialistas. “De cada R$ 100,00 investidos, por exemplo, eu colocaria de 10% a 15% em dólar, como uma estratégia defensiva, e dividiria o resto entre ações e opções de renda fixa”, orienta José Góes, economista da Win Trade. Segundo Denílson Alencastro, economista da Geral Asset Management, diante da variedade de alternativas, o investidor precisa visualizar três fatores: retorno, risco e liquidez. “Desses, ele poderá escolher somente dois”, afirma.

Ações - Investir na bolsa de valores ainda é uma opção não muito escolhida pelos brasileiros. Em fevereiro, a BM&FBovespa fechou o mês com 558.853 investidores classificados como pessoas físicas ativas, número pequeno diante do tamanho da população do País.

No entanto, a BM&FBovespa estima que, nos próximos cinco anos, esse número pode chegar a cerca de 4 milhões de investidores. “Com a expectativa de crescimento do PIB brasileiro em torno de 5% ao ano durante a próxima década, a probabilidade de crescimento de nosso mercado é portentosa”, explica Décio Pecequilo, operador sênior da corretora TOV. Apenas para os próximos 12 meses, segundo a Banrisul Corretora, existe uma possibilidade de valorização entre 10% e 20% nos investimentos na BM&FBovespa.

Entre as vantagens apresentadas pelas ações, está o retorno mais elevado do que em alternativas conservadoras, como a poupança ou títulos do tesouro. No entanto, elas também tendem a ser mais instáveis, devido à propensão de serem afetadas por fatores externos, como problemas econômicos em outros países.

Atualmente, o cenário é de volatilidade, ou seja, de altos e baixos, tendo em vista alguns desequilíbrios nas economias europeias e a possibilidade de, no médio prazo, haver elevação dos juros em diversos países, bem como no Brasil. No entanto, os analistas ainda consideram as ações como uma boa opção. “Apesar do cenário internacional continuar conturbado, a situação do Brasil é muito cômoda, com crescimento sustentável e geração de emprego, então a bolsa é um investimento sensato a médio prazo”, afirma José Góes, economista da Win Trade.

Poupança - Conhecida por ser o investimento tradicional das classes mais baixas, a poupança foi a opção mais atraente em 2009, devido à manutenção da taxa Selic em 8,75%, o que diminui a procura por outras opções conservadoras. Os depósitos na caderneta chegaram a R$ 319,4 bilhões, segundo o Banco Central (BC). “Isso aconteceu porque na poupança você não paga IR. Se investir a 8,75% ao ano num fundo de renda fixa, que tem uma taxa de administração de 0,5% ao ano, tem um rendimento bruto de 8,25%. Desconte o Imposto de Renda e seu retorno vai a menos de 7% ao ano, quase o mesmo que a poupança oferece”, explica José Góes, economista da Win Trade.

Tendo em vista essa situação, o governo chegou a anunciar que iria tributar os rendimentos de aplicações em poupança acima de R$ 50 mil. O objetivo era evitar a migração de grandes investidores para as cadernetas de poupança, em momento de queda da Selic. De acordo com o BC, apenas as aplicações acima de R$ 1 milhão na caderneta atingiram um volume de R$ 19,810 bilhões no ano passado.

A medida proposta pelo governo não chegou a ser aplicada, em grande parte pelas consequências políticas que uma alteração neste investimento tão popular poderia ter. Mas as vantagens atuais da poupança não devem durar muito tempo. “Se a taxa de juros subir, ela vai começar a perder um pouco seu atrativo, pois não será tão competitiva em relação à renda fixa tradicional”, diz Góes.

Atualmente, a poupança rende a taxa referencial (TR) do dia do depósito, mais 6% ao ano. Outras vantagens são a garantia do governo nas aplicações até R$ 60 mil pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e a maior facilidade para transferir os ganhos para uma conta-corrente.

CDBs - Os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) são utilizados pelos bancos para se capitalizarem. Podem ser pré-fixados, com rentabilidade e prazo definido, ou pós-fixados, com ganhos indexados aos CDIs (Certificados de Depósitos Interbancários). “São usados por pessoas com o perfil conservador, por ser um investimento de baixo risco e de alta liquidez, já que, em geral, os contratos oferecem uma cláusula de recompra diária”, informa Eduardo Otero, economista da corretora Um Investimentos.

Como a maior parte dos CDBs são pós-fixados e indexados ao CDI, os analistas apontam que a alta dos juros esperada para o final do ano aumentará a rentabilidade dessa classe de investimento.  Alguns bancos estão oferecendo retorno acima de 100% do CDI, em função do aumento do depósito compulsório, o que diminuiu os recursos dos bancos para empréstimos, e, por isso, estão captando a taxas maiores.

O único grande risco do investidor é a instituição emissora quebrar. Portanto, os analistas recomendam que, caso sejam oferecidas taxa muito superiores a 100% do CDI, o investidor deve ter mais atenção, pois o risco é maior. “É preciso sempre pegar CDBs de bancos de primeira linha, que tem um histórico de boas condições econômicas”, afirma José Góes, economista da Win Trade.

Para quem investe em CDBs, existe a cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Além disso, a Receita Federal taxa os ganhos a partir de uma tabela regressiva, com um máximo de 22,5% de Imposto de Renda (IR) sobre o rendimento com resgate antes de seis meses e um mínimo de 15% de IR para resgates acima de dois anos.

Dólar - Comprar moedas estrangeiras - em especial o dólar, por ser a moeda mais “líquida” - sempre foi uma arma usada pelos investidores para se proteger contra a desvalorização da moeda local, uma vez que sua cotação é elevada nessas situações. Logicamente, essa tática não funciona quando é a própria moeda estrangeira que acaba desvalorizada.

Por essa razão, a instabilidade cambial que o País enfrenta há anos tem levado os economistas a desaconselhar o investimento no dólar. “Ele tem um risco muito elevado, e sua condição é instabilidade, visto que o sistema cambial que vigora hoje no Brasil é o de taxa de câmbio flutuante, que oscila ao sabor do mercado nacional e internacional”, lembra Denílson Alencastro, economista da Geral Asset Management.

Segundo Décio Pecequilo, a expectativa é que a cotação da moeda norte-americana em 2010 seja extremamente errática. “No dólar, qualquer exercício de futurologia vai ao infinito”, afirma. O analista lembra que no ano passado o dólar caiu aproximadamente 22%, enquanto em 2010 está subindo em torno de 4,75%.

Uma das poucas ocasiões em que a compra de dólares é recomendada é se houver oportunidade de viagens para o exterior, quando passa a ser interessante a aquisição da moeda aos poucos, nos momentos em que a cotação estiver em baixa. “Além disso, nessas ocasiões, quem fez dívidas em moeda estrangeira, como aquelas contraídas com o cartão de crédito em viagens, deve aproveitar a ocasião para liquidá-las”, lembra Everton Lopes,  economista especialista em finanças pessoais e investimentos.

Fundos de Renda Fixa/DI - São fundos cujo recurso aplicado é usado para investimentos em títulos de renda fixa. São feitos através de instituições financeiras, que normalmente usam o recurso em aplicações mais arriscadas, tomando para si os lucros ou perdas resultantes dessa operação.

A diferença básica entre os dois tipos é que os fundos de Renda Fixa investem em títulos públicos pré-fixados, enquanto os fundos DI aplicam boa parte do patrimônio em títulos do governo com taxa pós-fixada. Ambos são indicados para investidores com perfil conservador por terem como principais vantagens a baixíssima volatilidade e a alta liquidez.

Segundo Ricardo Richiniti Hingel, diretor financeiro e de relações com investidores do Banrisul, o atual momento é favorável para aplicações em Fundos DI, em função da expectativa de elevação das taxas de juros a partir de abril, chegando a 11,25% ou 11,50% ao ano em dezembro, o que criará um aumento nominal e real da rentabilidade.

No entanto, o investidor também deve tomar cuidados ao escolher esta opção, pois o desempenho dos fundos dependerá da estratégia adotada pelos gestores. Outra questão são as tributações em cima deste tipo de investimento.

Além de pagar IOF e IR - as alíquotas de IR variam de 15% a 22,5% dependendo do prazo de aplicação - os fundos também cobram uma taxa de administração e performance que, dependendo de seu valor, pode fazer a rentabilidade ser inferior a da poupança. “Dependendo dos casos, a rentabilidade poderá ser inclusive inferior à da poupança”, aponta Everton Lopes, economista especialista em finanças pessoais e investimentos.

Ouro - Tradicionalmente o ouro é um investimento considerado seguro para momentos de crise nos mercados financeiros por ser um ativo físico de alta liquidez. “De todos os investimentos, é o mais seguro em momentos de crise, pela sua grande aceitação em todo o mundo, mas é o que apresenta o menor retorno”, explica Denílson Alencastro, economista da Geral Asset Management.

Assim como o dólar, a rentabilidade do ouro é ligada à uma cotação diária, que tem mantido certa estabilidade, o que leva os analistas a não considerarem o metal como uma opção vantajosa no curto prazo. No entanto, a tendência de manutenção das taxas de juros americanas a níveis próximos a zero e a situação de demanda atual muito maior que a oferta disponível por este metal tendem a pressionar o preço para cima, o que deve levar a uma valorização no longo prazo. “É um ativo típico de crise, e sua cotação futura é diretamente proporcional aos problemas que a economia global pode sofrer”, explica Décio Pecequilo, operador sênior da corretora TOV.

Na última década, o ouro rendeu cerca de 14% ao ano. Em 2000, o metal era cotado a US$ 279 a onça-troy (equivale a 31 gramas). Já em 19 de janeiro, seu preço internacional bateu US$ 1,133 mil a onça-troy, e nos últimos dias tem se mantido em torno de US$ 1,100 mil. Na BM&FBovespa, é possível fazer o investimento no metal, em barras ou lâminas, a partir de R$ 3 mil.

Títulos do Tesouro - Típico investimento conservador, costuma atrair investidores com um perfil mais reservado por ter como principal vantagem o baixíssimo risco e a diversidade de tipos de títulos ofertados (pré-fixados, pós-fixados e indexados à inflação). É considerado uma das opções mais seguras, pois envolve papéis do próprio País e oferece uma boa rentabilidade. “Para se ter uma ideia da segurança desses títulos, basta citar que, hoje, a participação do investidor estrangeiro é recorde, somando R$ 118 bilhões, 8,75%, do total de nossa dívida, e isso após a crise de liquidez global”, explica Décio Pecequilo, operador sênior da corretora TOV.

Outra vantagem dos títulos é que o retorno esperado é positivo. “O tomador dos recursos é o governo, que dificilmente dará um calote”, explica Denílson Alencastro, economista da Geral Asset Management. Segundo o analista, para este ano a expectativa para esse investimento é que uma provável alta dos juros deverá tornar mais atrativa a rentabilidade dos títulos. “Pode ser interessante investir em títulos pós-fixados, em virtude da expectativa de alta na Selic, e indexados à inflação (IPCA e IGP-M)”, destaca.

No entanto, a principal desvantagem desse investimento é sua liquidez. O Tesouro recompra os títulos apenas nas quartas-feiras a preço de mercado. “Isso significa que, caso o investidor necessite do dinheiro, pode receber menos do que investiu”, explica Alencastro. Os vencimentos são estipulados pelo Tesouro. Existem opções de prazos, mas o investidor é que deve planejar a retirada dos recursos.

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